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Serviço é visto como “carona” por 40% dos solicitantes

Saúde Comentários 26 de setembro de 2014

Dentre os motivos dos pedidos de uma ambulância, que se repetem diariamente, estão dor de cabeça e diarreia


O telefone do Serviço Móvel de Atendimento a Urgências (SAMU) toca e o médico atende prontamente. O caso é bastante peculiar. Quem está do outro lado da linha pediu a ajuda da vizinha para tirar um bicho de pé. Ela fez o “procedimento” com uma faca e acabou se cortando no dedo. A ligação encerra após o médico explicar que aquilo não é uma emergência e que sua vizinha pode procurar qualquer unidade de saúde para receber o curativo. Dessa vez, a ligação terminou amigavelmente, mas, em muitos casos, os médicos reguladores são agredidos verbalmente e, até, sofrem ameaças.
O SAMU realiza uma média de 4.500 atendimentos por mês. Desse total, cerca de 40% das ligações recebidas não correspondem a casos de emergências ou urgências. Ainda existe outra parcela, também grande, de trotes.
Apesar de parecer inacreditável, as pessoas ligam para solicitar uma viatura por sintomas como dor de cabeça; inchaço, dor abdominal e, até, diarréia. O serviço que deveria ser acionado em situações graves, onde há risco eminente de morte, é visto, por uma grande parte da população, como uma carona até à unidade de saúde.
As pessoas que ligam por motivos banais para solicitarem o serviço do Samu não vêem que, além de tudo, estão ocupando a linha enquanto outra pessoa, que realmente precisa, está tentando ligar. A situação é tão absurda, que alguns médicos reguladores acabam se submetendo a realizar orientações para quem está do outro lado da linha tomar um analgésico, ou, lavar o machucado com água e sabão. O desrespeito vai além, quando a viatura é negada e o solicitante se enfurece, faz ameaças contra o médico regulador e difama o serviço.
De acordo com o médico regulador do SAMU, Kauênio Caetano, umas das maiores dificuldades da função é a forma como a população vê o serviço. Segundo ele, as pessoas acham que as viaturas servem para transportar qualquer tipo de paciente quando, na verdade, é um serviço de urgência. “Muita gente não entende os critério de avaliação da necessidade de envio de uma viatura. Alguns não se conformam que o seu caso não é de uma emergência”, disse. As pessoas buscam uma assistência social, por não ter carro. Esses casos ocorrem quase que diariamente.
Para o diretor do SAMU, Sérgio Marques, a equipe trabalha cada vez mais sobre tensão. “Eles recebem ameaças constantemente, precisam explicar várias vezes o motivo porque a viatura não pode ser enviada e estão, sempre, lidando com pessoas tensas e agressivas”, apontou. Na opinião do médico, esse comportamento da população é preocupante. “Muitas vezes, pessoas em situação grave precisam aguardar pelas ambulâncias porque deslocamos uma viatura para outra ocorrência menos importante. O uso indevido das nossas unidades móveis tem dificultado o trabalho da nossa equipe”, alegou.

Autor(a): Wanessa Mereb

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