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Uso indiscriminado na irrigação pode afetar abastecimento

Geral Comentários 25 de setembro de 2015

Equipe técnica desenvolve ações junto aos produtores da bacia hidrográfica, mostrando a importância de se utilizar bem o recurso natural da principal fonte de abastecimento da Cidade


No começo da semana, técnicos da Saneago, ao fazerem uma inspeção nas proximidades da Estação de Captação, notaram uma baixa considerável no volume do Ribeirão Piancó. A estação seca, nesta época do ano, contribui para que haja uma redução na vazão. Mas, no caso, há outro agravante que é a captação de água por produtores rurais da região. À medida em que o bombeamento da água para irrigar plantações de banana, hortaliças e outras culturas aumenta, é natural que ocorra essa variação no volume do manancial. Mas o excesso, com certeza, pode trazer consequências sérias ao abastecimento da população.


A exploração racional do potencial hídrico da bacia do Piancó, que é responsável por cerca de 80% do abastecimento de água potável em Anápolis, é a tônica da parceria estabelecida entre o Ministério Público, Saneago, Emater, Associação de Produtores do Piancó, secretarias estadual e municipal de Meio Ambiente e ONGs que atuam em favor da natureza. As bases desta parceria foram discutidas durante uma reunião entre as partes interessadas, no início do mês. Uma das decisões adotadas foi a elaboração de um estudo amplo sobre a situação do Piancó, das fazendas, plantações, criações de animais e todos os tipos de intercorrências que possam influenciar positiva ou negativamente para a sua vitalidade.


O gestor ambiental da Saneago, Wellington Barcelo, foi designado para acompanhar a situação do Piancó e das demais bacias hidrográficas de Anápolis. O trabalho de campo já está sendo feito, antes mesmo de sair o resultado do “diagnóstico” do Piancó, o que deve levar cerca de um ano para ficar pronto.


Entender como funciona sistema de abastecimento de água é quase tão complexo como entender as responsabilidades dos gestores e da população para que a água, este bem natural renovável (mas não ilimitado, pelo que se tem visto) possa continuar servindo a quem precisa, seja para o consumo de quem trabalha no campo, seja para quem a usa nas cidades, no comércio e na indústria.


Uma coisa que pouca gente sabe, segundo Wellington Barcelo, é que o Piancó é o único manancial 100% anapolino, ou seja, ele tem o seu nascedouro e morredouro dentro dos nossos próprios limites. Mais um motivo para que o tratemos com a devida importância. E é justamente este o seu trabalho: conscientizar e orientar o uso racional da água nossa de cada dia, para que ela não venha a faltar no futuro.


Wilton Souza, também técnico da SANEAGO, ligado à área ambiental, afirma que, em relação ao Piancó é importante esclarecer que não há um conflito, mesmo porque, segundo observa, cada um depende do outro. “Não queremos lacrar bombas de irrigação e fazer nada que prejudique os produtores da bacia, pois, amanhã, podemos sofrer com a oferta de produtos alimentícios mais caros para as famílias. Por outro lado, muitas famílias dependem desta água para o abastecimento. Se houver um consumo consciente, todos saem ganhando”, ponderou.


 


Exemplos


Na região do Piancó, conforme relatou o gestor ambiental Wellington Barcelo, foram identificadas seis bombas para irrigação em plantações de banana com motores de 40 HP (cavalos de potência), com capacidade para bombear 50 mil litros/hora. Cada uma dessas bombas retira do manancial uma quantidade de água equivalente ao abastecimento de uma localidade do porte do Distrito de Interlândia. Como são seis bombas, é só se multiplicar por seis ‘Interlândias’, que tem cerca de dois mil habitantes. Ou seja, daria para abastecer em torno de 12 mil pessoas. Não é pouca coisa.


Numa propriedade visitada, havia uma bomba de 300 cavalos de potência. O dono foi orientado a trocar o equipamento e mudar o sistema de irrigação, utilizando a técnica de gotejamento no bananal e, com isso, reduziu à décima parte o consumo da água retirada do manancial. Pelo método de aspersão normal gastam-se em torno de três a quatro mil litros/hora e utilizando a microaspersão, apenas 60 a 80 litros/hora.


Wilton Sousa observa que os alimentos que recebem uma quantidade menor de água têm tendência a uma melhora de sabor. Pode haver ganhos em produtividade e, ainda, menor incidência de fungos e outros tipos de pragas. Tanto é que as técnicas de microaspersão estão baseadas em tecnologias importadas de Israel, onde todos sabem que o acesso à água doce é oneroso e complicado.


Há, portanto, muitos caminhos que levam ao consumo racional. Além do uso de equipamentos e técnicas adequadas, Wellington Barcelo cita o trabalho não menos importante de cercamento e preservação das nascentes.


Este procedimento, inclusive, começou a ser desenvolvido em 2005. E, agora será intensificado e melhorado. A Saneago conseguiu junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte, apoio para a recuperação de nascentes que foram degradadas em função de obras realizadas ao longo da BR-153, entre o trevo da Base Aérea e o Distrito de Interlândia. Trabalho que já começou. É outro exemplo que demonstra a importância da união de esforços.


Wellington Barcelo ressalta que a natureza leva tempo para se recuperar das agressões que sofre, “mas, sabe agradecer quando é tratada de forma correta e com consciência. E, é isso que precisamos aprender e mudar, para que não tenhamos problema de falta de água no futuro”, ensina.


O uso racional da água é um conselho que vale para todos, ou seja, para quem está no campo ou nas cidades. Neste último caso, os moradores das regiões mais baixas devem procurar economizar água, desligando o registro quando já estiverem com os seus reservatórios cheios. Assim, mais água poderá ser jogada para as partes mais altas. E, se cada um fizer a sua parte, os transtornos serão menores para todos.

Autor(a): Claudius Brito

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