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Seremos um país de obesos?

Saúde Comentários 13 de setembro de 2013

Pesquisa revela que 51% da população brasileira está acima do peso. Homens são maioria: 54%. Nas mulheres, o índice chega a 48%


Dados inéditos do Ministério da Saúde revelam que, pela primeira vez, o percentual de pessoas com excesso de peso supera mais da metade da população brasileira. A pesquisa Vigitel 2012 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) mostra que 51% da população (acima de 18 anos) estão acima do peso ideal. Em 2006, o índice era de 43%. O estudo também revela que a obesidade cresceu no País, atingindo o percentual de 17% da população. Em 2006, quando os dados começaram a ser coletados pelo Ministério, o índice era de 11%. O aumento atinge tanto a população masculina quanto a feminina. Na primeira edição da pesquisa, 11% dos homens e 11% das mulheres estavam obesos. Atualmente, 18% das mulheres estão obesas. Entre os homens, a obesidade é de 16%.
A mesma pesquisa mostra os hábitos da população e é um importante instrumento para desenvolver políticas públicas de saúde e estimular os hábitos saudáveis. Foram entrevistadas 45,4 mil pessoas em todas as capitais e no Distrito Federal, entre julho de 2012 a fevereiro de 2013. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que “se não tomarmos - o conjunto da sociedade, familiares, trabalho, agentes de governo - as medidas necessárias, se não agirmos agora, corremos o risco de chegar a patamares de obesidade como os do Chile e dos Estados Unidos. Por isso temos que agir fortemente", disse.
Alimentação
Muito embora a obesidade esteja relacionada a fatores genéticos, há importante influência significativa do sedentarismo e de padrões alimentares inadequados no aumento dos índices brasileiros. Forte aliado na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, o consumo de frutas e hortaliças está sendo deixado de lado por uma boa parte dos brasileiros. Apenas 22,7% da população ingerem a porção diária recomendada pela Organização Mundial da Saúde, de cinco ou mais porções ao dia. Outro indicador que preocupa é o consumo excessivo de gordura saturada: Nada menos que 31,5% da população não dispensam a carne gordurosa e mais da metade (53,8%) consome leite integral regularmente. Os refrigerantes, também, têm consumidores fieis - 26% dos brasileiros tomam esse tipo de bebida ao menos cinco vezes por semana.
As fases
Se na faixa etária entre 18 e 24 anos, 28% da população está acima do peso ideal, a proporção quase dobra dos 35 aos 44 anos, atingindo 55%. O percentual de obesidade acompanha este crescimento e mais do que dobra, se comparados os dois períodos: 7% para 19%, respectivamente. Com o passar dos anos, os brasileiros, também, tendem a diminuir a prática da atividade física: O estudo revela que 47% dos jovens com idade entre 18 a 24 anos se exercitam regularmente. E entre 35 a 44 anos, o índice cai para 31%. Já o envelhecimento da população reflete positivamente na alimentação do brasileiro. Se entre os 18 e 24 anos mais da metade dos homens come carne com gordura regularmente (48%), este índice cai para 27% entre aqueles que já passaram dos 65 anos. O fenômeno se repete com o consumo de refrigerante. Entre os jovens com idade entre 18 e 24 anos, 36 % declararam tomar regularmente a bebida. Aos 65 anos, o percentual cai para menos de um terço, ficando em 12%.
Em contrapartida, há aumento de consumo de frutas e hortaliças nas faixas etárias superiores. Entre os 18 e 24 anos, 17% comem cinco porções/dia e 24% cinco porções semanais. Aos 65 anos, os percentuais aumentam para 28% e 46%, respectivamente.
Por escolaridade
Esta avaliação permite, ainda, conhecer os hábitos dos brasileiros conforme o sexo e a escolaridade. Frutas e hortaliças estão presentes regularmente no cardápio de 45% dos brasileiros que concluíram, no mínimo, 12 anos de estudo. O percentual reduz para 29% entre as pessoas que estudaram até, no máximo, oito anos. Se se levar em consideração a recomendação da Organização Mundial da Saúde, de 400 gramas diárias de frutas e hortaliças, as proporções alcançam 31% para quem tem 12 anos e mais de escolaridade e 18% para quem não conclui o ensino fundamental ou tem menos de oito anos de escolaridade. A gordura saturada também é mais comum na mesa das pessoas com menos estudo: Destes, 32% comem carne com excesso de gordura e 53% bebem leite integral regularmente. Já entre a população com maior escolaridade, os percentuais registrados estão abaixo da média nacional, com 27% e 47%, respectivamente.
A pesquisa revela, ainda, que 45% da população com mais de 12 anos de estudo praticam algum tipo de atividade física. O percentual diminui para menos de um quarto da população (21%) para quem estudou até oito anos. Os homens (41%) são mais ativos que as mulheres (26%). A frequência de exercícios físicos no horário de lazer entre mulheres com mais de 12 anos de estudo (37%) é o único indicador da população feminina que figura acima da média nacional (33%).
Guerra à obesidade
A obesidade, o sedentarismo e a má alimentação são fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas. Um dos objetivos do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis, lançado em 2011, é deter o crescimento da proporção de adultos brasileiros com excesso de peso ou com obesidade.
O Ministério da Saúde investe, também, em ações preventivas para evitar a obesidade em crianças e adolescentes, como o Programa Saúde na Escola que, este ano, está aberto aos municípios e passa a atender creches e pré-escolas. São mais de 50 mil escolas que participam do programa. Outra medida é a parceria do Ministério com Federação Nacional de Escolas Particulares para a distribuição de 18 mil Manuais das Cantinas Escolares Saudáveis como incentivo a lanches menos calóricos e mais nutritivos. O Ministério também mantém acordo com a indústria para redução do teor de sódio entre os alimentos. O acordo voluntário prevê redução gradual de sal em 16 categorias de alimentos habituais na mesa do brasileiro, entre eles, o famoso pão francês.

Autor(a): Nilton Pereira

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