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SENAI: Do computador ao laboratório de Química. Deficientes visuais dão exemplo de superação

Geral Comentários 02 de dezembro de 2016

Grupo de alunos mostra que superação faz transformações especiais na vida de quem batalha pelos seus ideais


Uma turma com 18 formandos de um curso de computação. Até aí, nada de anormal, não fosse o fato de os alunos serem portadores de deficiência visual. E, para encerrar o curso, que teve duração de um ano, eles alunos tiveram um novo desafio.
Na tarde da última terça-feira, 29/11, os alunos do curso de Operador de Computador, ministrado pela escola SENAI, em Anápolis, encerraram o ciclo de formação com ‘chave de ouro’. Eles participaram de uma atividade bem diferente e desafiadora: produzir detergente líquido com equipamentos desenvolvidos especialmente para auxiliá-los nesta tarefa.
Segundo o instrutor de Química da Faculdade de Tecnologia SENAI “Roberto Mange,” Aécio de Oliveira, a iniciativa só foi possível graças à integração de outras áreas de ensino da instituição, como a Mecânica e a Elétrica, que ajudaram na adaptação dos equipamentos a serem utilizados, dentre eles, uma régua medidora e um aparelho de medição de PH (acidez).
A ideia, de acordo com Aécio de Oliveira, era que estes equipamentos e as demais adaptações fossem testados pelos próprios deficientes visuais, para que os mesmos pudessem usar na prática e opinar sobre o que está bom e o que precisa ser melhorado. E, dessa forma, constituir um ambiente para que, futuramente, a área de Química possa receber este público para um eventual curso de capacitação para o mercado de trabalho.
Nesta etapa inicial, foi desenvolvido um manual em braile contendo a fórmula e os procedimentos a serem utilizados. A publicação foi elaborada com a ajuda de uma das alunas que é professora deste sistema de leitura para cegos. O manual foi “lido” e passou no teste. Os equipamentos, também, despertaram muito interesse e cada um deles foi, detalhadamente, explicado pelas auxiliares do projeto, as alunas do Curso de Química: Marina Souza Ramos, Millena Peres Barros e Suzana Gonçalves. Aliás, o interesse foi tanto que a turma até deixou para depois a parada programada para o lanche, a fim de colocar a mão na massa, ou seja, nos componentes para a formulação do detergente. Cada turma produziu cerca de cinco litros, que puderam levar para casa.
O processo exigiu dos deficientes visuais a utilização dos sentidos do tato, olfato e da audição. Neste último caso, por exemplo, na utilização do medidor de PH, que foi adaptado para dar um sinal quando a medida estiver correta. No caso do olfato, o sentido foi utilizado para se chegar à coloração do produto, que foi associado a uma fruta. E o tato para usar a régua de medição e em outras etapas. Enfim, um esforço múltiplo do corpo e da mente e de busca de novos conhecimentos, concentração, motivação e superação. Mas, tudo valeu a pena com o objetivo cumprido ao final da missão.
Conforme destacou o instrutor Aécio de Oliveira, este desafio abre caminho para que o próprio curso de Química e outros cursos possam, também, criar meios para promover a capacitação de pessoas com deficiências visuais, a fim de que os mesmos possam ter melhores condições de buscar vagas no mercado de trabalho.

Um desafio de inclusão e de bons exemplos
A turma de formandos do curso de Operador de Computador começou as atividades em novembro de 2015 e, agora, conclui a formação após um ano e sem nenhuma baixa. Motivação não faltou para esta turma, que é bastante heterogênea. Tem jovens e pessoas já na terceira idade; pessoas em busca de trabalho e pessoas já empregadas em várias áreas; uma aposentada; uma psicóloga; uma professora de braile e até um cuidador de idoso.
A professora de informática, Valéria Elis, teve de se “reinventar” para ministrar o curso, que utiliza ferramentas próprias, como um programa denominado NVDA, um leitor de ecrã (tela do computador) para Windows produzido na Austrália, com plataforma gratuita e que recebe contribuições de todo o mundo para o seu permanente desenvolvimento. Para ela, trabalhar como a turma de deficientes visuais foi um “desafio gratificante”, uma troca de experiências e conhecimentos.
A coordenadora do curso de Operador de Computador, Renildes Leal, lembra que o mesmo começou a ser idealizado em 2014. A Associação dos Deficientes Visuais do Estado de Goiás (ADVEG), segundo ela, provocou o SENAI a fazer esta capacitação. O trabalho, então, se iniciou e foi reforçado com a parceria do Fórum de Inclusão no Mercado de Trabalho das Pessoas com Deficiência e dos Reabilitados pelo INSS. Em Goiânia, já havia uma iniciativa consolidada na Faculdade de Tecnologia SENAI de Desenvolvimento Gerencial.
O curso começou, como quase todo começo, em algum momento da vida, foi difícil. A professora Valéria proporcionou à turma dedicação e atenção total, muito além do conhecimento em sala de aula. Festas, confraternizações e atividades que fortaleceram os laços de amizade entre o grupo. Assim, os medos e as dificuldades ficaram para trás. Um ano se passou (rapidamente- diz a professora) e, hoje, os alunos estão prontos para navegar na internet e desenvolver trabalhos com plataformas conhecidas como os programas Word, Excel e o Power Point.
O curso, portanto, cumpriu com sua missão e transcendeu ao objetivo básico, que foi a capacitação. Mostrou que, verdadeiramente, a inclusão social de pessoas com deficiência - visual ou outras deficiências - é uma realidade e um caminho para que estas pessoas tenham uma melhor qualidade de vida. Mostrou que o caminho do aprendizado é um caminho longo, com muitos desafios e muitas vitórias.

Autor(a): Claudius Brito

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