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"Sem pretensões políticas"

Política Comentários 23 de janeiro de 2011

Em entrevista ao CONTEXTO esta semana, o titular da Secretaria de Estado da Indústria e Comércio assegura que o Governo Marconi Perillo tem como energizar a produtividade goiana em curto espaço de tempo. Ele fala, com otimismo, sobre o que já está sendo feito para que isto seja realidade.


O que a Secretaria de Indústria e Comércio, com a reforma administrativa a ser introduzida pelo atual Governo, fará para voltar a ter a força que teve no governo anterior de Marconi Perillo?

Alexandre Baldy - No governo anterior foi deixado muito claro que havia uma situação de centralização de decisões. Eu não culpo nenhum ex-secretário de outro governo por mau desempenho, por que não teve condições nem apoio do Governador. Essa reforma administrativa é uma nova forma de condução do próprio Governador Marconi. E a maior demonstração é que o secretário de Fazenda é um homem totalmente alheio à política de Goiás e que veio para fazer um plano de reestruturação das finanças do Estado. E a Secretaria de Indústria e Comércio volta a ter mais respaldo, com a questão do FCO (Fundo Constitucional Centro-Oeste), o Banco do Povo a Junta Comercial é jurisdicionada à SIC, então todas as áreas afins ao meio empresarial vão retornar à Secretaria. Isso nos dará condições de desempenhar um melhor papel.

Nestes primeiros dias à frente da Secretaria, qual foi o diagnóstico que já deu para fazer sobre a situação da Pasta?

Alexandre Baldy - O diagnóstico, que ainda estamos fazendo, é que precisa de uma reestruturação realmente. Já conseguimos reduzir substancialmente nosso pessoal, cerca de 50 por cento dos cargos comissionados. Isso foi além do que era o mínimo estabelecido. O Estado não tem uma situação financeira muito boa. Então, é preciso buscar alternativas e a Indústria e Comércio está neste contexto. Agora, nós estamos trabalhando para que tenhamos nesta reestruturação um ganho de qualidade também para as áreas de comércio exterior, da micro e pequena empresa, enfim, de todas as áreas para que possamos ter uma estrutura adequada, enxuta e que seja viável e de bom funcionamento.


Qual seria, hoje, o principal desafio que o senhor vê na Secretaria de Indústria e Comércio?

Alexandre Baldy - Isto foi bem definido pelo governador Marconi Perillo: é a busca de investimentos, de empresas que se encontram em Goiás para possíveis ampliações e das empresas que querem buscar Goiás como alternativa para investir. E, mesmo as que não querem, nós também vamos correr atrás. Algumas deixaram Goiás por alguma opção, e nós estamos retomando. Temos um fato concreto de uma grande empresa que está querendo deixar Goiás e ir para o Nordeste, mas essa perda não foi sacramentada e estamos negociando para que isso não ocorra, assim como estamos visualizando outros casos. O Governo vai dar o respaldo e o apoio necessário para que esses investimentos ocorram.

Em Goiás, além do segmento da agroindústria, há outros de grande potencial econômico como o da mineração, que possui bons indicadores. Vão ser criadas políticas especiais para atender a estes setores diferenciados?

Alexandre Baldy - Vou dar um exemplo: fui a uma reunião com toda a minha equipe e um assessor da área de mineração e geologia comentou que nunca foi realizado um encontro com o secretário, com uma pauta de planejar e estruturar uma agenda para o setor da mineração. E esse servidor dizia que em 18 dias, conseguiu-se realizar uma reunião que nunca havia sido feita. E realmente o investimento nas áreas de indústria e comércio é algo que a gente vê com mais rapidez. Mas a mineração é diferente e são investimentos vultosos e que foi deixado totalmente à margem. Temos de fato bons indicadores, grandes investimentos e Barro Alto é um exemplo e há, ainda, grandes oportunidades no setor.

A reforma tributária preconizada pelo Governo Federal, e, um dos pontos defendidos é o de se acabar com a chamada “guerra fiscal” entre os estados, o que para Goiás não seria bom, porque o Estado tem nos mecanismos de incentivo uma força para se contrapor ao eixo econômico Sul-Sudeste. Essa é uma questão que preocupa o Governo de Goiás?

