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Um ano depois da crise de abastecimento, realidade começa a mudar na região do Piancó

Geral Comentários 16 de dezembro de 2016

Recuperação e manutenção de nascentes deve ser o caminho para manter a “saúde” do manancial que abastece 80% de Anápolis e irriga dezenas de lavouras


Manancial que responde pelo abastecimento de cerca de 80% da população de Anápolis, o Ribeirão Piancó, ao longo dos anos, sofreu agressões com a degradação de suas matas ciliares, das nascentes ao seu redor e, até, a retirada indiscriminada de água por meio de bombas potentes para irrigar plantações de hortifrutigranjeiros. No ano passado, o Município atravessou uma das piores crises de abastecimento de água de sua história, sendo necessário que a empresa concessionária do serviço, a SANEAGO, tivesse que adotar uma escala de rodízio no consumo, a fim de evitar um possível colapso.
Há um ditado popular que reza: “depois da tempestade vem a bonança”. E, no caso do Ribeirão Piancó, o tempo de bonança está começando com a quebra do “cabo de guerra” que até então existia, antagonizando os produtores rurais da região, os órgãos ambientais e a própria SANEAGO. Hoje, são todos marinheiros no mesmo barco do projeto de revitalização do bom e velho Piancó, que fornece água para o consumo das famílias e que irriga a terra de onde são tirados alimentos que vão à mesa dos anapolinos e de outros consumidores espalhados por diversas regiões do País.
Há três anos, foi iniciado o projeto de Recuperação do Ribeirão Piancó, uma parceria da SANEAGO com o Ministério Público, através do programa Ser Natureza; Base Aérea; Prefeitura; EMATER; CREA/GO; instituições de ensino superior (Faculdades Católica, FAMA e UEG), dentre outros colaboradores. O primeiro passo, segundo explicam os operadores de sistema da estatal, Wellington França Barcelos e Wilton Souza Batista, foi definir as áreas que deveriam ser prioritárias para a ação de revitalização das nascentes. Depois, conscientizar os produtores da Bacia do Piancó e integrá-los ao trabalho. Neste caso, inclusive, determinando uma quebra de paradigmas em relação ao que eles, com os exemplos vindos de seus pais e avós, faziam para manterem as lavouras, utilizando a água do Piancó.
“Hoje, temos muito que agradecer pela parceria dos produtores, que permitiram que adentrássemos em suas terras para fazer o cercamento das nascentes, visando a recuperação das mesmas”, destacou Wilton Batista, acrescentando que a parceria vai mais adiante, com a sensibilidade dos produtores em acionarem suas bombas em dias alternados ou até desligarem os equipamentos para garantir a vazão de água para a estação de tratamento e bombeamento. Além da troca de equipamento ou utilização de outras técnicas que permitem o uso da água numa escala bem menor.
Wellington Barcelos, que está na linha de frente do projeto, informou que no momento já foi executado o cercamento de 13 nascentes do Piancó localizadas dentro de oito propriedades rurais da região, totalizando 1.791 metros de cerca. Tudo feito dentro das normas técnicas legais. O madeiramento utilizado, por exemplo, é de eucalipto tratado. Os proprietários serão chamados para assinarem um termo onde se comprometerão a ajudar na fiscalização das áreas demarcadas, detectando estragos que possam permitir a entrada de animais ou a ocorrência de pragas na vegetação.
Ainda neste mês de dezembro, será iniciada outra etapa do projeto, que resultará no plantio de 110 mil mudas de árvores em toda a região. Conforme observou o técnico da SANEAGO, são 15 espécies nativas que se adaptam e contribuem com o solo de terrenos alagados e de nascentes.

Água brotando
Wellington Barcelos comemora o resultado inicial do projeto. Em vários pontos das áreas já cercadas, disse ele, a água já começa a brotar do solo e, em alguns casos, de forma abundante. Isto, somente com a preservação do local, evitando-se situações como o pisoteio do gado. Nos próximos dias, outras 13 áreas deverão passar pelo mesmo procedimento. A intenção - adiantou - é alcançar as 80 nascentes mapeadas na região do Piancó. No longo prazo, complementa Wilton Batista, o resultado esperado é que o Ribeirão seja autossustentável tanto para garantir as demandas dos produtores, quanto do consumo de água pela população urbana. O técnico observa que as intervenções já têm sinalizado alguns resultados. Este ano, o desabastecimento teve um interstício de 21 dias, ao contrário dos 90 dias no ano passado. O que tem sido possível com a colaboração dos produtores utilizando técnicas como a do gotejamento nas lavouras do tomate, que permite o uso de água para irrigação numa escala muito menor. Nas plantações de banana, muitos aderiram ao uso de miniaspersores, reduzindo de 2,2 mil litros de água por hora para 910 litros/hora o volume de água utilizado. Estes sistemas ainda têm a vantagem de reduzir a ocorrência de pragas. O uso racional, com o escalonamento e o desligamento de bombas, portanto, é uma amostra do resultado prático de uma parceria que vem dando certo e vai continuar.

Educação ambiental
Outra vertente não menos importante é o trabalho de educação ambiental, também parte integrante do projeto. Esta ação vem sendo desenvolvida não apenas com os produtores do Piancó, mas, também, junto a escolas e faculdades. A tônica principal é o uso racional da água. E o exemplo de recuperação da bacia do Piancó, é o melhor exemplo que pode ser dado de que a prevenção dos recursos naturais não depende, muitas das vezes, de recursos estratosféricos para se chegar a um bom resultado. Primeiro, é necessário ter o básico: consciência sobre a importância da água no dia a dia da comunidade e que todos podem fazer um pouco para que este produto, essencial à vida, não falte. Segundo, é preciso cuidar, cuidar muito bem.
Os técnicos da SANEAGO ressaltam que há bons motivos para se comemorar o sucesso do projeto e a intenção é transformá-lo em um modelo para que, quem sabe, possa ser desenvolvido em outros municípios. E, ainda segundo eles, no caso de Anápolis, a ação demonstra que é muito melhor ter um ambiente favorável para a criação de um grande reservatório subterrâneo, do que ter um reservatório a céu aberto, onde a água fica sujeita ao ataque de bactérias.
O fato é que o Ribeirão Piancó, se tudo continuar correndo bem, vai sair do foco negativo e transformar-se em algo de que todos anapolinos poderão se orgulhar para esta e para as futuras gerações.

Autor(a): Claudius Brito

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