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Santuário ecológico mantido pelos presbiterianos é aberto à comunidade

Especial Comentários 21 de fevereiro de 2015

Contato com a natureza, aventuras radicais e, ainda, uma programação que oferece a crianças, jovens e adultos, um ambiente cristão. Estas são algumas das propostas do El Rancho, área pertencente à Igreja Presbiteriana de Anápolis, utilizada para retiros. Lideranças revelam a importância do local como fonte de refrigério espiritual.


No município de Corumbá, em uma região com cachoeiras, vegetação típica de Cerrado, fontes de água e onde habitam os mais diversos animais silvestres está o Acampamento El Rancho. Em uma área de 30 alqueires, pertencentes à Igreja Presbiteriana de Anápolis, o local é utilizado por igrejas do centro-oeste goiano e, até, de outros estados para a realização de retiros, encontros e programações especiais envolvendo pessoas de todas as idades. O El Rancho foi fundado em 1970.
À época, conforme foi publicado na edição do Jornal Contexto (edição de 4 a 10 de janeiro de 2013), a missionária inglesa Agnes Waddel Chagas doou mil alqueires (aproximadamente 1,4 milhões de metros quadrados) para igrejas e instituições da região. É o caso do Lar Bethel, que abriga órfãos e, a Missão Vida, que trata de dependentes químicos. A partir desta época, o El Rancho nunca mais parou de promover acampamentos, considerados um refrigério para quem procura tranquilidade em períodos prolongados de feriado, como ocorreu recentemente durante o Carnaval de 2015.
No local, nove cabines de quartos oferecem acomodação para, até, 250 pessoas. Uma área de camping, refeitório e um átrio (auditório) para a realização de reuniões fazem parte do complexo. As perspectivas são de que o acampamento El Rancho seja ampliado, com a construção de um salão de jogos para servir de área de convivência às milhares de pessoas que participam de programações religiosas ao longo do ano. Empresas, também, são bem vindas, caso queiram promover palestras, seminários e workshops.
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Para pessoas de todas as idades, o acampamento El Rancho tem atrações que divertem desde crianças até adultos. As possibilidades parecem ser infinitas: Descer o Rio Corumbá em boias; escorregar por um tobogã, escalar um paredão de madeira e, ainda, jogar futebol; peteca, vôlei e basquete com os companheiros de acampamento. Percorrer trilhas com obstáculos na natureza, maratonas no cerrado goiano e caminhadas até o Salto de Corumbá, fazem com que a aventura para quem frequenta o El Rancho seja inesquecível.
O Rio Corumbá banha toda a extensão do acampamento. Na vegetação local, típica do Cerrado Brasileiro, frequentemente, são vistos animais silvestres, como tatus; tamanduás; veados, araras e capivaras. O IBAMA faz o monitoramento da área do El Rancho, considerada uma região para a soltura destes animais. Existe a preocupação do conselho gestor do Acampamento, formado por membros da Igreja Presbiteriana de Anápolis, de preservar o local e torná-lo uma referência na preservação de espécies nativas.
Outras atrações são oferecidas, como a prática de Rapel (descida com cordas) no Salto de Corumbá. Quem se interessar por este programa deve entrar em contato com a coordenação do El Rancho para que o Corpo de Bombeiros e técnicos de segurança sejam acionados. Outro atrativo para os aventureiros de plantão é a ‘garganta’, um filete do Rio Corumbá que tem ao seu redor paredões de rocha. Jovens e adultos realizam saltos para a água e apreciam a natureza do local.
O pastor Samuel Vieira, titular da Igreja Presbiteriana de Anápolis e presidente do conselho do El Rancho, contou que, “até o inicio dos anos 80, o Salto de Corumbá estava sem água, isto porque, um antigo fazendeiro, proprietário daquelas terras, desviou o curso do rio, fazendo-o desembocar no local conhecido como "garganta", um dos despenhadeiros mais lindos e desconhecidos de Goiás, porque fica por detrás do Salto, numa área de difícil acesso. A direção do El Rancho, com a visão do médico e coronel Dr. Ernei de Oliveira Pina, fez uma requisição junto ao IBAMA e conseguiu, depois de uma batalha judicial, trazer o rio para o seu atual leito (que era o curso natural)”.
História
O pastor Samuel continuou um relato sobre este magnífico local, o El Rancho: “Os moradores mais antigos da região afirmam, por exemplo, que nesta propriedade estava um dos ranchos que servia de hospedagem aos antigos bandeirantes que traziam mercadorias para escambo (espécie de feira de trocas) e se dirigiam a Pirenópolis. Ao lado do casarão da fazenda, encontram-se ruínas do que se afirma ser uma destes pontos de parada. Conheci, ainda, o antigo barraco, que agora se desmoronou completamente. Se isto é verdade, trata-se de um dos aspectos dos mais relevantes para a História de Goiás”.
Ele destacou, também, a atitude de Agnes Waddel Chagas, quando doou os mil alqueires, o que possibilitou a criação de locais para o uso filantrópico, como os já citados Lar Bethel e Missão Vida. Outro aspecto a ser destacado, conforme pontuou, é que “existe ali, na mesma área desta propriedade, acampamentos de outras igrejas como o da Assembleia de Deus, Ministério de Anápolis - com uma fabulosa estrutura -, e o Acampamento da Igreja Cristã Evangélica. Muitos treinamentos; congressos, retiros e conferências, são realizados naquelas áreas, como o evento deste carnaval que recebeu 240 jovens, vindos de todas as partes do Brasil, cerca de 50 deles do Rio de janeiro”.
