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Voluntárias promovem a “Hora do Mamaço”

Geral Comentários 24 de julho de 2015

A luta continua pelo aleitamento natural exclusivo: sem utensílios e sem soluções artificiais, mas principalmente com reconhecimento do papel indispensável das mães na formação dos bebês, prioritariamente nos seus primeiros anos de vida


Monalisa Dutra de Oliveira é analista de sistemas e mãe do Pedro, que completou um ano e cinco meses recentemente. Ingrid Borges Ferreira, gerente de eventos é mãe do Thomaz de um ano de idade e Rayane dos Santos, empresária, é mãe do João Antônio que tem um ano. Em comum, são mães e, para compartilharem experiências, as três criaram um grupo no facebook com o nome, “Mamães de Anápolis” que, hoje, conta com mais de quatro mil integrantes. A regra do grupo é clara: é necessário ser mãe e usufruir do espaço criado por elas para falar, somente, de bebês.


Através desta iniciativa virtual, estas mulheres dão dicas interessantes que ajudam no dia-a-dia das mamães de plantão. Elas compartilham histórias; falam de enfermidades; indicam pediatras e, sempre, lembram, nos posts, da importância do leite materno. Ele é o alimento mais completo e equilibrado que a criança recebe até os seis meses. Para reforçar a importância desse ato, a World Alliance for Breastfeeding Action (Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno) criou a Semana Mundial de Aleitamento Materno em 170 países com o objetivo de aumentar os índices de amamentação.


As três mamães, com o apoio de algumas entidades, vão trazer para a Anápolis a 23ª edição da “Hora do Mamaço”, que começa, nacionalmente, no dia 1º e vai até 07 de agosto com o tema “Trabalhar e amamentar, só basta apoiar”.  A prática da defesa do aleitamento materno exclusivo defende o apoio e a orientação às mães como ações facilitadoras para que o ato de amamentar seja pleno e eficaz. Como ação puramente biológica, cada vez mais se preconiza a importância do exercício destas duas ações, afastando as soluções criadas através de produtos que venham a auxiliar a amamentação, dentre elas, as bombas para extração de leite materno excedente.


O natural e o ideal, é que as mães sejam orientadas a fazerem a ordenha manual, de acordo com a norma técnica do Ministério da Saúde, que beneficia o alívio das mamas e a continuidade do aleitamento, principalmente nos primeiros seis meses de vida do bebê e a preservação do aleitamento no maior tempo que for possível para as mães trabalhadoras, especialmente.


O Brasil conta, hoje, com um tempo de licença maternidade, para o setor privado, de quatro meses. Segundo o censo do IBGE de 2012, a população feminina com carteira de trabalho assinada no setor privado cresceu 9,8 pontos percentuais (de 34,7% em 2003 para 44,5% em 2012).


A Lei de proteção à amamentação na volta ao trabalho beneficia a mulher que amamenta e seu bebê até os seis meses de aleitamento exclusivo de acordo com a Organização Mundial de Saúde, ou seja, voltando de licença maternidade aos quatro meses, a mulher tem apenas dentro dos dois meses permitidos - dois períodos de 15 minutos para a amamentação, que podem ser negociados de duas formas:


- Dois períodos (ao dia) de 15 minutos de pausa para aliviar as mamas, extraindo o leite e armazenando para a alimentação posterior do seu bebê; Um período de 30 minutos que pode ser combinado na entrada, saída ou no horário de almoço da mãe. 


Das 12 mil empresas cadastradas no programa “Empresa Cidadã”, iniciativa do Ministério da Saúde que incentiva a ampliação da licença-maternidade de quatro para seis meses, apenas 80 oferecem salas de amamentação em todo o País.  Monalisa Dutra explica que deve haver um apoio maior. “É engenhoso o esforço de ordenha, armazenamento e proteção do aleitamento exclusivo para além dos seis meses. Somos guerreiras. Às vezes, em 15 minutos, conseguimos garantir o leite dos nossos bebês esvaziando as mamas; muitas das vezes em banheiros e, até, dentro dos carros. Se, em 15 minutos é quase um desafio impossível de extrair leite com a bomba, que dirá manualmente? A ideia de trazer a “hora do mamaço” para Anápolis é porque pretendemos alcançar estas mães, as que precisam de apoio real para continuarem amamentando e que precisam voltar ao trabalho por razões muito justas.”


Ingrid afirma que, todos os dias, muitas mães fazem uso da bomba extratora, porque é a única alternativa para garantirem a amamentação dos seus filhos. “Estamos lutando por estas mães que ficam nas empresas, com uma carga horária que torna impossível, até durante o dia, aliviarem as mamas da ausência de sucção dos seus bebês por longas horas. Queremos que estas mães se identifiquem com o movimento, que se sintam acolhidas, e que se juntem ao movimento para que todas juntas, possamos mudar esta realidade”, declarou.


A logomarca deste ano é, na verdade, um protesto subliminar. Não é possível apoiar e proteger a amamentação, um gesto singular e tão precioso para os bebês, desta forma: mulheres melindradas, sem tempo suficiente e espaço respeitoso para a extração do leite materno; muitas delas com o uso de uma bomba extratora que depreende manejo e, sendo mecânica, tem seus riscos. Todavia, com calma, concentração e sem pressão - principalmente sob uma vergonhosa licença que obriga a uma separação tão precoce dos seus bebês.


“Por isso queremos mais. Queremos principalmente conscientizar a sociedade de que o bebê merece tempo digno e apoio de toda a sociedade para que se desenvolva e para que se alimente da melhor forma e com o melhor alimento, garantindo assim, uma qualidade de vida e de saúde e, para que tenha sua mãe acessível neste primeiro momento único e crucial para o seu desenvolvimento pleno.”


A Organização Mundial de Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e a amamentação complementar até os dois anos de idade.


A amamentação exclusiva é a estratégia mais eficaz na redução da mortalidade infantil. Estima-se que ações de promoção do aleitamento materno e da alimentação complementar saudável sejam capazes de diminuir, respectivamente, em até 13% e 6% a ocorrência de mortes em crianças menores de cinco anos em todo o mundo.


Entre as estratégias do governo brasileiro para incentivar a amamentação, estão ações na Rede Cegonha e nos bancos de leite. O Ministério da Saúde certifica hospitais no projeto “Hospital Amigo da Criança”, cujo objetivo é cumprir os 10 passos para o sucesso do aleitamento materno. Recentemente, foi criado o programa Cuidado Amigo da Mãe. Hoje, o Brasil conta com 315 hospitais credenciados espalhados por todos os estados. A duração média do Aleitamento Materno Exclusivo em crianças que nasceram em “Hospital Amigo da Criança” é de 60,2 dias, contra 48,1 dias em crianças que nasceram em unidades não habilitadas.


A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano auxilia mulheres a seguirem amamentando seus filhos com doações de voluntárias. Em 2013, o Ministério da Saúde promete investir R$ 7 milhões em procedimentos realizados pela rede. Outros R$ 746 mil devem ser utilizados para a construção de cinco novos bancos de leite e R$ 3,9 milhões para a reforma de 53 unidades.


O evento que vai acontecer no dia primeiro de agosto, no auditório do Parque Ipiranga, em Anápolis, começa às 14 horas. A luta continua sendo pelo aleitamento natural exclusivo: sem utensílios e sem soluções artificiais, mas, principalmente, com reconhecimento do papel indispensável das mães na formação dos bebês, prioritariamente nos seus primeiros anos de vida.

Autor(a): Mariana Lourenço

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