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“Vice na chapa do PMDB deve ser Anápolis”

Polícia Comentários 16 de abril de 2010

Em entrevista ao CONTEXTO, o deputado estadual José Nelto (PMDB), faz um balanço sobre a sucessão estadual. Atualmente exercendo o quarto mandato na Assembleia Legislativa de Goiás, o parlamentar foi uma das principais vozes de oposição na Casa ao Governo Estadual, na gestão do então governador Marconi Perillo (PSDB), e agora na gestão de Alcides Rodrigues (PP). Na sua avaliação, Nelto considera que o pleito deverá se polarizar entre os atuais pré-candidatos Iris Rezende e Marconi Perillo (PSDB), não havendo espaço para uma terceira via. Com estilo contundente, o deputado dispara críticas aos adversários, em relação à crise da Celg, apurada por uma CPI da Assembleia Legislativa. E também defende que o PMDB não faça uma chapa “sangue puro” para a eleição majoritária, mas que o nome do vice saia do PT e, preferencialmente, de Anápolis. Confira na entrevista:


Como o senhor avalia o cenário desenhado neste momento da disputa para a sucessão no Governo de Goiás?

José Nelto - Vejo um cenário positivo, porque temos, agora, três candidaturas, sendo que Goiás sempre teve uma campanha politizada, como o velho PSD com a UDN, a Arena com o PMDB e, hoje, o PMDB com o PSDB. Portanto, embora haja três candidaturas, considero que exista uma polarização. A campanha deve continuar assim e vejo que será uma campanha muito dura e, quem ganhar a eleição - eu acredito e aposto no meu partido o PMDB e em Íris Rezende - será com uma vitória apertada, porque ambos têm seus seguidores, seus partidários. Nós do PMDB, então, vamos fazer uma campanha com os pés no chão, uma campanha positiva e na qual o Governo de Goiás e o PSDB são os nossos opositores, por que eles estão no poder há 12 anos. E o que está acontecendo no Estado? A quebradeira da Celg, da Saneago e as próprias finanças públicas estaduais combalidas. A culpa é dos dois governos do PSDB e do governo do PP. Portanto, vamos nos colocar perante a opinião pública que nós não temos nada com o que está acontecendo no Estado de Goiás. Vamos apresentar soluções, propostas concretas para tirar Goiás da crise financeira em que se encontra. O apagão que houve na infra-estrutura (asfalto, rede de esgoto, água tratada, energia), o apagão na saúde, na educação, na segurança pública. E o prefeito Iris Rezende, como candidato, irá apresentar propostas para resolver estas situações mal resolvidas. Fizeram muita propaganda, gastaram muito dinheiro com a imprensa e não se preocuparam com a situação do cidadão que paga imposto e quer que o governo atenda as suas demandas.

O PMDB já definiu a composição com o PT. Mas, o que o partido ainda espera em termos de alianças para este embate eleitoral de 2010?

José Nelto - Nós já temos esta aliança concreta com o Partido dos Trabalhadores, com o PSC, o PC do B e, agora, procuramos também aliança com o PDT e outros partidos. Estamos conversando com o DEM. Não acredito que a candidatura do Vanderlan Cardoso (PR) possa vingar, porque não há espaço para terceira ou quarta vias. Mas, se essa candidatura vingar, evidentemente que a aliança nossa será com cinco ou seis partidos. Nós estamos abertos e posso afirmar à população de Anápolis, que a chapa nossa na formação majoritária, não será “puro sangue”. O vice nosso, pela articulação que está se fazendo, será do PT. E, se depender da minha vontade, o vice será Rubens Otoni.

Estaria havendo dificuldades, em razão de o deputado estar em dúvida em abraçar essa candidatura a vice ou tentar a reeleição para a Câmara Federal. Há outros nomes para essa composição?

José Nelto - Sim, nós temos a Marina Santana, o ex-deputado Valdi Camárcio e muitos outros. Nossa preferência seria por um nome de Anápolis. O prefeito da cidade está indo muito bem, reconhecemos o seu trabalho, achamos que a política do passado entre a Onaide (Santillo) e o Antônio Gomide está superada. Não vamos olhar no retrovisor. Nós do PMDB queremos fazer uma campanha positiva para ajudar Anápolis. Uma grande preocupação nossa, por exemplo, é com os serviços que são prestados aqui pelos órgãos estaduais. A situação da Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) é deplorável, uma vergonha. Temos que melhorar o serviço, para que o cidadão seja bem tratado. Nós temos o Hospital de Urgências que precisa ser ampliado. E, num eventual governo do PMDB, nós queremos consolidar Anápolis como o maior parque industrial do Estado. Foi o nosso pré-candidato Íris Rezende, quando governador, que criou o maior programa de incentivo à geração de emprego e renda, o Fomentar.

O senhor comentou a preferência de um candidato a vice de Anápolis. Isso poderia ser um contraponto para as boas votações que o pré-candidato do PSDB, Marconi Perillo, tem tido na cidade e também o próprio governador Alcides Rodrigues?

