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Trânsito: Desafio que veio na garupa do progresso

Trânsito Comentários 29 de julho de 2014

Município que iniciou com a movimentação de tropeiros, enfrenta hoje um dos problemas das grandes metrópoles: o elevado número de veículos em circulação


Em meados do século XVIII, de quando são conhecidos os primeiros registros da povoação na região de Anápolis, os veículos que haviam eram de propulsão animal. Nada de carros, caminhões, ou, motocicletas e, quanto menos, de engarrafamentos. Essa palavra, aliás, ganhou espaço no dicionário como sinônimo de congestionamentos, por nós conhecido como o enfileiramento de veículos que trafegam de forma lenta. Coisas da vida moderna.
Em 1907, quando conquistou a sua emancipação, os veículos ainda não fazia parte da paisagem urbana do recém-criado e pujante Município. Nos apontamentos históricos, conta que as primeiras pessoas a trafegarem em Anápolis com automóveis, foram: James Fanstone; Zequinha da Rocha; Genserico Gonzaga Jaime; José Lourenço Dias; Odorico Silva Leão; Albérico Borges de Carvalho e Adalberto Pereira da Silva. O asfalto chegou à cidade em 1940, quando Carlos de Pina era prefeito. Por iniciativa de Graciano Antônio da Silva, conhecido como Coronel Sanito, que assumiu, por quatro vezes, o Executivo Municipal entre 1921 e 1946, a Cidade teve a primeira agência de revenda de automóveis. A ele, também, é atribuída a implantação de outras modernidades como a energia elétrica, o telégrafo e o telefone.
Mas, nem de longe, devem ter passado pela cabeça dessas personalidades históricas, as transformações ocorridas em Anápolis. A multiplicação do crescimento, como é próprio dessa situação, traz, também, problemas. Hoje, um dos principais deles vivenciados pelos anapolinos no seu dia-a-dia é o trânsito, ou melhor, a mobilidade urbana.
Se nos anos 30 era possível contar os veículos em circulação nas ruas, atualmente, essa conta só pode ser feita através de levantamentos feitos por órgãos oficiais, como o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). E, os dados mais recentes reforçam o que estamos acostumados a ver nas ruas e avenidas: milhares de veículos disputando espaço, quase sempre, em ruas estreitas. Mesmo nas avenidas com maior “caixa”, como a Brasil e a Goiás, os engarrafamentos são uma constante.
Mas, vamos aos números: até maio deste ano, o Denatran contabilizou 232.265 veículos emplacados no Município, sendo deste total 115.681 automóveis; 10.283 caminhões; 24.269 caminhonetes e camionetas; 65.136 motocicletas, motonetas e ciclomotores, 1.991 ônibus e microônibus e o restante de outros tipos classificados: reboque e semirreboque, sidecar, trator
odas, triciclo e utilitário. A frota local corresponde a 7,13% da frota do Estado, que é de 3.259.359 veículos.
Anápolis só tem uma frota menor que a da Capital (Goiânia) que, em maio, chegou a 1.061.037. A terceira maior frota é de Aparecida de Goiânia, com 232.106 veículos emplacados. Depois vem Rio Verde (116.663); Itumbiara (75.663); Catalão (67.445); Formosa (63.840); Jataí (62.906), Luziânia (54.653) e Caldas Novas (50.850). Estes 10 municípios concentram 61,89% de toda a frota estadual.

Planejamento
Para enfrentar o problema, a Prefeitura de Anápolis vem, já de algum tempo, desenvolvendo o Plano Municipal de Mobilidade Urbana que, dentre outras coisas, já resultou em ações como a construção de dois viadutos urbanos: um no cruzamento entre as avenidas Presidente Kennedy, Universitária e Contorno e o outro, mais recente, na Brasil com a Fayad Hanna, sendo que ainda estão em estudo outros dois: um no cruzamento na Goiás com a Brasil (o mais complexo e ainda sem definição); e outro no cruzamento da Brasil com a Rua Amazílio Lino de Souza. Além disso, a Companhia Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT) vem desenvolvendo, paulatinamente, o projeto de implantação de corredores para o transporte de massas. Além da renovação do sistema de sinalização. Contudo, ainda há muitos desafios nesta área, porque a Cidade não foi planejada e, com isso, a infraestrutura urbana está com alguns anos de defasagem, sem contar que este é um caminho longo a ser trilhado, pois, cada vez mais, se vendem carros e motocicletas. E, neste cenário, as soluções dependem de esforços conjuntos da população e do poder público, cada um, no seu papel, fazendo o que pode pela paz no trânsito nosso de cada dia.

Autor(a): Da Redação

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