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Transporte de soja foi um feito inédito na história ferroviária do País

Geral Comentários 29 de janeiro de 2016

Ex-diretor de Operações da Valec descreveu sucesso da operação, num vídeo de despedida antes de deixar o cargo


A própria Valec não deu muito crédito ao resultado final da megaoperação realizada em dezembro do ano passado, para o transporte de cerca de 6,4 mil toneladas de farelo de soja, carregados na empresa Granol, localizada no Distrito Agro Industrial de Anápolis (DAIA) até o complexo portuário de Itaqui, no Maranhão, totalizando cerca de 2,2 mil quilômetros de viagem por ferrovias.
O diretor de Operações da Valec, Bento Lima, antes de deixar o cargo (o motivo não foi explicado), gravou um vídeo para falar sobre o seu trabalho, durante um período de três anos na Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. A companhia é responsável pelas construções de ferrovias no País, dentre elas, a Norte Sul, que tem o seu marco zero em Anápolis e levou cerca de 30 anos para sair do papel.
No vídeo, o ex-diretor da Valec narra que a operação do transporte de farelo de soja de Anápolis a Itaqui (MA) foi um feito inédito na história ferroviária do Brasil e, também, possivelmente, o mais longo trajeto, totalizando 2,2 mil quilômetros. Além do que, foi um feito inédito por operar no modelo de livre acesso (open access).
A carga de quase sete mil toneladas de farelo de soja começou a ser carregada no pátio da empresa Granol no dia 09 de dezembro e, no dia seguinte, as quatro composições, com cerca de 80 vagões, partiam para o seu destino, no Estado do Maranhão. Segundo relatou Bento Lima, de Anápolis até Porto Nacional (TO), o controle da operação foi feito por meio da Valec e da VLI (operador ferroviário ligado ao grupo Vale); de Porto Nacional a Açailândia (MA), o controle foi apenas da VLI. Depois de Açailândia, as composições pegaram um trecho da Estrada de Ferro Karajás e, para chegar até o Porto de Itaqui (MA), ainda percorreu-se um trecho pequeno - cerca de 07 quilômetros - pela Ferrovia Transnordestina.
“Foi uma obra da Valec. Nós planejamos, fizemos todo o projeto de transporte. Nós não atuamos apenas como empresa de estrutura, mas como se fosse uma concessionária. Foi a primeira vez que a Valec fez isso”, destacou Bento Lima, acrescentando que tudo aconteceu “com pleno sucesso, dentro dos horários”, afirmou o ex-diretor.
Especialista no assunto, Bento Lima, também fez um comentário sobre as críticas em relação ao tempo que a ferrovia demorou para sair do papel - cerca de 30 anos. Conforme explicou, todo projeto ferroviário depende de demanda econômica e, com a Norte Sul, em sua opinião, não foi diferente. “A Ferrovia chegou no momento certo”, porque há alguns anos não havia desenvolvimento na região cortada pelo seu traçado, caracterizada pela pecuária extensiva. “Não havia um pé de soja plantado”. Hoje – completou - a realidade já é bem diferente e há um mercado definido. “A ferrovia tem que caminhar junto com o desenvolvimento”, assinalou, afirmando que a Norte-Sul irá provocar um crescimento acelerado em parte dos estados de Goiás, Tocantins e parte de alguns estados nordestinos que estarão na sua área de influência.

Modelo
O ex-diretor da Valec disse, também, que a experiência desse carregamento de Anápolis até Itaqui demonstrou, também, a viabilidade de a ferrovia ser operada por vários concessionários. Convém ressaltar que o trecho de Anápolis a Palmas (TO), que foi inaugurado pela Presidente Dilma Rousseff, em maio de 2014, ainda não está oficialmente operacional, porque ainda não foi definido o modelo e por conta de entraves que envolvem denúncias de irregularidades apuradas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
O ex-diretor da Valec deixou a última parte do vídeo/entrevista, para endereçar mensagem aos “valequianos”, dizendo que nos três anos que esteve na empresa aprendeu a gostar da mesma e que vê como de suma importância o projeto de o Estado ter um Núcleo Ferroviário, não para controlar, mas para desenvolver ações de fortalecimento dessa área que, conforme apontou, é fundamentação para a redução do chamado “custo Brasil”.

Autor(a): Claudius Brito

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