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Um porto seguro para cachorros sem dono

Cidade Comentários 16 de novembro de 2012

Os problemas enfrentados pela comunidade que convive com centenas de cães vadios só não são maiores em Anápolis por conta de uma instituição que cuida de muitos deles


Não é difícil encontrar cachorros, em especial vira-latas (sem raça definida), vagando pelas ruas de qualquer cidade. Quanto mais a população cresce, maior é, também, o número desses animais abandonados. Os motivos que fazem com que eles não tenham um ‘lar’ são diversos, desde haverem fugido e não saberem voltar para casa, a serem dispensados por seus próprios donos nas ruas, em razão de haverem adquirido alguma doença ou, até mesmo, pelo mau comportamento, consequência do mau adestramento aplicado por que os cria. Paralelamente a essa realidade, foi criada a Aspaan, Associação Protetora e Amiga dos Animais, cujo objetivo é, justamente, recolher esses animais das ruas e tratá-los, oferecendo a estes um abrigo temporário enquanto aguardam adoção. A ideia começou quando Thaís Gomes de Souza era adolescente. "Desde pequena eu via os animais nas ruas e pensava: 'Meu Deus! Um dia eu ainda vou fazer algo por eles', e há doze anos venho desenvolvendo esse trabalho", diz. A advogada, hoje com 29 anos, conta que quando via um animal vagando pelas ruas, encaminhava-os para o veterinário. "Ali eu gastava todo o salário do mês", lembra. A partir disso outras pessoas foram se solidarizando com trabalho que Thaís vinha desenvolvendo e, atualmente, a associação é gerenciada por um grupo de cinco mulheres, funcionando em uma chácara particular cedida por um membro da Associação. A chácara tem capacidade para abrigar 150 animais. Entretanto o número deles, hoje, é de aproximadamente, 350. A idealizadora do projeto conta que as doações recebidas pela instituição não suprem 20% do que é necessário para mantê-la. "Estamos além da capacidade física e financeira. Cerca de três toneladas de ração são consumidas mensalmente pelos animais que abrigamos, além de todo o tratamento que garantimos a eles.", explica.
Ao ser recolhido pela Aspaan o animal passa por uma consulta prévia, com exame de sangue e, se necessário, é realizada uma operação, passando por todo o tratamento que precise. Além de todo o cuidado recebido, os animais são castrados, justamente para o controle populacional destes. "Apesar de não ser especializada na área, virei praticamente uma técnica, por que a prática do trabalho proporciona a todos os que trabalham aqui, experiência quanto a tudo o que os animais precisam, seja medicamentos ou procedimentos", relata.
Apesar do trabalho realizado pela Associação, algumas pessoas não reconhecem a sua importância. "Muitos pensam que a Aspaan é responsável por todos os animais que estão nas ruas da cidade. Frequentemente ligam dizendo desaforos, quando não vêm à porta da nossa sede e despejam filhotes de seus animais que escapam e cruzam com outros cachorros na rua, pensando que seja obrigação da entidade assumir essa irresponsabilidade. Boa parte da população não entende a proposta do trabalho, sendo que a Aspaan é uma associação privada sem fins lucrativos", ressalta Thaís.
Quinze voluntários participam da Aspaan dedicando seu tempo livre a uma causa que exige amor, como é o caso da cirurgiã dentista Sabrina Siqueira, 46, que é voluntária na instituição há seis meses. "Todas as sextas e sábados venho para cá ajudar na limpeza do local e dar banho nos cachorros", conta. A voluntária se sente satisfeita pelo trabalho que realiza junto à Aspaan. "O ser humano tem a previdência social, os hospitais públicos para quando se machucam. Já, os animais, se não formos nós para fazer alguma coisa por eles, não têm nada", explica. E, complementa: "Muitas vezes fazemos coisas em prol do ser humano e não recebemos nem um 'muito obrigado' como reconhecimento e, para o cachorro, fazemos pouco e recebemos muito. Temos muito a aprender com eles".
A associação, também, utiliza das redes sociais, como o Facebook, para desenvolver seus trabalhos tanto de adoção dos animais, quanto de divulgação de animais desaparecidos procurados por seus donos. Mais de cinco mil pessoas tem acesso às páginas da Aspaan na internet. E foi através do Facebook que a estudante de engenharia de produção, Ariadne Mesquita, 20, conheceu e se apaixonou pelo trabalho desenvolvido pela associação. "O trabalho desenvolvido ali é sensacional. Admiro, muito, a perseverança das meninas que mantêm a ONG, justamente por passarem por cima de tudo o que, certamente, elas têm que passar, inclusive abdicar do tempo delas pela causa", conta. O amor que a estudante sente pelos animais é antigo. Quando criança ganhou uma cadela da raça poodle com quem conviveu por doze anos. "Quando a Layca, minha cachorra, morreu, o primeiro impacto que tive foi de não ter mais cachorros porque como eu gostava muito dela, não me sentia no direito de colocar outro cachorro em seu lugar. Era como se tudo fosse dela, inclusive o meu amor", esclarece. Entretanto, depois de conhecer o trabalho da Aspaan, Ariadne adquiriu uma nova visão sobre o fato. "Se você quer um cachorro pelo que ele pode proporcionar a sua vida, e se você quer simplesmente amá-lo, qualquer cachorro, independente da raça ou idade, supre isso", explica. Então, ela resolveu adotar um animalzinho. "Só que um amigo meu soube que eu queria adotar e ele mesmo foi lá e adotou uma cadelinha para me presentear. Acabei de dar a ela o nome de Bombinha", conta feliz.
O procedimento para a adoção de um cachorro é simples. Basta escolher o animal pelo Facebook da instituição ou comparecer à sede da mesma entre 8h e 13h30, aos sábados, portando identidade e comprovante de endereço. Se o animal adotado for filhote, é cobrada uma taxa de vinte reais, pois ele já recebeu, ao menos, uma dose de vacina importada. Se for adulto, a taxa é de trinta reais, pois o animal está vacinado e castrado. A taxa é, apenas, uma forma de contribuição para a manutenção da Aspaan.
Para ser um voluntário da instituição basta entrar em contato, também, pelo Facebook ou enviar um e-mail para aspaananapolis@hotmail.com se prontificando.
Para qualquer dúvida, as administradoras da Aspaan dispõem seus números de telefone pessoais. Thaís 8112-1227 / Sílvia 9162-3237 / Tânia 9115 -9697 / Fátima 9901-0240
O endereço da ONG só é divulgado aos que se identificam por algum dos contatos acima a fim de evitar o despejo de animais na entrada do local.

Autor(a): Carol Evangelista

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