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Voando alto com os pés no chão

Geral Comentários 10 de agosto de 2013

Uso de modelos elétricos popularizou a pratica nos últimos anos. Aeromodelistas fazem do hobby um verdadeiro estilo de vida


O aeromodelismo é um conjunto de atividades que envolvem a montagem e o controle de vôo de modelos em escala reduzida, com aeronaves convencionais e helicópteros. A popularização do hobby que, a cada dia, ganha novos adeptos, abriu espaço para que empresários investissem no setor e Anápolis, hoje, conta com loja especializada e aeroclube privado. Para os adeptos, esta prática ajuda a aliviar o stress e a ansiedade das rotinas agitadas.
O lojista Weliton José dos Santos, por exemplo, começou a praticar o hobby há dois anos, para realizar o sonho - que mantinha desde criança - de voar. Há um ano e meio, abriu uma loja especializada onde comercializa modelos; peças, combustível, e outros artigos do ramo. “Hoje tenho quatro aeromodelos, três aviões a combustão e um elétrico. No próximo mês, parto para o quarto”, conta. Ele acrescenta que “não é só pelos aeromodelos e pelos voos. É pelo ambiente também. Aqui é muito tranquilo, ajuda a relaxar”, completa.
Para o fisioterapeuta Fábio Godoy o aeromodelismo é uma forma de controlar a ansiedade e praticar a paciência. No esporte há um ano e meio, ele diz que começou por influencia do cunhado, praticando no simulador de vôo. “Quando consegui fazer com que o avião não caísse, comecei a achar a brincadeira interessante”, relata. Ele conta com a companhia da esposa, a enfermeira Eliane Alves, que apesar de admirar as manobras, não se arrisca nos controles. “Gosto mais de observar, mesmo. Filmo e fotografo tudo. É um ambiente muito saudável”, analisa.
O pastor José Carlos Potenciano é adepto do aeromodelismo há um ano e meio. Também cinegrafista e fotógrafo profissional antes de exercer o ministério evangélico, ele foi atraído à prática pela possibilidade de captar imagens aéreas – vídeo e fotografia - usando as pequenas aeronaves. Potenciano é um dos colaboradores assíduos do jornal CONTEXTO. Fotos aéreas de sua autoria já ilustraram importantes reportagens do semanário.
Praticantes do aeromodelismo há cerca de um ano, os médicos Stanley Pina, João Henrique e Billy Fanstone, acompanhados de amigos simpatizantes do hobby, se divertem nos finais de semana na chácara da família nas proximidades de Anápolis. Alguns deles se aventuram numa “guerra” aérea tentando derrubar “aviões inimigos”. Pura farra e brincadeira de “meninos grandes”, como definiu um deles. Outro apaixonado pela modalidade é o superintendente da Polícia Federal de Goiás, delegado Geraldo André Scarpellini Vieira. Ele leva a sério a brincadeira. Proprietários de alguns modelos, o delegado e o seu amigo Carlos Siade, médico, confessaram que levam na mala pelo menos um aeromodelo para se divertirem quando empreendem viagens a passeio.

