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Uma paixão que remonta décadas, mas está em risco

Esportes Comentários 28 de julho de 2014

Nos 107 anos que marcam a história de Anápolis, não poderia faltar um espaço reservado à celebração do esporte amador, principalmente, o futebol


Times como Anápolis e Anapolina já fizeram parte da Liga Anapolina de Futebol (hoje Liga Anapolina de Desportos), disputando campeonatos amadores. A modalidade, assim como o futebol varzeano, é uma tradição na Cidade desde o final dos anos 40. Trata-se de uma atividade que pode parecer passatempo, mas é levada muito à sério por quem está envolvido nela. O Presidente da Liga Anapolina de Desportos, José Maria Gonçalves Silva conta que a história do futebol não profissional é de muita luta e trabalho. Envolve pessoas que são apaixonadas pelo esporte. Desde 1949 a entidade promove campeonatos ininterruptos de futebol amador e de várzea.
Cada campeonato, segundo José Maria, tem sido uma luta para desenvolver. Houve épocas em que o campeonato amador anapolino foi um dos maiores do Brasil. Hoje, os abnegados tentam resgatar isso. O principal motivo seria a falta de dinheiro. Os times são dispendiosos e cada um deles precisa encontrar um meio para sobreviver. Não é fácil encontrar empresas dispostas a patrocinar e locais para treinamentos. “Vemos, aqui, pessoas trabalhadoras e humildes que colocam a mão no bolso para manterem seus times jogando. Elas precisam pagar aluguel do campinho para treinar, uniformes, entre outras muitas despesas que um time exige”, explicou.

Os apoios
A Secretaria Municipal de Esportes paga pela arbitragem dos campeonatos dos amadores e entrega premiações em dinheiro aos times vencedores. Ainda assim, as despesas vão muito além disso. É necessário que cada time se mobilize e encontre meios próprios para continuar. A Liga, também, abrange regiões vizinhas de Anápolis. Times de outras cidades como Goianápolis, Silvânia, Alexânia, Ouro Verde Campo Limpo e Nerópolis participam (ou já participaram) das competições. As partidas, em Anápolis, acontecem principalmente no Estádio “Zeca Puglise” .Nos demais municípios, os clubes disputam nos campos locais.
Qualquer cidade pode inscrever um time. As equipes de futebol amador são registradas junto à Federação Goiana de Futebol e à Confederação Brasileira de Futebol. A partir daí, podem se profissionalizar a qualquer momento para disputarem campeonatos estaduais e nacionais, assim como aconteceu como a Anapolina e o Anápolis, que iniciaram dentro da Liga Anapolina de Desportos.
A instituição,também, já promoveu outros campeonatos, como o de basquete. Em breve, segundo o presidente, será desenvolvido um campeonato de futebol de salão. José Maria sonha, ainda, com um campeonato de futebol feminino, mas as dificuldades são bem maiores. “Não temos um local centralizado para que as mulheres possam treinar. Cada campeonato gera suas despesas e, nem sempre, existem pessoas interessadas em promovê-los”, acrescentou.
Os jogos, independentes da categoria, são muito importantes para a comunidade. As equipes são apaixonadas pelo esporte e, por isso, não medem esforços para manterem as partidas acontecendo. “É um hobbie saudável que une as pessoas das comunidades, passados de geração a geração e que mantém muitos jovens longe das drogas e outras atividades ilícitas. O futebol faz parte da vida de muitas pessoas da Cidade e se esses campeonatos acabassem, seriam muitos os prejuízos sociais”, diz José Maria. Além disso, ele acredita que mais apoio, tanto do poder público como de empresas privadas, significaria que mais jogadores de destaque da região seriam revelados para o esporte profissional.

Anatex
O time mais antigo registrado na Liga Anapolina de Desportos é o Anatex Esporte Clube, da Vila Jaiara. Foi fundado em 1948 e carrega uma parte histórica, quando o bairro ainda era, apenas, o setor têxtil da Cidade. Aliás, os primeiros atletas eram trabalhadores de fábricas da região que se juntaram e formaram o time que na época que chamava “Fiação”.
À medida que a Jaiara foi crescendo e se desenvolvendo, o Anatex, também, ganhou outros nomes e virou uma tradição entre as famílias dos fundadores e moradores da região. O Anatex participou de todos os campeonatos promovidos pela Liga. Este time já disputou diversos jogos contra Anápolis e Anapolina, e tem um grande acervo de troféus que confirmam sua história.
Segundo o presidente do Conselho Deliberativo do Anatex Esporte Clube, Maurício Campos, hoje, o time conta com 50 atletas, entre jogadores de futebol amador e futebol society, e mais de 40 pessoas que fazem parte da diretoria.
O Anatex Esporte Clube possui seu próprio campinho, onde funciona o Centro de Treinamento (CT) e acontece boa parte das partidas que disputa. Mas,seus filiados ainda sonham em melhorar sua estrutura física. “Nosso maior projeto hoje é construir uma estrutura com salas administrativas e vestiário para dar mais conforto e condições para quem se utiliza do nosso CT”, contou Maurício. No entanto, isso poderá levar algum tempo. O time vive de arrecadações dos membros o que, praticamente, só da para manter as despesas do gramado do campo.
Outros times de destaque que participam dos campeonatos são: Araguaia; Anhanguera; Avaí;Maracanã; Bairro de Lourdes; Pedro Ludovico e Flamengo.

Os quarentões
Um dos campeonatos varzeano, disputados pelos famosos “quarentões”, mais agitados da Cidade é o que acontece no Campinho do Barro Preto - na Vila Santa Maria de Nazaré. A série de partidas, que acontece duas vezes ao ano, é disputada por oito times: Padaria; Grêmio; Ajax; Mecânica; Santa Maria; Nazaré, Marmoraria e Canastra.
No último campeonato que se encerra neste domingo, 13, participaram seis times. A final será decidida entre Mecânica e Nazaré. Os jogos acontecem, sempre, nos finais de semana, um aos sábados e dois aos domingos.
Apesar de já haver deixado a competição neste campeonato, o Padaria é um dos times de grande destaque do Barro Preto. Já disputou 67 campeonatos. As últimas grandes conquistas do time foramos dois campeonatos que aconteceram no ano passado, quando ficou em primeiro lugar.
Segundo um dos dirigentes do time, Roberto Carlos Pereira, o Barro Preto é um espetáculo e diversão para muitas famílias. No entanto, ele teme que a tradição de mais de 30 anos possa estar chegando ao fim. “Os times não têm apoio. Precisamos nos reunir para pagar a arbitragem, comprar uniformes e tudo mais”, falou.
Ele explica que cada jogo custa, em média, 400 reais. Esse dinheiro é arrecadado entre os atletas e direção dos times. “Conseguimos patrocínios para a confecção das camisas, mas existem muitas outras despesas durante os campeonatos”, concluiu.

Autor(a): Wanessa Mereb

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