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Violência assusta a população de Anápolis

Violência Comentários 28 de dezembro de 2012

Índice de homicídios quase que dobrou. Falta estrutura para a polícia trabalhar melhor


Em 2011, repetindo o ano anterior (2010) foram registrados, em Anápolis, 86 crimes de homicídio, o que dá uma média de 7,16 por mês. Este número subiu para 151 (dados compilados até 27 de dezembro), o que eleva a taxa para mais de 12 casos registrados mensalmente. Mas, os números podem estar mascarados, pois há muitos casos de tentativas de homicídios e, até lesões corporais em que as vítimas são encaminhadas para hospitais e, depois de algum tempo vêm a falecer. São números que vêm assustando a comunidade, embora em outras cidades goianas a porcentagem seja, até, maior do que a registrada em Anápolis. Para complicar a situação, a Cidade necessita, urgentemente, de investimentos na estrutura de segurança, a começar pela reposição de pessoal nas polícias Civil e Militar. De acordo com o Terceiro Comando Regional da PM, há 10 anos estimou-se que o número aceitável do contingente para uma cidade do porte de Anápolis seria de 650. Passado esse tempo todo, em que pese o crescimento populacional, segundo dados da própria PM, este número não passa de 500.
Na Polícia Civil é, praticamente, a mesma coisa. Muito embora tenham sido criadas mais algumas distritais e delegacias especializadas, o setor ressente da falta de material humano, equipamentos e instrumentos para dar sequência ao trabalho de investigação de crimes e de policiamento de inteligência na Cidade. Os recentes melhoramentos na Polícia Civil em Anápolis (reforma do Sexto DP; implantação da nova sede para a Delegacia de Atendimento à Mulher, transferência do Quinto DP para o Bairro Alvorada, reforma da Delegacia Geral etc.) só aconteceram com o apoio financeiro da Associação Comercial e Industrial, lideranças comunitárias e organizações não governamentais.

Falta de recursos
O maior investimento público na segurança em Anápolis nos últimos tempos foi a instalação do GGIM (Gabinete de Gestão Integrada Municipal), iniciativa da Prefeitura que instalou 25 câmera de videomonitoramento em algumas ruas e praças da Cidade. Fora isso, recentemente foi feita a troca das viaturas que servem ao policiamento e anunciada a aplicação de mais recurso em diferentes setores, dentre eles a transferência da sede da Terceira Delegacia Regional de Polícia Civil, para um prédio cedido no Distrito Agro Industrial de Anápolis.
Enquanto isso, a comunidade anapolina vê chegar ao final o ano de 2011 com inúmeras demandas sem atendimento na área da Segurança Pública. Não aconteceu, por exemplo, o início das obras do mini presídio, cuja área foi doada pela Prefeitura há dois anos. Vários anúncios dando conta de que tais obras seriam iniciadas, nunca se efetivaram. Prossegue, desta forma, a dificuldade de acomodação para presos em flagrante, ou, por ordem judicial. As improvisações são constantes e, até já foram mostradas pela mídia nacional, sendo o caso mais enigmático, o de uma mulher que ficou dois dias presa a um banco na sede da Terceira Regional da Polícia. Ali funciona uma cela improvisada, que abrigaria, no máximo, cinco pessoas, mas sua lotação diária nunca é menor do que 20 detentos. Isto, porque a Cadeia Pública está sob intervenção decretada pela Justiça Criminal da Comarca, devido à superlotação e à falta de condições estruturais para abrigar a um maior número de detentos. E, não são raras as vezes em que detentos de Anápolis têm de ser transferidos para Goiânia, pela absoluta falta de acomodações. Sem contar que a ala feminina que hoje funciona na área da Cadeia Pública só foi construída com recurso da comunidade. Antes as presas eram, também, levadas para outras cidades da região. O projeto da Cadeia Pública (Centro de Inserção Social “Monsenhor Luiz Ilc”) é para uma população carcerária de, no máximo, 120 detentos. Hoje estão lá quase 300 e este número já foi, até, maior.
Da mesma forma, embora já tenha sido anunciada, por várias vezes, a disponibilidade de uma verba federal para a construção do centro de internação para menores praticantes de atos antissociais, nunca se assentou um tijolo sequer na área, que fica junto ao trevo de acesso a Goiânia.

Assassinatos
Anápolis experimentou, este ano, um crescimento atípico n o volume de crimes contra a pessoa. Foram mais de 150, contra 86 em 2010 e o mesmo número (86) em 2011. A polícia não hesita em afirmar que a maioria absoluta desses crimes tem relação com o narcotráfico. Mas, em 2012 ocorreram outros assassinato que chamaram a atenção da mídia nacional. O mais rumoroso foi o assalto a uma locadora de vídeo, na Avenida 24 de Agosto, Vila Jaiara, que vitimou o atendente Brendo Ribeiro de Souza, acadêmico de Direito. Ele foi morto durante um assalto no começo da noite de 10 de julho, com um tiro no peito. Seu assassino, o, também, menor de 16 anos, de inicial K, foi preso alguns dias depois, julgado e condenado a uma pena socioeducativa de três anos.
Outro latrocínio que chamou a atenção da mídia aconteceu n o dia 11 de fevereiro, três da tarde, em plena Praça Bom Jesus, a principal de Anápolis. Robson Santana Leão, 49 anos, estava em companhia da esposa no interior de sua joalheria, quando foram abordados por três assaltantes. Sem explicação, um deles atirou à queima roupa, matando o comerciante na hora. Este crime, até hoje, não foi desvendado.
A Polícia, também, ainda não tem uma resposta para ao assassinato do Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Mecânica e Metalúrgica de Anápolis, Nivaldo Ferreira de Souza. Ele foi alvejado com vários tiros quando saída de sua casa na Vila Góis, na manhã de 21 de agosto. Levado para o Hospital de Urgências “Doutor Henrique Santillo”, Nivaldo acabou morrendo no dia 05 de setembro.

Autor(a): Nilton Pereira

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