Alexandre Baldy - O Governador Marconi Perillo está muito preocupado e muito empenhado para que Goiás não seja prejudicado e deixe de ter um cenário atrativo. Mas hoje, salvo engano, o único Estado da Federação que não possui nenhum tipo de incentivo fiscal é o Amapá. Todos os outros possuem algum tipo de incentivo ou benefício fiscal. Mas não podemos, e não devemos, acreditar que a discussão será simples, porque ela já vem se dando há muitos anos no Congresso Nacional e creio que ainda vai se arrastar por mais alguns anos. Obviamente que, através do Governador e da nossa bancada no Congresso, vamos brigar para que em hipótese nenhuma sejamos prejudicados.

O Governo do estado acenou uma meta de atração de investimentos para Goiás na ordem de R$ 10 bilhões. Não seria uma meta muito ousada? Goiás tem estrutura para atrair no momento esse volume de investimentos privados?

Alexandre Baldy - Nós ficamos muito à margem dessa atração de investimentos. O setor sucroalcooleiro, por exemplo, foi praticamente abandonado na gestão anterior. Inseguranças tributárias geradas pelo último governo fizeram com que este setor fosse praticamente excluído do planejamento de atração de novas empresas. E qualquer indústria nesta área sinaliza para altos investimentos. Então, agregando-se a mineração, o setor sucroalcooleiro, a indústria em outros segmentos, o comércio e o setor de serviços obviamente que o direcionamento dado pelo Governador é ousado, mas acredito que com muito trabalho e dedicação, ele vai ser alcançado.

Já existe um estudo sobre qual tipo de indústria ou de comércio seja mais interessante para Goiás? Enfim, da vocação que o Estado tem para atrair novos empreendimentos?

Alexandre Baldy - Considero que Goiás deve ter uma diversificação, porque, por exemplo, se a gente enxerga uma crise no setor alcooleiro ela vai ser uma crise setorial. Se tivéssemos totalmente dependentes desse setor, então ficaríamos prejudicados num eventual momento de crise. Então, acredito que Goiás saiu do momento da agropecuária, se industrializou e de forma diversificada. Anápolis possui atualmente um pólo farmacêutico excepcional, temos uma montadora de veículos. Quando que a gente enxergaria isso há 20 ou 25 anos atrás? Isso é muito positivo e a gente percebe que as empresas que produzem insumos para uma determinada cadeia produtiva, elas acabam vindo para prover a indústria farmacêutica, a indústria alimentícia ou a indústria automobilística.

Muito se fala em atrair empresas, mas nós temos também as que já estão estabelecidas. De que forma elas, também, podem ser contempladas, seja na questão da desburocratização e alargamento do crédito, por exemplo?

Alexandre Baldy - A política de incentivos para atrair novos investimentos é muito intensiva e muito arrojada e continuará a ser realizada da melhor forma possível. Mas, não vamos deixar de olhar para as empresas já instaladas, que geram empregos e arrecadação tributária. Ou seja, elas já são fundamentais para o Estado de Goiás. O nosso papel é diagnosticar e planejar para ver como vamos ajudar. Através do Banco do Povo, nós vamos realizar um trabalho social na indústria e no comércio de pequeno porte, possibilitando aos novos empreendedores, dentro do limite de R$ 4 mil fazer com que ele possa investir naquilo que acredita. Também a Agência de Fomento vai garantir aos empreendedores formais que eles possam crescer e desenvolver seus projetos. Então, o papel da SIC é fazer com que tanto a indústria, como o comércio, a agropecuária e os serviços tenham apoio naquilo que for possível.

Dentre as empresas e investidores que estão sendo sondados, existe algum que seja de grande impacto?

Alexandre Baldy - Existe, mas nós, por questões estratégicas, não podemos divulgar, mesmo porque outros estados poderiam influenciar de alguma maneira para que esses investimentos não se realizem. Mas existem sim projetos vultosos que podem trazer grande repercussão para Goiás.

