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Tribunal de Contas libera leilão de 1.537 km da ferrovia Norte-Sul

Geral Comentários 20 de setembro de 2018

O trecho de Porto Nacional (TO) a Anapólis, com 855 km de extensão já foi autorizado pela ANTT para ser operado


O Tribunal de Contas da União (TCU) liberou, na última quarta-feira,19, a publicação do edital que trata da privatização da Ferrovia Norte-Sul. Com a liberação, o governo pode publicar o edital e marcar o leilão da ferrovia. O trecho que vai a leilão tem 1.537 quilômetros (km) de extensão e vai de Porto Nacional, no Tocantins, até Estrela d’Oeste, em São Paulo.
A concessão faz parte do Programa de Parcerias de Investimento (PPI) e compreende dois trechos. O primeiro compreendido entre Porto Nacional e Anapólis, com 855 km de extensão já foi autorizado pela ANTT para ser explorado comercialmente. O segundo trecho, com 682 km de extensão, vai de Ouro Verde de Goiás a Estrela d’Oeste (SP).
A fiscalização do TCU identificou inconsistência e irregularidades nos estudos de viabilidade técnica, econômico-financeira e ambiental da obra e propôs ajustes no edital. Em parecer, o Ministério Público junto ao TCU requereu a rejeição do primeiro estágio.
Ao votar pela liberação, o relator do processo, ministro Bruno Dantas recomendou que a União faça o levantamento dos bens reversíveis, que devem retornar para a União após o final do prazo de concessão que é de 30 anos. O edital previa que esse levantamento caberia ao subconcessionário.
“Eu cedo a ferrovia para o setor privado e em vez de eu catalogar os bens reversíveis e saber o que vai retornar para mim após o final da concessão, eu deixo isso com o setor privado. É evidente que há um conflito de interesses porque o setor privado vai querer retornar o mínimo possível”, afirmou Dantas.
Pela recomendação, o inventário dos bens reversíveis deve ocorrer entre a publicação do edital e assinatura do contrato. “Como o contrato só será assinado em janeiro, fevereiro dá tempo de fazer isso”, disse Dantas.

passagem
O TCU determinou ainda que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) adote providências para incluir no edital especificações sobre o direito de passagem em malhas adjacentes, administradas por outros entes privados e que se conectam aos portos de Itaqui, no Maranhão, e Santos, em São Paulo.
A ANTT apresentou uma regulação com regras para os primeiros cinco anos do contrato de concessão e que dizem respeito ao teto da tarifa e reserva de capacidade, fluxo de trens que vão transitar em determinado período. O parecer do MP pedia que o tribunal determinasse à ANTT o estabelecimento de regras para os 30 anos da concessão.
“Não é relação estado com privado, mas de privado com privado. O que a ANTT fez foi estabelecer regras para os primeiros cinco anos, deixando a possibilidade de arbitragem para os próximos anos”, disse Dantas. “Há uma preocupação séria sobre isso. Há problemas que podem acontecer já a partir do quinto ano”, disse Dantas. Já que não estabeleceram uma regra fixa, a recomendação é que a ANTT tem que pensar sobre isso, estabelecendo uma matriz de risco sobre os problemas que podem vir a acontecer”, acrescentou.
Com relação às obras inacabadas no ramo entre Ouro Verde de Goiás e Estrela d’Oeste (SP), e que estão a cargo da Valec, empresa pública que atualmente detém a subconcessão da Norte-Sul, o TCU disse que a empresa deve concluir as obras. O governo queria entregar a conclusão a quem ganhasse o edital
“Continua como já está. Aquilo que já está contratado pela Valec vai ser a Valec quem vai tocar, o que não está ficará com o novo concessionário”, disse Dantas.
Pelo modelo do leilão, ganhará a concessão da Norte-Sul a empresa que oferecer o maior lance. O governo já tinha reduzido o valor do lance mínimo, de R$ 1,6 bilhão para R$ 1 bilhão. Mas o preço terá de passar por novos ajustes. (Com informações da Agência Brasil)


Trecho de Anápolis a Palmas (TO) custou cerca de R$ 4,6 bi
Os 855 km do trecho entre Palmas/TO e Anápolis/GO foram concluídos e entregues em 22 de maio de 2014. O investimento executado no PAC foi de R$ 4,6 bilhões.
O trecho encontra-se em operação pela VALEC, que desde a inauguração, promoveu o transporte de 18 locomotivas (fev/2015), 26 mil toneladas de farelo de soja (dez/2015), 13 mil toneladas de madeira triturada (dez/2016 a mar/2017), 8 mil ton. de minério de manganês (out/2017), 62 barras de trilhos de 240 metros cada - aprox. 1000 ton. (dez/2017), transporte de 238 vagões (março/2018) e transporte de 2 locomotivas (junho/2018).
A Ferrovia Norte-Sul (FNS) é o eixo estruturador do Sistema Ferroviário Nacional ao possibilitar o acesso a vários portos e corredores de exportação.
Em Figueirópolis/TO a FNS se conectará à Ferrovia de Integração Oeste Leste – FIOL o que permitirá o acesso ao Porto Sul. Esse porto será construído nas proximidades de Ilhéus/BA.
Em Campinorte/GO se interligará à Ferrovia de Integração do Centro Oeste – FICO estabelecendo um canal com a maior região produtora de soja do país, no estado de Mato Grosso.

Autor(a): Ferreira Cunha

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