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Saúde mental pede socorro em Anápolis

Saúde Comentários 09 de abril de 2010

Os atuais centros de assistência psicossocial são insuficientes para atender à demanda de pacientes com problemas de saúde mental em Anápolis. O resultado disso é longas filas de espera e centenas de pessoas sem receberem tratamento adequado


Falta de estrutura, demora no atendimento e número insuficiente de profissionais qualificados para a assistência aos portadores de transtornos mentais. Essa é a realidade dos usuários desse tipo de serviço no município de Anápolis. Isso, somado às poucas unidades para o tratamento de portadores de transtorno mental. Atualmente, apenas três Caps (centro de assistência psicossocial) e o Hospital Espírita de Psiquiatria de Anápolis, disponibilizam tratamento a essas pessoas.
São portadores de doenças como esquizofrenia; transtorno bipolar; transtorno obsessivo compulsivo (TOC), depressão e outros sem o devido acompanhamento. Com o objetivo de levantar questões e discutir novas propostas para atender aos pacientes com cuidados específicos, foi realizada a I Conferência de Saúde Mental da Região Pirineus e a II Conferência de saúde mental do município de Anápolis. É o município chamando o cidadão para opinar na gestão dos recursos para a saúde pública.
De acordo com o presidente da Associação dos Usuários da Saúde Mental de Anápolis, Saulo Menezes, a situação no Município é precária. “A falta de médicos, terapeutas, psicólogos e medicamentos, deixa o tratamento muito aquém do que realmente é preciso”, destaca. Segundo Saulo Menezes, a gestão pública não disponibiliza todos os medicamentos necessários para o tratamento correto do paciente acometido de transtorno mental, além de não individualizar a medicação. “Muitas vezes a gestão pública adquire medicamentos que não consideram a particularidade do paciente, obrigando-o a utilizar determinado remédio que pode, inclusive, causar reações adversas”, afirma Saulo Menezes.

Problemas

Além da falta de estrutura, a ausência de qualificação de alguns profissionais nas unidades de saúde mental causa indignação ao usuário. Para a pedagoga Cláudia Cambraia, é necessário que haja uma melhor seleção de profissionais destinados aos Caps. “É preciso que alguns profissionais pensem que órgão público não é o espaço destinado ao pobre coitado, mas, sim, um ambiente em que todos precisam de carinho e tratamento adequados”, destacou Cláudia. Ela tem uma filha que precisa de atendimento no Caps infantil, e já presenciou momentos de descaso por parte de alguns profissionais com os pacientes.
Segundo Cláudia Cambraia, a estrutura oferecida aos pacientes que esperam horas por atendimento, precisa ser revista. “Varias mães de pacientes ficam de pé, e às vezes, por falta de condições financeiras, passam fome e, até, sede, na espera de atendimento”, declarou. A pedagoga destaca que excelentes profissionais desempenham suas funções nos Caps, mas outros precisam revisar seus conceitos antes de trabalhar em órgão público.

Para a psicóloga e coordenadora do Caps Vidativa, Marta Brandão, a realização da Conferência teve como objetivo garantir a implantação da rede de atenção à saúde do portador de transtorno mental. Ela assegura que é preciso ressocializar o paciente, além de fortalecer o serviço público em saúde mental. “Espero que a conferência sensibilize a gestão pública a abraçar a causa para o tratamento de pessoas com problemas de saúde mental”, afirmou a coordenadora.
Segundo Marta Brandão, cerca de 400 pacientes são atendidos, só no Caps Vidativa, estando outros 200 na fila de espera. De acordo com Maria Luiza Garcia Oliveira, enfermeira no mesmo Caps, uma ação emergencial que precisaria ser feita é a criação de novos centros de assistência psicossocial. “Assim aliviaria o Hospital Psiquiátrico, além fornecer tratamento adequado ao paciente, pois muitos casos não deveriam ser encaminhados para o hospital”, justificou a profissional.

Propostas
O modelo hospitalocêntrico, ou seja, sistema em que, na crise, o paciente é internado e recebe alta depois de aparente melhora, não é o ideal. Segundo Saulo Menezes, o hospital cria um ambiente artificial em que o paciente se sente feliz e, depois, encontra dificuldades no cotidiano. Além disso, o hospital mistura pessoas de alta agressividade, com outras que não necessitariam estar internadas. O Presidente da Associação defende um modelo de substituição ao existente. Ele afirma que é preciso integrar o portador de transtorno mental à sociedade, ensinar esta mesma sociedade a conviver com a situação e preparar as famílias para lidarem com seus parentes que necessitam de tratamento especial.
Outra proposta levantada para ajudar o usuário da saúde metal a dar continuidade ao tratamento, é beneficiá-lo, assim como um familiar, com o passe livre no transporte coletivo. A justificativa é evitar que o paciente interrompa o tratamento por falta de condições financeiras. “Em momentos de crise, muitos não conseguem ir sozinhos ao centro de apoio, e precisam de acompanhante, o que dobra a despesa com o transporte do paciente”, afirmou Saulo Menezes. Ele acrescenta a necessidade da criação de projeto de geração de renda para pacientes que precisam ser inseridos na sociedade.
Em um ambiente democrático, com a participação de profissionais da área da saúde, usuários dos serviços da saúde mental, em conjunto com familiares de pacientes, elaboraram diversas propostas na plenária durante a conferência. O relatório final será levado à Conferencia Estadual de Saúde Mental, que ocorrerá de12 a 14 de maio, ainda em local a ser definido. Vinte delegados representarão a regional de Pirineus (doze municípios compõem a região, incluindo Anápolis) para defenderem as propostas para que a saúde mental pública seja direito de todos.

Autor(a): Flávia Gomes

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