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Sindicato dos taxistas considera o Uber um concorrente desleal

Transporte Comentários 24 de fevereiro de 2017

Setor prepara um conjunto de medidas para enfrentar à concorrência e mostrar que o serviço é, ainda melhor para os usuários Vander Lúcio Barbosa Ferreira Cunha Funcionando desde o último dia 14, o aplicativo Uber começou a operar em Anápolis com mais de 100 veículos da modalidade UberX. São unidades a partir do modelo/ano 2008, quatro portas, cinco lugares e ar condicionado. Um comunicado da empresa diz que ela chega a Anápolis para fazer parte da Cidade, oferecendo uma nova alternativa de renda e mobilidade acessível, moderna e eficiente. “Nosso trabalho é no sentido de dobrar o número de veículos em oferta para a população de Anápolis em curto espaço de tempo”, disse um parceiro do Uber, identificado apenas com o nome de Cruz, em um contato por telefone. Ele considera “normal” a reação dos taxistas contrários à presença dessa nova plataforma e afirma que é um direito que eles têm de se manifestarem. “Mas o Uber é a favor da livre escolha”, destacou Cruz garantindo que o aplicativo veio para somar e colaborar com a economia da cidade. Ele se refere ao movimento que o Uber vai proporcionar aos setores de prestação de serviços e produtos e outros segmentos da economia. Lembrou que os veículos do Uber vão provocar o crescimento de vendas de combustíveis; elevar as vendas nos postos de abastecimento; nos lavajatos; lojas de peças e serviços automotivos; lanchonetes; restaurantes, dentre outros. “É uma vasta cadeia de produtos e serviços que será grandemente movimentada”, acrescentou o parceiro do Uber lembrando, ainda, que até o DETRAN será beneficiado com a renovação de CNH, categoria B, de motoristas que estavam com o documento vencido e que, agora, estão procurando o órgão para renová-lo depois de se tornarem parceiros do Uber. Movimento em cadeia “Portanto, esse movimento em cadeia proporciona, também, um aumento de receita para o Município”, acrescentou Cruz. Ele nega a desconfiança de taxistas, segundo a qual, o Uber pode ter entre seus parceiros alguns motoristas criminosos ou suspeitos. Segundo ele, o aplicativo oferece treinamento especializado para seus motoristas e exige comprovante de antecedentes criminais nas esferas federal, estadual e municipal, além de oferecer seguro para os motoristas e usuários. De acordo com o parceiro do Uber, neste momento de crise de desemprego, o aplicativo pode ser considerado uma nova fonte de renda para pessoas que estão em busca de trabalho. “É uma nova opção para a população”, acrescenta Cruz, garantindo que os usuários passarão a conhecer essa nova alternativa de transporte individual rapidamente, o que facilitará o aumento do número de pessoas que utilizam o serviço. Segundo ele, o atendimento é rápido, seguro e eficiente. “É um nicho diferente no mercado”, disse o parceiro do Uber assegurando que o aplicativo veio para ficar. Ele revelou que o Uber-X tem suas corridas com um custo fixo de R$ 0,75 e um preço base de R$ 2,50. A esse valor são somados R$ 1,19 por quilômetro rodado e R$ 0,13 por minuto de viagem. O preço mínimo e a taxa de cancelamento são de R$ 6,00. “É um custo no mínimo 30% inferior ao que cobra um táxi”, garantiu. Motorista prevê ampliação da frota em curto prazo UBER Iniciado a poucos dias, o serviço de transporte privado já conta com uma frota em circulação de quase 100 veículos Pelo sistema Uber o cliênte aciona o transporte atravez de um aplicativo via telefone celular Jaime Fernandes: Presidente do Sindicato dos Taxistas O taxista


