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Vestibular das urnas exige conhecimento de matemática

Política Comentários 31 de agosto de 2012

Alvo do desejo de 477 candidatos, uma vaga na Câmara Municipal nem sempre depende, apenas, de uma boa votação. É preciso ficar de olho no quociente eleitoral e partidário


A briga por uma das 23 vagas na Câmara Municipal de Anápolis é um verdadeiro vestibular. Segundo os últimos números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, 447 candidatos estão aptos a disputarem os votos dos 241.611 cidadãos do terceiro maior colégio eleitoral de Goiás. Mas, a briga não se resume, apenas, na conquista dos eleitores. É necessário, também, que o candidato esteja atento à matemática porque, nem sempre, quem tem o maior número de votos, é eleito.
O sistema vigente no País utiliza dois parâmetros para se chegar ao resultado final do pleito para o Legislativo: o Quociente Eleitoral (QE) e o Quociente Partidário (QP). Vamos a eles: o Quociente Eleitoral é o número mínimo de votos necessários para que um partido político ou uma coligação eleja um candidato proporcional. Para isso, é preciso montar uma equação, onde: o Quociente Eleitoral é igual ao número de votos válidos (votos nominais mais os votos de legenda) divido pelo número de vagas.
Considerando, por exemplo, que os votos válidos na eleição somem 180.000, dividindo pelo número de cadeiras, 23, teríamos, então, um Quociente Eleitoral de 7.826. Daí vem a próxima conta que é o Quociente Partidário, que é dado pela divisão do QE pelo número de votos válidos dados sob a mesma legenda ou coligação de legenda, desprezada a fração. Vamos considerar que um partidocoligação tenha alcançado 25.000 votos válidos, dividindo pelo QE, teríamos então um QP de 3,194. OU seja, esse partido faria três vagas e teria sobras para disputar mais uma.
A chamada sobra é prevista no Código Eleitoral, a partir da média entre os partidoscoligações. Para chegar a essa média, mais matemática: dividir o número de votos válidos atribuído a cada partido/coligação pelo número de lugares por ele obtido acrescido de mais 1 (um), cabendo ao partido que exibir a maior média o preenchimento da respectiva sobra. Repete-se essa mesma operação para a distribuição das demais vagas, caso ainda exista sobras.
Como se vê, em eleição não é preciso entender apenas de voto, é preciso estar atento também à legislação e suas minúcias. Toda essa matemática parece um pouco complicada, mas com o apoio da tecnologia, essa contagem se torna fácil e o eleitor não demora muito a conhecer o resultado da eleição para a Câmara de Vereadores.


BOX

Quociente Eleitoral
QE = Número de votos válidos
Número de vagas
Obs. Votos Válidos = Votos nominais + votos de legenda

Quociente Partidário
QP = Número de votos válidos do partido ou coligação

Autor(a): Claudius Brito

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