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Uma introdução à história de Anápolis

Cidade Comentários 29 de julho de 2016

Município vivenciou períodos importantes em relação ao seu desenvolvimento econômico e social e na questão política


Tendo como base o aspecto econômico, podemos dividir a História de Anápolis em quatro momentos. O primeiro, das origens, em 1870, até a primeira década do século XX, que corresponde à formação inicial do arraial até a elevação da Vila à categoria de Cidade. Nesse período predominou uma economia rural e local, pois a cidade não oferecia uma diversidade econômica para a sua população, tendo como destaque a criação de gado.
O segundo momento está delimitado entre a década de dez e a década de trinta, com o incremento populacional e a evolução para uma economia de agricultura comercial já na década de vinte e, principalmente, na década de trina, devido à perspectiva da chegada dos trilhos e do progresso que isso representaria. Era consenso na época de que a ponta da linha férrea traria muitos benefícios para a economia local.
O terceiro momento entre as décadas de 30 e 60, foi quando Anápolis se transformou no maior polo atacadista do Centro-Oeste. Alguns fatos foram decisivos para que isso acontecesse e contribuísse para a acumulação de capital na cidade. De início destaca-se a chegada da ferrovia em 1935, que fez de Anápolis o maior centro comercial do Goiás entre as décadas de trinta e cinquenta, isso porque a cidade foi ponta de linha dos trilhos e toda a circulação de produtos da região passava pela estação ferroviária anapolina. A riqueza acumulada foi tanta que a cidade chegou a ter dois bancos: o primeiro estava ligado ao grupo Pina e outro, ao seu opositor político, o grupo de Jonas Duarte, o que mostrava, em alguma medida, a opulência da economia de Anápolis. O segundo fator foi a política de interiorização de Getúlio Vargas nas décadas de trinta e quarenta, concretizada na construção de Goiânia e na criação da Colônia Agrícola Nacional de Goiás em 1941. Esses dois fatores trouxeram investimentos, imigrantes e a abertura de novas estradas, beneficiando a agricultura de mercado e o comércio atacadista de Anápolis. Um terceiro fator que favoreceu o desenvolvimento econômico do município pode ser apontado com a construção de Brasília nos anos cinquenta. Sabe-se que houve muita contratação de mão-de-obra na cidade, bem como a compra de materiais para a construção da futura capital do país, beneficiando, de alguma maneira, o comércio anapolino. Todo esse desenvolvimentismo fez com que o município recebesse muitos imigrantes, diversos investimentos e toda a sorte de construções urbanas, sejam as residenciais, ou as comerciais, que dinamizaram ainda mais a economia local.
O último momento está delimitado entre a década de sessenta e os dias atuais, tendo como referência a criação da Associação Industrial de Anápolis (AIA), em 1958, a realização da 1ª FAIANA em 1969, a construção da Base Aérea (1973) e a inauguração do DAIA (1976). A instalação do DAIA trouxe novos investimento e muitos postos de trabalho, aumentando a massa salarial na cidade, movimentando o comércio. Em alguma medida, pelos mesmos motivos, os militares movimentaram o comercio local. Nessa fase, a economia de Anápolis terá como foco a agroindústria, e outros ramos do setor secundário, revitalizando as finanças do município, embora o comércio continuasse sendo a atividade econômica mais importante da cidade. Nos anos noventa e no início do século XXI, o DAIA teve uma nova fase de crescimento, tendo como símbolo pela indústria farmacêutica.
Nesses quatro momentos, temos os seguintes destaques a fazer: o quadro populacional e a alternância política. Sobre o aumento populacional, na década de 1930, tivemos um grande deslocamento de pessoas para Anápolis, tanto do Brasil, quanto do exterior. Em geral, nesse período, Anápolis era a cidade do Estado de Goiás que mais recebia imigrantes, 22,76% do total chegavam à região, enquanto que a capital, Goiânia, recebia apenas 16,50%, isso em 1940. Dentre os grupos estrangeiros que mais chegaram à cidade podemos destacar os japoneses e italianos, que se envolveram em atividades agrárias, e os sírios e libaneses, que optaram pelo comércio no município. A imigração foi um dos fatores de desenvolvimento econômico da região e a variedade de produtos comercializados. Esse desenvolvimento fez com que a cidade se transformasse no maior centro comercial do Centro-Oeste nos anos seguintes. Até o final do século XX, Anápolis será o segundo município goiano em população, perdendo essa condição para Aparecida de Goiânia no censo do IBGE de 1996.

