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Seminário vai debater a falta de água potável em Anápolis

Cidade Comentários 05 de maio de 2016

Iniciativa é da ACIA e da Associação dos Produtores Rurais da Bacia do Piancó


A chegada do período de estiagem traz de volta um antigo drama vivido em Anápolis, nos últimos anos: a falta de água tratada nas torneiras das residências, assim como, dos estabelecimentos comerciais e industriais. Assunto recorrente que já rendeu inúmeras tratativas e não apresentou, pelo menos por enquanto, um resultado satisfatório, assim que chega o mês de junho os moradores da região urbana, principalmente os dos setores mais altos da Cidade, vivem o suplício da seca, muito embora estejam a poucos quilômetros de vários mananciais.
Nos dois últimos anos, a crise da água ensejou uma série de atitudes políticas, empresariais e de parte do Ministério Público. A situação ficou tensa quando se definiu que uma das agravantes era o consumo considerado exagerado de água do Ribeirão Piancó (responsável pelo abastecimento de água em cerca de 80 por cento do setor urbano) pelos produtores rurais, cerca de 150, que têm suas propriedades ao longo das duas margens do referido curso d’água. Houve, em determinados momentos, a necessidade de se lacrarem as bombas de sucção da água destinada à irrigação das lavouras, principalmente de bananais (a região é uma das maiores produtoras de bananas do Estado) para que a água não faltasse na Cidade. Isto, entretanto, revoltou os agricultores, tendo em vista eles se sentirem impedidos de trabalharem em sua atividade fim. Houve a denúncia de que se empregou a força e a truculência para impedi-los de utilizar a água nas plantações. Nesse meio tempo, Câmara Municipal; Prefeitura; Ministério Público; Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Associação Comercial e Industrial, além de outras entidades, debateram, exaustivamente, a questão. Mas, de prático, pouca coisa avançou.
Temor dos produtores
Esta semana a Presidente da Associação dos Produtores Rurais da Bacia do Ribeirão Piancó, empresária Amélia Mendes, procurou o Presidente da Associação Comercial e Industrial de Anápolis, empresário Anastácios Apostolos Dagios para “pedir socorro” e propor um trabalho conjunto a fim de que, mais uma vez, os produtores rurais não sejam prejudicados com o impedimento do uso da água do Ribeirão em suas lavouras. É sabido que a direção da SANEAGO se mobilizou e anunciou algumas providências para que o problema seja, pelo menos, minimizado. Mas, a ideia geral é de que enquanto não se ampliarem os sistemas de bombeamento da água do Ribeirão Piancó para a Estação de Tratamento de água (ETA) no Jardim das Américas I Etapa, assim como aumentar a sua capacidade de purificação, mais o aumento da capacidade de reservação de água tratada, dificilmente o problema se resolverá. Aliás, ele se agrava, uma vez que a oferta de água é, praticamente, a mesma do ano passado e a demanda só cresce, embora exista um impeditivo, que é a negativa de se expedirem os atestados de viabilidade técnico operacional (AVTO) por parte da empresa para condomínios com mais de 20 unidades. Este assunto, por sinal, foi amplamente explorado recentemente e, apesar de se anunciarem algumas providências técnicas, não se têm informações de maiores avanços no sentido de se liberarem novas edificações coletivas, o que provoca desgaste político e prejuízos econômicos, com a impossibilidade de se iniciarem novas edificações de médio e grande portes.
Nova tentativa
Ficou definido no encontro da Presidente da Associação dos Produtores do Ribeirão Piancó, com o Presidente da ACIA, que será proposto, provavelmente já para o dia 18 deste mês, numa quarta-feira, um debate envolvendo representantes de todos os segmentos envolvidos, a saber: Governo do Estado; Prefeitura Municipal; Ministério Público; Câmara Municipal; Associação Comercial e Industrial de Anápolis; Associação das Imobiliárias; Sindicato da Construção Civil; Secretaria Estadual do Meio Ambiente; SANEAGO e outros interessados, para se buscar uma alternativa que não prejudique nem o desenvolvimento urbano para novas edificações e a garantia de fornecimento de água tratada à população da Cidade, nem os produtores rurais que dependem da água para não perderem suas lavouras. Este debate ocorreria no Auditório da ACIA e dele seria tirada uma conclusão para se cobrar do poder público, principalmente do Governo do Estado, a aceleração de providências que sinalizem para a equação do problema vivido. De acordo com o Presidente da ACIA, empresário Anastácios Apostolos Dagios, “é inadmissível haver tanta água na região e ela não chegar às torneiras. Falta empenho para que isto ocorra”, justificou.

Autor(a): Nilton Pereira

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