Estilo de vida
Todos os praticantes levam o aeromodelismo muito a sério, mas para o mecânico de aviões Mirage, Mário Souza Melo, e o economista, João Batista Lacerda, o hobby é um estilo de vida. João Batista, ou ‘Batista’, como é conhecido pelos amigos, está no aeromodelismo desde a década de 80, quando o hobby era praticado no Aeroporto Civil de Anápolis. “Era um esporte caro e restrito. Comprávamos os modelos, peças, combustível em conjunto e dividíamos tudo”, lembra. Ele tem sete modelos, além de um hangar em casa, “em um quarto onde a esposa não entra”.
Já, Mário, conta que conheceu o esporte quando morava no exterior com a família, 18 anos atrás. Durante esse tempo, já foi instrutor de muitos aeromodelistas e influenciou muitas pessoas a começarem. “Acredito que por trabalhar no ramo, passo para os modelos a realização da aviação, do prazer do voo”, comenta. Batista confirma. “Meus modelos são todos em escala. Têm, inclusive, procedimentos de vôo como os originais. A emoção é a mesma de voar. Só não estamos dentro do avião”.
Brinquedos de gente grande
Construtor de aeromodelos, Ezequiel Soares de Melo, se diz adepto dos modelos elétricos - recarregados por meio de baterias especiais ligadas à tomada e, até mesmo, à bateria do carro. “O custo destes modelos é mais baixo. Por não utilizarem combustíveis são mais seguros, mas com a mesma autonomia de vôo (tempo que o avião pode ficar no ar)”, explica.
Ele lembra que existem três categorias de aeromodelos: os U/Control, que realizam o voo circular controlado, no qual o aeromodelo fica ligado ao aeromodelista por meio de cabos; os radiocontrolados, em que as aeronaves são controladas por meio de um transmissor de radiofrequência; e os de voo livre, em que o aeromodelo, depois de lançado, não sofre mais nenhuma interferência por parte do aeromodelista. E há também o helimodelismo, ou, os helicópteros em escala reduzida.
Os modelos controlados por rádio dividem-se, ainda, em aeronaves à combustão, que utilizam combustível - gasolina ou glow (nitrometano) - e são maiores e mais pesados, normalmente réplicas de aviões; e elétricos, com tamanho, peso e, principalmente, custo reduzidos. “A variedade é enorme. Hoje existem de aviões artesanais até jatos feitos com fibra de carbono”, explica Ezequiel.
Os preços são igualmente diversos, oscilando entre R$300 e R$15.000 - dependendo do material e categoria. No caso dos radiocontrolados há, ainda, os custos com o controle, que variam de R$100 a R$5.000. “Os modelos mais antigos eram fabricados com madeira de balsa e fibra de vidro. Atualmente, utiliza-se o isopor P3 - de alta densidade; o Deprom - um tipo de isopor condensado; ou ainda o light ply - um tipo de compensado”, ensina o construtor.
Os recursos, também, evoluíram bastante. Hoje há possibilidades de filmagem aérea e até voos noturnos - com a utilização de fitas de LED. “Os rádios computadorizados atingem até 20 canais, e possibilitam mais opções de comando, como luzes e acessórios - entre eles, trem de pouso e pára-quedas. Os primeiros possuíam apenas três ou quatro canais”, conta Ezequiel.
Cuidados básicos podem evitar acidentes
Rômulo Vieira Machado, assim como Ezequiel, constrói aeromodelos e é praticante. Ele lembra que existem normas de segurança, locais de vôo adequados, como os aeroclubes. Ali, as pistas em X diminuem as chances de choque entre as aeronaves e os riscos de acidentes em caso de pane - pois os modelos usam as cabeceiras para levantar vôo e pousar, longe dos observadores. Há áreas limitadas para observação e voos.
Ezequiel explica que existem quatro categorias para a prática que devem ser respeitadas: iniciante - aqueles que estão em treinamento e, recomenda-se, devem ‘voar’ acompanhados de alguém mais experiente; escala - em que são utilizadas réplicas exatas dos modelos reais, controlados por aeromodelistas experientes; chock flyer - o treino de acrobacias 3D; e o park flyer - aviões pequenos e elétricos que podem ser utilizados em parques.
Realizar voos, apenas, em locais adequados, inclusive, é a principal recomendação. “As manobras durante voos em locais inadequados à prática podem levar a choques na rede elétrica, com construções e, até, com pessoas”, alerta. Além disso, é preciso estar atento ao acondicionamento do combustível - que é altamente inflamável; durante o acionamento do modelo - pois as hélices giram a uma velocidade muito alta e podem ferir gravemente; e à distância ente modelo e piloto. “Existe um raio seguro para o voo. Não se pode perder o modelo de vista, nem permitir que ele saia do alcance do rádio, pois isso acarreta risco de queda e, consequentemente, acidentes”, diz.

Conheça algumas manobras do aeromodelismo
Com aviões:
Roll - O modelo gira no eixo, sem perder altura
Loop - O avião desenha um círculo no ar
Voo de faca - O avião voa de lado, com a ponta de uma das asas apontadas para o solo e a outra para o céu
Com helicópteros:
Tic-tac - A reversão do giro das pás faz com que o modelo dê pequenos trancos
Caos - O helicóptero gira em vários ângulos
Funil - O helicóptero gira em torno de si mesmo, enquanto perde altura
Voo de ré - Pode ser realizado apenas por helicópteros, como o próprio nome diz, o modelo voa para trás

Autor(a): Carolina Umbelino / Vander Lúcio Barbosa / José Carlos Potenciano

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