História política
Outro aspecto a considerar é sobre a História Política de Anápolis que se confunde com a religiosidade do seu povo. Em 1870 tem origem o arraial com a construção da capela em homenagem a Santana. O terreno fora doação de fazendeiros da região, em documento que é o marco da origem de Anápolis. A partir daí, a localidade foi, aos poucos, ganhando a sua autonomia. Em 25 de julho de 1872, foi criada a Freguesia de Santana das Antas, uma delimitação religiosa pertencente ao município de Meia Ponte; em 1884 a freguesia passou a se chamar Santana dos Campos Ricos, já uma referência à fertilidade das terras da região, que farão de Anápolis, nas décadas de 1930 e 1940, o maior centro cafeeiro do Centro-Oeste.
O Salto político qualitativo foi a elevação à condição de Vila em 15 de dezembro de 1887, pela Lei nº. 811, mas só instalada em 10 de março de 1892. No período da freguesia até a elevação à condição de vila, os limites territoriais foram alterados até definição por época da elevação da Vila à condição de cidade, em 31 de julho de 1907, pela Lei nº. 320. Desde 1893 que a população da Vila elegia o seu representante, mesmo com todos os vícios do coronelismo típicos da República Velha (1889-1930). Apenas o primeiro administrador foi nomeado, o Sr. José da Silva (Zeca) Batista, que administrou entre 1892 e 1893. Daí, até 1930, foram 11 administradores, passando a fase da Vila, para a Cidade, e, aos poucos a município foi se desenvolvendo.
A década de 1930 será um marco para a história de Anápolis, pois a inauguração da ferrovia, em 1935, permitiu à cidade um grande desenvolvimento econômico, fazendo do município, o maior polo econômico da região. No campo político, tivemos a Revolução de 1930 e por conta desse fato, Anápolis, entre 1930 e 1947, elegeu apenas um prefeito pelo voto direto, o Sr. José Fernandes Valente (1934-1940), embora também viesse a ser nomeado por Vargas com o golpe do Estado Novo. Outros 11 prefeitos foram nomeados para administrar Anápolis entre 1930 e 1947, o que nos levar a concluir a pouca participação da população no processo político da cidade. Alguns chegavam a ficar alguns meses, comprometendo todo planejamento que pudesse ter a prefeitura. Entre os anos de 1947 e 1973, a cidade recuperou a sua autonomia política e o povo voltou a eleger os seus representantes pelo voto direto e secreto. Nessa fase, os anapolinos elegeram nove prefeitos, inclusive após o golpe militar de 1964.
Na verdade, só em 1973 é que a cidade deixaria de eleger o seu chefe do executivo, quando a cidade foi decretada área de segurança nacional com a construção da Base Aérea. Naquele ano, o prefeito eleito, José Batista Júnior, teve o seu mandato cassado com base no AI-5 e a cidade voltava a ter interventores. Essa fase política de Anápolis foi marcada pelo autoritarismo, como de resto acontecia no Brasil. Mais nove prefeitos foram indicados para administrar a cidade entre 1973 e 1985, quando foi restabelecida, novamente, a eleição direta e secreta para o executivo. Nesse último momento político, entre 1986 e 2013, a cidade já elegeu sete prefeitos, sendo que em duas eleições, Adhemar Santillo e Antônio Roberto foram vitoriosos e tivemos um prefeito cassado no ano de 2003, o empresário Ernani de Paula.

Autor(a): Juscelino Polonial

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