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Um farol para a educação e a cidadania

Especial Comentários 27 de novembro de 2010

Programa de alfabetização que começou a ser desenvolvido na Austrália, no começo da década de 80, hoje é desenvolvido em Anápolis, resgatando a dignidade de centenas de pessoas atendidas


Uma casa pequena do conjunto Frigoiás, na Vila Fabril, região Oeste de Anápolis, é o local onde um grupo de 19 pessoas que já passaram de meio século de vida estão encontrando a oportunidade que, por diversas razões, a própria sorte da vida lhes tirou. Gessy Maria de Jesus, 59 anos; Joaquim Pereira Vasconcelos, 57 anos e Maria Helena, 52 anos, são alguns dos alunos de uma das turmas comandada pela professora Márcia Carneiro da Fonseca, através de um projeto voluntário encabeçado pelo Rotary Anápolis Oeste, chamado Lighthouse (na tradução para o português: farol).
Maria Helena é a dona da casa e cedeu o espaço para abrigar a sala de aula. O quadro-negro é sustentado por dois banquetes de madeira. Pelo local estão espalhadas diversas figuras, nomes e muitas palavras. No fundo há um pequeno cantinho de leitura com poucas publicações de história, a maioria, para crianças. E é isso que essas pessoas estão encontrando, a fonte da juventude através da educação e, principalmente, da solidariedade.
A aula está marcada para as 16 horas, a professora Márcia está um, pouco atrasada, mas logo um dos alunos justifica: “Ela foi buscar o seu Francisco”. Ele é cadeirante e tem dificuldades para chegar ao local, mesmo tendo uma cadeira motorizada, por que no acesso à Rua 25 há uma parte sem cobertura asfáltica. Mesmo assim, ele não perde a disposição de assistir às aulas, com o apoio da professora e da turma que vai, de pronto, recebê-lo na porta com afeto e palavras de boas vindas.
Com a presença da reportagem, a turma está um pouco alvoroçada e logo que as atividades começam, eles mostram a tarefa marcada para o dia: o desenho de uma bandeira (em comemoração ao Dia da Bandeira Brasileira, celebrado em 19 de novembro) e lêem o que escreveram sobre o assunto. Tudo simples, mas com um tempero especial: a garra de quem está experimentando o gosto da cidadania. Ou seja: poder ler e escrever, saber identificar as placas nas ruas, o nome de remédios coisas, enfim, do dia-a-dia que parecem pequenas, mas que estão fazendo grande diferença na vida de cada um.

As letras não vão embaralhar
O presidente do Rotary Clube Oeste, Moacir Lázaro de Melo, lembrou que logo no início do programa, constatou-se que os alunos de maior idade e mesmo os mais jovens - o programa aceita pessoas com idade a partir de 16 anos - estavam com dificuldade de aprendizagem. E, logo, os educadores perceberam uma realidade até comum nas escolas de ensino regular. Ou seja, dificuldades com a visão.
Para isso, ressaltou Moacir, foram buscadas parcerias com outras unidades rotarianas da Cidade e os alunos foram encaixados em outro projeto de voluntariado onde as pessoas com problemas de visão passam por exames e depois recebem os óculos. Vários alunos do projeto LightHouse já receberam o instrumento que está ajudando os mesmos a enxergarem o quanto é interessante o universo do saber. Nossos personagens do início da reportagem: Gessy, Joaquim e Maria Helena, inclusive, afirmaram que a alfabetização é um degrau, mas querem ir mais longe, aprenderem um pouco mais.
Hoje, em Anápolis, segundo informou a professora Márcia Carneiro, estão funcionando e em fase de implantação, 22 turmas, cada qual com média de 15 alunos. O que dá um contingente de em torno de 330 pessoas. No centro da Cidade há uma turma formada apenas por viúvas evangélicas, através de uma associação que, há anos, realiza um trabalho também voluntário, de elevado alcance social. São coisas que muita gente pode não imaginar em meio a um mundo cercado pelo corre-corre urbano, pela violência e o isolamento de uma parte da nossa realidade, mas que, ao contrário, deveriam estar expostas ao invés de escondidas.
De acordo com Moacir Lázaro, o LightHouse foi integrado ao projeto de Alfabetização Solidária, desenvolvido em parceria entre o Município e o Governo Federal para permitir que os alunos avancem no aprendizado. Mas, na base, tudo é mantido pelo voluntariado. E essa é uma lição que todos os alunos, benfeitores, professores e parceiros jamais irão esquecer.

O que é o LightHouse?
O LightHouse de Alfabetização surgiu na década de 80, lançado pelo Rotary Internacional na Austrália e amplamente desenvolvido na Tailândia. No Brasil, o projeto piloto começou a ser introduzido através do Rotary Clube de Contagem-MG, pouco mais de uma década depois de sua criação.
A metodologia utilizada está baseada na sigla CLE (Concentrated Language Encounter - Encontro Concentrado de Linguagem). Ou seja, as pessoas vão aprendendo a conhecer e a fazer o uso da linguagem por meio de palavras que fazem parte do seu cotidiano. “Nesse método, não temos o famoso bê-á-bá”, explica a professora Márcia Carneiro. O curso tem duração de oito meses e em cada grupo não pode haver menos de 15 alunos.
O processo de ensino-aprendizagem tem basicamente três vertentes: para iniciantes (analfabetos absolutos): compreensão da leitura e da escrita básica alfabética, e desenvolver o gosto pela leitura; para séries intermediárias (analfabetos funcionais) - incentivar o gosto pela leitura e escrita dos diversos gêneros textuais e desenvolver a competência parta usá-los socialmente; para ultimas séries do ensino básico: formar o leitor e escritor capaz de continuar sua aprendizagem ao longo da vida.
Em Anápolis, na unidade da Vila Fabril, a professora Márcia, que é enfermeira, trabalhou com os alunos um livreto sobre a tuberculose com as informações e textos passados pelos próprios alunos, após algumas exposições sobre o tema.
Quem patrocina?
Os professores que participam do treinamento podem ser patrocinados pelos Rotary Clubes padrinhos, pelas prefeituras e ou outras entidades de ensino desde que aceitem os termos do convênio do projeto.

Autor(a): Claudius Brito

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