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Um pedaço do oriente em Anápolis

Cultura Comentários 30 de julho de 2010

Os primeiros imigrantes chegaram ao município no início do século XIX. De lá para cá muita coisa mudou, mas esses povos continuam marcando a vida social, cultural e econômica da cidade.


Encontrar marcas da cultura árabe em Anápolis não é tarefa difícil. Pode-se notar a influência desse povo, representado em sua maioria por libaneses, sírios e palestinos, na alimentação, no comércio, e por que não dizer, na cultura anapolina? Fatores econômicos, sociais, políticos e religiosos trouxeram os árabes para o Brasil em meados do século XVIII. Em Anápolis a migração começou por volta do início do século XIX e se estende até hoje.
De acordo com Bedran Afif Homsi, que veio do Líbano em 1975, “nós procurávamos uma terra em que a liberdade de expressão e a democracia estivessem bem estabelecidas. O município de Anápolis foi muito acolhedor para a colônia árabe”. Bedran é padre da Igreja Ortodoxa do Brasil.
Entres os setores onde os árabes exercem maior influência na cidade está o comércio. A Rua General Joaquim Inácio, no centro, é considerada o local de maior concentração dos empreendimentos. São encontrados pequenos comércios, como as barraquinhas, e lojas de grande porte. Além disso, empresas importantes do município são de propriedade de sírios e libaneses, como o Armazém Goiás e Grupo Naoum, respectivamente.
A culinária árabe é bastante difundida na cidade e pode ser considerada parte integrante das mesas dos anapolinos. Os pratos, sempre bem temperados, agradam ao paladar, justamente pelo sabor forte. Entre os principais quitutes, pode-se citar: quibe, esfiha, charuto de folha de uva e pasta de grão de bico. É comum encontrar estabelecimentos que vendem esses produtos em Anápolis.
Uma das principais características dos árabes é a sua capacidade de adaptação nos países em que se estabelecem. No município de Anápolis, a colônia tem se integrado com os diferentes setores sociais ao longod e décadas. Segundo Bedran, “os árabes, quando se unem com outros povos, acabam se destacando”.
Diferenças
As diferenças entre as duas culturas vão desde o sistema político até o tipo de educação que é dada aos filhos. Para Huda Naoum Homsi, esposa de Bedran, “os árabes têm um lado mais voltado à família, criamos os filhos para deixar um legado cultural”.
Huda, que é professora de árabe em uma escola de línguas da cidade, acredita que a vinda para o Brasil mostrou uma sociedade com aspectos diferentes da terra natal. “Nós árabes encontramos uma terra cheia de liberdade. Era um lugar possível de criar nossos filhos”, completa.
O casal libanês se conheceu em Anápolis. Huda e Bedran, que têm quatro filhos e três netos, sentem saudades da terra natal, mas não pensam em retornar ao Líbano. Para Huda, após a guerra civil libanesa, em 1975, o país nunca mais foi o mesmo. “O Líbano de hoje não é mais tão genuíno quanto o país que conhecemos anos atrás”. A guerra civil libanesa envolveu cristãos e muçulmanos. O conflito durou aproximadamente 30 anos e deixou mais de cem mil mortos.
Esperança
Huda Naoum e Bedran Afif dizem ter encontrado no Brasil uma terra propícia para a constituição de uma família, assim como para a manutenção da cultura árabe. O casal afirmou que, durante o processo de criação dos seus quatro filhos, buscou extrair o melhor das duas realidades. Dessa maneira, eles consideram uma vantagem a mistura das formas de ver o mundo. Segundo Bedran, “os nossos filhos aproveitaram as coisas boas de cada cultura e souberam conciliar o amor pela terra dos pais com o valor que dão ao Brasil”.
Entretanto, é comum que os filhos de árabes do município sigam caminhos diferentes daquele escolhido por seus pais. Isso acontece principalmente do ponto de vista profissional. Com as oportunidades oferecidas pelo mercado de hoje, cada vez menos os descendentes dos povos vindos do Oriente Médio buscam o comércio, por exemplo.
Para Bedran, que já foi comerciante, “Muitos árabes vieram para o Brasil sem um curso superior, não tinham muitas opções. Então escolheram o comércio na cidade por uma questão de necessidade”. Essa escolha, segundo o pároco, foi feita com o objetivo de um dia poder dar melhores condições para os filhos, “colocando-os em uma instituição de ensino superior e dando condições para que eles construam suas carreiras sozinhos”.
Governo
Uma das características do sistema político libanês é que as principais religiões do país devem ter igual representatividade. Nesse sentido, o presidente da República é cristão-maronita; o presidente do parlamento representa os interesses dos muçulmanos xiitas e o primeiro-ministro é escolhido entre os muçulmanos sunitas. No parlamento, ou câmara dos deputados, metade dos membros é cristã e a outra parte é composta de muçulmanos.
Curiosidade
Na chegada ao município de Anápolis, a maioria dos árabes tinha dificuldades ou não sabia se expressar em português. Para se registrar nos cartórios, iam acompanhados de conhecidos ou familiares que já estavam na cidade há mais tempo. O processo era demorado, pois os tabeliães tinham dificuldades em compreender a pronúncia correta das palavras árabes.
Antes da década de 50, era comum a tradução dos nomes das famílias estrangeiras residentes no país. Entretanto, nova lei proposta pelo Governo Federal acabou com a medida. Dessa maneira, é comum encontrar famílias cujos membros carregam ora o sobrenome original, ora a versão traduzida.

Sobrenomes e traduções
Hajjar: Pedreiro
Harb: Guerra
Habach: Alves
Bittar: Ferreira
Hanna: João
Dib: Lobo

Autor(a): Felipe Homsi

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