Se entre os usuários a chegada do aplicativo Uber em Anápolis está sendo comemorada por diversas razões, entre outros motivos pelo valor mais baixo cobrado nas viagens e a facilidade de encontrar um veículo próximo do endereço onde o passageiro se encontra, entre os taxistas o novo serviço vem causando dores de cabeça e grande preocupação, pois eles consideram-no uma concorrência desleal.
Para o presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos, Jaime Fernandes Evangelista, a chegada do Uber desagradou, indistintamente, a todos os taxistas. “Diferentemente dos taxistas, esse pessoal não paga nenhum imposto”, disse o presidente do sindicato afirmando que por essa razão o Uber é um concorrente desleal que não recolhe nenhum tipo de tributo.
Jaime Fernandes revelou que, por essa razão, está crescendo um movimento deflagrado entre os taxistas para que eles deixem de pagar qualquer imposto, taxa ou contribuição durante o tempo em que o Uber estiver operando sem recolher nenhum tributo. “Por que só nós temos que pagar?”, questiona o presidente do sindicato revelando que a categoria paga mais de R$ 1.000,00 por ano de ISS, alvarás de licença e outras taxas expedidas anualmente pela CMT. Segundo ele, os motoristas do Uber não têm essa obrigação.
Depois que o Uber começou a operar, o presidente do sindicato estima que houve uma queda de mais de 30% no uso de táxis para o transporte individual de passageiros. “São 220 táxis que operam legalmente e que estão sofrendo perdas irreparáveis depois que este aplicativo começou a funcionar”, disse Jaime Fernandes para quem o Uber funciona como um transporte “pirata” de passageiros, considerando que não existe um órgão oficial que o fiscaliza ou regulamentador do serviço.
Outras críticas do presidente do sindicato são as exigências de CNH categoria C ou D para taxistas e B para motoristas do Uber, a renovação da frota de quatro em quatro anos, enquanto que os veículos do novo aplicativo são a partir de 2008, a apresentação anual de atestado de bons antecedentes e a renovação de cursos de capacitação na CMTT. “Além disso, o dinheiro que os taxis ganham circula na Cidade e pagam impostos. O do Uber vai para os Estados Unidos, livre de qualquer taxação”, acrescentou.
Jaime Fernandes reconhece que o preço de uma corrida de táxi é mais caro que as do Uber, mas disse que a categoria passou a oferecer um desconto de 20% depois que o aplicativo começou a funcionar na Cidade. Segundo ele, o valor inicial da bandeirada é de R$ 6,00; de R$ 3,89 por quilômetro rodado na bandeira 1 e, de R$ 5,83 na bandeira 2. O custo da hora parada é de R$ 22,80.
Pioneiro
O taxista Walter Alves da Silva, 77 anos, há 51 anos na profissão, pode ser considerado um dos pioneiros no transporte individual de passageiros em Anápolis. Durante 26 anos ele trabalhou em um ponto de táxi na Avenida Pedro Ludovico, no centro, e os 25 restantes, na Praça do Trabalhador, no Bairro Jundiaí, onde está até hoje.
“Esse pessoal chegou agora a Anápolis só para atrapalhar a vida dos taxistas”, avalia Walter Silva. Mesmo assim, ele considera o Uber um bom aplicativo, acha que este serviço veio para ficar, mas questiona o tratamento desigual que é dispensado aos táxis em relação ao Uber. “Gastamos mais de um mês só para providenciar e renovar a documentação que o poder público exige”, reclama o taxista ao lembrar que a mesma exigência não é feita ao Uber.
Além de achar que o novo aplicativo precisava arcar com as mesmas despesas cobradas dos taxistas, incluindo vistorias nos veículos uma vez ao ano, apresentação de certidão negativa de débito, folha corrida expedida pela Justiça e curso de especialização, Walter Silva acha que o preço mais baixo de uma viagem no Uber pode representar risco para os usuários. “Ninguém conhece os motoristas desse serviço”, afirma o taxista admitindo a possibilidade de haver criminosos entre os profissionais que atuam pelo Uber.
“O prefeito precisa cuidar da nossa classe”, acrescentou, lembrando que, hoje, 220 profissionais dependem de seus taxis para o sustento próprio e de suas famílias, segundo afirma, todos eles com a situação legalizada e com o pagamento de impostos, taxas e contribuições em dia. “E o Uber, paga algum imposto?”, questiona Walter Silva lembrando que outro ônus para os taxistas que ficam em pontos fixos é a cobrança de ocupação de solo e ISS. Para ele, essa carga tributária é muito pesada e causa da redução de lucros para os taxistas.
Mesmo reconhecendo que houve queda de mais de 30% no movimento dos taxistas, ele revelou que muitos clientes mantêm a fidelidade por confiar nestes profissionais entregando-lhes, inclusive, crianças para serem transportadas através de táxis. “Eles preferem pagar mais caro porque conhecem as pessoas que vão transportar”, justificou o taxista fazendo outra indagação: “Algum usuário do Uber conhece o motorista que o transporta?”

Autor(a): Vander Lucio / Pereira Cunha

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