O caso Suzuki, como anda?
Alexandre Baldy - Estive na empresa recentemente para buscar um entendimento e eles estão abertos a uma negociação. A própria Suzuki interpretou bem a mensagem que o Governo deixou e o próprio Governador Marconi Perillo colocou a disposição de pessoalmente colaborar para que essa empresa que é uma montadora que vai gerar muitos empregos e que dá uma grande visibilidade pelo seu status. Vamos trabalhar para que ela venha e traga, também, os provedores de insumos gerando mais emprego, renda e arrecadação.


Os programas fiscais como o Produzir, vão sofrer algum tipo de alteração?

Alexandre Baldy - O Produzir é um programa muito bem elaborado e, obviamente, vai ser analisado de acordo com as demandas que surgirem. Então, veremos se há algo a ser melhorado. Mas, de antemão, não existe um projeto ainda de modificar o Produzir.

Para a cidade de Anápolis, em especial, há algum projeto especial, considerando que o Município é um dos principais pólos econômicos do Estado?

Alexandre Baldy - Estou na Secretaria para representar e tratar Anápolis com carinho. O Governador quer retribuir a votação expressiva que obteve aqui e, obviamente, os projetos para a vinda de empresas de pequeno, médio e grande portes virão para Anápolis, também. Mas, obviamente, a gente governa para todo o Estado de Goiás. Vamos verificar as demandas de acordo com cada município. Tem cidade com vocação para as confecções, outra para serviços, outra para o setor agropecuário. E não adianta a gente viabilizar uma empresa para um município onde não haja mão-de-obra qualificada porque vamos inviabilizar o empreendimento já no seu nascedouro.

No processo para a definição do comando da Secretaria de Indústria e Comércio, o nome do senhor foi uma surpresa, já que havia um trabalho de lideranças do setor produtivo para fazer a indicação junto ao Governador. O senhor já conversou com as lideranças, tem ainda alguma aresta a ser aparada?

Alexandre Baldy – Já. Recentemente participamos de um almoço conjunto com as principais lideranças do setor produtivo em Anápolis: o presidente da Acia, Ubiratan Lopes; o presidente da Facieg, Deocleciano Moreira Alves; o vice-presidente da Fieg Wilson de Oliveira; os presidentes de sindicatos patronais, onde tivemos um entendimento amplo e, se havia arestas, elas foram aparadas. O entendimento que tivemos é de que devemos trabalhar juntos. O Governo só vai bem quando a sociedade e as entidades classistas trabalham juntas, se existe esse empenho mútuo, o planejamento é melhor realizado. E a consequência é que as realizações sejam benéficas para todos.

O senhor já procurou o Prefeito Antônio Gomide ou foi por ele procurado, no sentido de estabelecer uma parceria administrativa que é natural e necessária?

Alexandre Baldy - O Prefeito me ligou na primeira semana quando assumimos, estivemos juntos recentemente na missa (dos funerais do Bispo Dom Manuel Pestana) e o entendimento com o Município é muito claro, muito bom. Vamos colaborar, através do Governo, de todas as formas possíveis. O governador deu o maior exemplo de que a política partidária se encerrou, quando chamou para a Secretaria de Educação um nome totalmente fora da base aliada (o deputado federal eleito pelo PMDB, Thiago Peixoto). Isso foi um gesto de grandeza política do Governador. Todos os relacionamentos entre o Governo e as prefeituras se darão da melhor forma. Queremos o bem do povo.

O senhor é novato no meio político-administrativo. Já se acostumou a lidar com as diferenças entre a vida empresarial, o convívio mais próximo com a política e a mídia?

Alexandre Baldy - Já. É o dia-a-dia que nos qualifica para que possamos dar uma melhor resposta do nosso trabalho à sociedade e à mídia. Obviamente que venho me adaptando ao setor público porque a nossa vontade de fazer as coisas acontecerem é muito grande e a velocidade no setor público não é a mesma do setor privado. Mas estamos empenhados em fazer o melhor, e da maneira mais rápida, para termos resultados de sucesso.

E já que está entrando neste meio, o senhor já vislumbra algum projeto político futuro?

Alexandre Baldy - Não, não tenho pretensão política. Venho participar do Governo para colaborar com o projeto do Governador Marconi Perillo. O meu projeto é que este seja um governo de sucesso.

Autor(a): Claudius Brito / Vander Lúcio Barbosa

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