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Uso de simulador veicular para o exame de CNH causa polêmica

Trânsito Comentários 25 de janeiro de 2014

Em Anápolis, proprietários de Centros de Formação de Condutores reclamam de falta de informação por parte do Detran e do valor estimado da máquina de R$ 40 mil, além das manutenções mensais


A partir deste ano, para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria B, o candidato deve ter aulas com o simulador de direção veicular. A obrigatoriedade é do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Em Anápolis os proprietários de Centros de Formação de Condutores (CFC) estão preocupados com a nova norma. Eles alegam que estão no escuro, já que mesmo após várias reuniões com o Departamento de Trânsito (Detran) de Goiás não receberam nenhum direcionamento sobre aquisição dos novos aparelhos.
A nova norma determina que os alunos que estejam se preparando para o exame de condutores façam cinco aulas, de 30 minutos cada, ministradas após as aulas teóricas e antes da expedição da Licença para Aprendizagem de Direção Veicular. O objetivo, segundo diretor técnico do Detran, Horácio Mello, é garantir melhor formação ao condutor. Com o simulador, o candidato à CNH vai passar por situações de risco, como conduzir sob chuva e neblina, aquaplanagem, como se comportar com óleo na pista ou em uma via de trânsito rápido. “São situações que ele pode enfrentar no dia a dia, depois de habilitado, e que não teríamos como fazê-lo aprender as técnicas em um ambiente real”.
Horácio explica que a obrigatoriedade do simulador só vale para quem abriu processo este ano, e que ainda vão passar pelo exame médico e depois pelas aulas teóricas, havendo um período de pelo menos 40 dias para tudo estar resolvido. “Estamos tendo várias reuniões com os CFCs para que se dê forma harmoniosa e também qual tecnologia que o Detran tem que estar preparada. Já marcamos com o Denatran uma reunião para expor o cronograma de implantação em Goiás. Todos os passos dados para que este processo seja implantado sem transtorno para o condutor goiano”, afirma. Ele explica também que os Centros de Formação de Condutores (CFCs) devem adquirir o simulador, que pode ser usado de forma compartilhada com outras autoescolas, para ficar mais barato e atendendo a demanda de cada um. “Estes equipamentos poderão ser alugados ou em comodato, o que seria bom, porque evitaria investimento inicial dos CFCs. A gente acredita que esses equipamentos vão evoluir muito rápido”.
O CONTEXTO ouviu os proprietários de CFCs de Anápolis, Marlene Leite e José Ademir de Melo sobre o assunto. Ambos afirmaram que o uso do simulador de direção veicular está longe de virar uma realidade em Goiás, por dois motivos: o primeiro é que o Detran de Goiás ainda não repassou nenhuma informação sobre o uso do novo aparelho e, o segundo, seria o valor do equipamento, que custa em torno de R$ 40 mil, além de uma manutenção mensal de cerca de R$1,7 mil. Eles também garantem que os alunos não estão satisfeitos com a nova norma, pois terão que pagar mais caro no processo para adquirir a habilitação.
De acordo com Marlene, o DETRAN ainda não passou nenhuma informação ou está exigindo as aulas com o simulador. “Na verdade, está tudo praticamente parado desde dezembro, porque o DETRAN está trocando o sistema. As habilitações não chegam e não conseguimos abrir novos processos. Quando vamos buscar informações ninguém sabe esclarecer nada”, reclamou. José Ademir participou de uma reunião no órgão nesta semana e conta que ainda não há nada determinado. “Estamos tentando ver a possibilidade de prorrogar o prazo de aquisição dessa máquina porque é importada e muito cara, são poucos os estados que já fizeram adesão. Acho que, na verdade, esse simulador não vem agregar tanto para o aluno, pois educação em trânsito se faz desde criança, essa é só uma forma de dificultar a vida das pessoas. O valor de um processo para tirar a CNH vai aumentar e muito, no mínimo, 100 reais a mais para cada aula nesse simulador”, pontuou.

Negociações
Atualmente, quatro empresas são credenciadas ao Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). O presidente da Associação dos Centros de Formações de Condutores de Goiás (Ascefego), Jader Neves, explica que estão sendo realizadas várias reuniões buscando melhores negociações. Até agora, nenhuma CFC de Goiás comprou o simulador.
Ele informa que um simulador custa aproximadamente R$ 40 mil, além de uma mensalidade para manutenção. Para o condutor, o preço para tirar a CNH também deve aumentar. “De R$ 250 a R$ 300. Nossa preocupação é com a sociedade. Inclusive levamos essa preocupação para o Detran, que está sendo nosso parceiro”, afirma Jader.

Denatran
O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), juntamente com a Associação Nacional dos Detrans (AND) e a Federação Nacional de Autoescolas (Feneauto) iniciaram no último dia 21, visitas em todos os estados e no Distrito Federal para acompanhar e avaliar a implementação da Resolução do CONTRAN número 444/2013, que trata das normas e procedimentos para a formação de condutores de veículos automotores e elétricos e que prevê a utilização do simulador veicular. As visitas, segundo a assessoria do Denatran, têm como objetivo principal acompanhar a implantação da tecnologia, assim como difundi-la, bem como entender as dificuldades regionais para encontrar soluções conjuntas de modo que inexista qualquer prejuízo ao candidato no processo de formação de condutores para primeira habilitação neste período inicial dessa nova etapa no processo do ensino aprendizagem.

Autor(a): Da Redação

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