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Teatro Municipal: O Palco de uma conquista

Cidade Comentários 10 de agosto de 2012

Conheça a contribuição que o principal espaço para artes cênicas da cidade ofereceu para a cultura do povo anapolino


Em Goiás, o Cine Teatro "São Joaquim" é considerado o mais antigo teatro do Centro-Oeste. Ele foi inaugurado em 1857, no Beco da Lapa, na Cidade de Goiás (Goiás Velho). Em Anápolis, as primeiras peças encenadas foram em homenagem à padroeira do Município da Vila de Santana das Antas (Senhora de Sant’Anna), como aqui era conhecido no final do século XIX, data da criação do povoado. Naquela época, as apresentações aconteciam nas residências dos festeiros responsáveis pela organização do evento, pois ainda não existia um espaço adequado para as apresentações artísticas.
Na última metade da década de 20, o então Intendente Municipal, (uma espécie de prefeito), Adalberto Pereira da Silva, destinou um local para a construção de um edifício próprio para os artistas locais se apresentarem. Este ficava situado entre o Paço Municipal e a Rua Comercial, atualmente Manoel D'Abadia. Ali, futuramente, seria o teatro da Cidade.
Só que com a Revolução de 1930, Adalberto Pereira foi deposto e seus sucessores não tiveram o mesmo interesse que ele, em construírem um espaço apropriado para a classe artística. Mas, ainda assim, os artistas da região continuaram com suas apresentações nas residências e à medida que a Cidade ia crescendo, foram se apresentando, também, nos locais que foram surgindo, como praças, clubes e igrejas. Em 1935 com a chegada da Estrada de Ferro, quando Anápolis alcançou grande desenvolvimento econômico e social, diversos clubes e colégios com palcos foram surgindo. Esses locais foram de considerável importância para o teatro na Cidade, pois fizeram surgir vários grupos de teatro com o passar dos anos.

Evolução
Por volta dos anos 60, foi criada a Sociedade Artística Teatral de Anápolis, SATAN, um grupo que estava sempre encenando peças, e necessitava de um local adequado, tanto para seus ensaios, quanto para as apresentações. Então, encontraram um lugar propício, como conta a Professora Natalina Fernandes de Cunha, em sua Dissertação de Mestrado intitulada ‘A História do Teatro em Anápolis’. "Em uma conversa com o “Professor Brasil” (Antônio de Oliveira Brasil), ele me disse possuir no terreno de sua residência, na Rua Benjamin Constant, onde funcionara uma oficina mecânica e se dispôs a fazer dali um espaço teatral", conta. O benfeitor do projeto, “Professor Brasil” reformou o galpão com seu próprio dinheiro que recebeu o nome de “Teatro de Bolso Oliveira Brasil - TBOB”, em homenagem ao referido professor. Na festa de inauguração estiveram presentes ilustres personalidades de Anápolis, entre elas o prefeito da época, Jonas Duarte.
Durante toda aquela década surgiram, ainda, outros movimentos teatrais e, também, grupos que movimentaram o espaço na casa do “Professor Brasil”, espaço que se tornou pequeno. Após várias lutas e manifestações dos artistas, já na década de 70, o vereador Valmir Bastos Ribeiro pediu a inclusão no orçamento da Prefeitura de uma verba extra para a construção do Palácio da Cultura de Anápolis, local que abrigaria o Teatro Municipal. O requerimento foi aprovado e, com o apoio do, então, Prefeito Henrique Santillo a edificação de um teatro na cidade deixava de ser sonho para os moradores e artistas daqueles anos. Os artistas locais fizeram história realizando vários espetáculos e criando outros, entre eles o Festival Independente de Teatro de Anápolis, o FITA, e o Festival de Teatro de Amador de Anápolis.

Teatro ativo
Em 31 de julho de 1976, data de aniversário da Cidade, foi prometida à população a entrega do teatro, o que não aconteceu, fazendo com que todos, em especial os artistas, ficassem descrentes das promessas políticas. Com o Centro Administrativo - projetado, inicialmente, para ser o Centro Cultural (Administração Eurípedes Junqueira) de Anápolis - sendo inaugurado, em 1982, pelo, então, Prefeito Wolney Martins, todos os órgãos da Prefeitura, que funcionava onde hoje é a sede da Câmara Municipal (Palácio “31 de Julho”) foram transferidos para o local. O edifício tinha uma espécie de auditório que era chamado de "Anfiteatro”, onde aconteceu, dois anos mais tarde, uma inauguração para os artistas realizarem a II Mostra de Teatro de Anápolis. Entretanto, o recinto não contava com os recursos técnicos completos e dimensões adequadas para grandes espetáculos. Assim, em fevereiro de 1985 o prédio passou por uma grande reforma e transformação e o anfiteatro do Centro Administrativo se tornou o Teatro Municipal de Anápolis, inaugurado em julho de 1985, pelo, então, Prefeito Anapolino de Faria, com a III Mostra de Teatro. Construído em estilo italiano, o teatro foi elogiado por artistas regionais e nacionais.

Modernidade
Nos anos 90 o prédio passou por outra revitalização. Na virada do século XX, em 2001, criou-se o tão sonhado espaço cultural, abrigando as escolas de dança, música, artes e teatro, dividindo o espaço com a Administração Municipal. Contudo, apesar de uma grande área destinada inteiramente à cultura, os incentivos nas áreas artísticas não foram suficientes para se ter a produção esperada. Depois de passar por uma reforma geral, em 2008 o Teatro Municipal, que permaneceu no mesmo local, abrindo suas portas para receber novamente a cultura local, que durante o período de reforma se apresentava no auditório do SESC, da UEG e da UniEvangélica. Em 2009, foi retomada a Mostra de Teatro, o encontro de corais, os espetáculos de dança e renomados artistas do País visitaram o Teatro Municipal. Nos últimos dois anos, o Teatro foi palco das mais diversas atividades, inclusive o 1° Anápolis Festival de Cinema, em abril de 2011. Atualmente, o Teatro oferece 470 lugares para o público em geral. Tem uma boa aparelhagem de som, iluminação moderna e ar condicionado. O Hall de entrada, também, é utilizado para atividades culturais, como as exposições de artistas plásticos.
O Teatro Municipal contribui para a construção de parte da história cultural do povo anapolino. Para saber mais detalhadamente sobre esse assunto, consulte o Caderno de Pesquisas do Museu Histórico "Alderico Borges de Carvalho" - Teatro Municipal de Anápolis: Uma odisséia no tempo - da historiadora e Assistente Técnica do MHA, Elizete Cristina França.

Autor(a): Carol Evangelista

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