José Nelto - Acho que todas as lideranças que estão apoiando Íris Rezende, como o prefeito Antônio Gomide, têm muita credibilidade. E o próprio Íris tem grande aceitação no município. Eu pergunto: quantas casas o PSDB e o PP fizeram em Anápolis? Uma ou duas. O prefeito Íris Rezende construiu 1.150 casas. A UEG, hoje, existe em Anápolis, porque foi criada a Uniana, criada por Íris Rezende quando era governador, isso há 16 anos. Quem se preocupou com ensino superior foi o PMDB. O prédio da UEG também se iniciou com o PMDB de Maguito Vilela. Nós perdemos eleições no passado, isso foi uma lição. Mas, agora, vamos trabalhar unidos e mostrar para os anapolinos que o PMDB, com Íris Rezende, vai fazer o que os outros não fizeram no passado.

Em relação às Comissões Parlamentares de Inquérito instituídas na Assembleia Legislativa, primeiro para apurar a situação da Celg e, agora, para averiguar as causas do déficit do Estado vão, de alguma forma, influenciar nos debates deste pleito?

José Nelto - As CPIs são muito técnicas, não são políticas. A CPI mostrou que a Celg está quebrada, endividada e os culpados foram o PSDB e o PP que não fizeram o dever de casa. Houve muita corrupção na Celg, desmandos. Portanto, quando o PMDB entregou o Governo do Estado para o PSDB, a dívida da empresa era de R$ 2 milhões. Não tinha dinheiro emprestado na rede bancária. Depois de oito anos, agora chegando a 12 anos, a dívida foi para R$ 6 bilhões. Quem é culpado? A dívida de Goiás, quando o PMDB entregou o Governo, as dívidas antigas eram de R$ 5 bilhões. Hoje, chegam a R$ 14 bilhões. Então, pergunto: qual a competência eles tiveram para gerir a dívida. Ou não quiseram fazer?

Os adversários do PSDB atribuem o endividamento da Celg, à venda da Usina de Cachoeira Dourada, no Governo do PMDB.

José Nelto - A venda de Cachoeira Dourada não deixou nenhuma dívida. Muito pelo contrário. Você compra energia a R$ 50 o KW/h vende a R$ 150 KW/h para o setor industrial, para o comércio e também para o consumidor residencial. A Celg não tem concorrente. Então, por que esta empresa está quebrada? A Companhia Energética de Brasília não tem geradora de energia e ela está bem, porque foi bem administrada. O que houve foi muita corrupção. Por isso, temos a tranquilidade de dizer que esse governo fracassou, fez muito barulho para pouca chuva.

O governo de Alcides Rodrigues não enfrentou, na Assembleia Legislativa, uma oposição mais dura. Isso pode ser um caminho para que futuramente possa haver um entendimento com o PP?

José Nelto - Nós não trabalhamos em levar a campanha para o segundo turno. No momento, PP e PSDB são os nossos adversários. Nosso candidato Iris Rezende vai trabalhar, vai lutar muito para ganhar no primeiro turno, porque a eleição em segundo turno é uma eleição de conchavos para arrumar cargos. Hoje, nós somos adversários de quem está no poder e quem esteve no poder. Vamos ser oposição a esses 12 anos de governo do PSDB e do PP e mostrar alternativas para tirar Goiás do apagão em que se encontra. Hoje, por exemplo, falta energia para ampliar o parque industrial do Distrito Agro Industrial de Anápolis. E, isso, nosso pré-candidato terá competência para resolver, como fez em sua administração na Capital na área de infra-estrutura, educação, saúde, transporte, meio ambiente e cultura. Esse modelo vencedor, positivo, é que vamos discutir com a sociedade.

A eleição proporcional, como o PMDB vem trabalhando a formação da chapa para a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal?

José Nelto - Nós já começamos esse trabalho. Queremos colocar candidatos de todas as regiões na chapa do PMDB. Não iremos fazer coligação proporcional para a Assembleia. Para a Câmara Federal vamos fazer composição com o PT, com o PC do B e também com o PSC.

O senhor acredita que a eleição presidencial terá um peso grande, ou seja, vai influenciar nas disputas regionais, mais especificamente em Goiás?

José Nelto - Eu acredito que sim. O presidente Lula hoje é um grande cabo eleitoral, ele está muito bem avaliado. O Brasil está bem. Qualquer pessoa que trabalha com carteira assinada, ou mesmo um autônomo, tem dinheiro para comprar uma moto; para comprar ou trocar a sua geladeira; para comprar uma máquina de lavar roupa; para comprar um lote ou condições de comprar uma casa com financiamento. A qualidade de vida do cidadão melhorou muito. O Brasil que era devedor do FMI (Fundo Monetário Internacional) hoje empresta dinheiro a ele. A juventude tem lugar para estudar no ensino superior. Houve avanços com os Institutos Federais de Educação. Então a candidata (Dilma Rousseff) terá que seguir esse modelo. Por isso, acho que irá influenciar sim e esperamos fazer um palanque forte para a candidata do PT aqui em Goiás.

Em relação ao programa de governo, que o PMDB já deve estar trabalhando. O que Anápolis pode esperar como proposta do partido?

José Nelto - O PMDB vai apresentar uma proposta exclusiva para Anápolis. Vamos discutir com as nossas lideranças aqui, com o prefeito Antônio Gomide e acredito que não podemos deixar nenhuma residência sem água tratada. Já se iniciou um processo de construção de moradias populares que o nosso pré-candidato deverá assumir compromissos também nessa área. E quanto ao Daia, deverá ser proposta de nosso candidato aumentar a área territorial no que for necessário, com a infra-estrutura para que possa continuar crescendo. E a Plataforma Logística Multimodal, que começou no governo do PMDB, será consolidada e ampliada.

Autor(a): Claudius Brito

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