A Igreja Presbiteriana de Anápolis promoveu, em fevereiro de 2015, durante o feriado de Carnaval, um acampamento para jovens de diversas igrejas evangélicas. O público que frequenta o El Rancho inclui igrejas evangélicas e católicas, grupos de escoteiros “para tempos de refrigério e crescimento espiritual, por causa de sua privilegiada área, que ocupa 3 km do Rio Corumbá, às margens de uma Rodovia Estadual e cujos limites vão até o Salto de Corumbá. A parte superior da cachoeira pertence à área do El Rancho. (É) uma das áreas mais lindas e um dos cartões postais do Estado de Goiás, com 52 m (metros) de queda d'água”.
Importância social
“Creio que todas as vezes que trabalhamos conceitos, reforçamos estruturas individuais e psicológicas, cuidamos de dependentes químicos e pessoas em crises existenciais, aproximando-as de Deus, estamos trazendo um enorme benefício à comunidade em geral, destacou o pastor Samuel Vieira sobre a importância das terras doadas por Agnes Waddel, incluindo o El Rancho. O Orfanato Bethel é um exemplo claro disso. Outros fatos não mensuráveis, como a restauração de vidas, o apoio a jovens, adolescentes e crianças, o cuidado com a família, fazem parte da visão do Acampamento”, acrescentou.
Durante o acampamento realizado no Carnaval de 2015, Samuel Vieira ouviu relatos de jovens que, segundo indicou, tiveram suas vidas transformadas no El Rancho. “Os comentários recebidos dos cariocas foram extremamente marcantes. Um deles falou o seguinte: ‘Faz muito tempo que não tenho tanta alegria em minha vida, sem fazer uso das drogas’; outra afirmou: ‘Eu trocaria facilmente o mar por uma área com um rio tão fantástico como este’. Em geral, as pessoas são impactadas quando participam de um destes programas num final de semana”, destacou.
Para o futuro, Samuel Vieira sonha com novos projetos para o El Rancho, como a construção de uma piscina aquecida e a ampliação da estrutura de acomodação e física. “Creio que este sonho vai se concretizar, vai levar algum tempo, mas acredito que a nova geração será capaz de executar esta tarefa. Acho, ainda, que precisamos construir um hotel, em parceria com uma grande empresa, que seria próximo ao Salto, respeitando toda a questão ambiental que para nós um dos valores básicos, e criarmos um espaço/conferência, para atender a empresas, igrejas e instituições nas próximas gerações”, concluiu.
Vidas transformadas
Paulo Borges e Carlos Disney são administradores do El Rancho. Fazem parte do conselho que gere o local. De acordo com Carlos, o uso da região ao redor do acampamento “é uma exploração com cunho de preservação (ambiental)”. Ele entende que a localidade é “uma das principais áreas de Goiás ou até do Brasil”, em termos de preservação, e é “uma das principais áreas de acampamento evangélico”.
Destacou ainda que, nos retiros realizados, pessoas passam por uma “transformação de vida e são alcançadas para Jesus. Isso é o que mais gratifica”, declarou. “É um lugar separado para as pessoas ouvirem a palavra de Deus. E é um lugar separado para que vidas sejam transformadas”, continuou. “Deus está presente neste lugar”, disse em tom eufórico.
De acordo com Paulo Borges, o El Rancho é fundamental para as pessoas perceberem o “quanto Deus é importante” e é onde alguns “tomam um novo propósito”. Ele entende, ainda, que as “pessoas ficam deslumbradas com a beleza natural do acampamento. Enquanto o Brasil inteiro está lutando com dificuldade com água, nós temos dois poços”, evidenciou. Ele chamou o local de “bênção de Deus”. “Nós temos visto a alegria das pessoas saírem daqui totalmente transformadas. Isso é uma alegria muito grande, é um privilégio”, mencionou ainda.
“Juventude sobrevivente”
Giovanni Zardini é pastor titular da Igreja Presbiteriana de Anápolis, responsável pelos programas voltados a jovens. Ele destacou que, nos acampamentos realizados, tem crescido o número de moços e moças interessados em programações diferenciadas durante os feriados prolongados. Em 2014, por exemplo, aproximadamente 150 pessoas estiveram no acampamento de Carnaval, número que subiu para 244 em 2015.
“A Juventude Evangélica e seus convidados têm procurado bastante o que nós oferecemos aqui no acampamento”, explicitou. Ele destacou a existência, nestes eventos, de uma “programação dentro do ambiente religioso” e um “compromisso muito direto com uma extensão do que é o trabalho feito” em igrejas tradicionais históricas. O objetivo destes programas, para ele, é “dar uma mensagem e um programa contextualizados ao público-alvo”. Isto é feito, conforme explicou, “falando da palavra de Deus e tentando expressar os princípios da palavra de Deus”.
“Dentro do intuito de oferecer uma mensagem bíblica, de oferecer o evangelho do reino, que a igreja se propõe a fazer sempre e regularmente ao longo do ano, nesses retiros de acampamento nós fazemos isso de uma maneira muito especial”, explanou. Para ele, o tempo gasto com esta programação religiosa é para que os jovens “tenham a oportunidade de pensar a Bíblia”. São promovidos cultos em um ambiente “jovial e descontraído”, explicou ainda Giovanni Zardini.
Ele chamou os acampamentos de “reduto de criatividade”, onde os jovens ficam longe de eletroeletrônicos, ambiente de trabalho e podem usufruir de uma programação diferenciada, junto à natureza. “O El Rancho tem dado aos jovens da nossa região e de outras regiões do Brasil oportunidades muito variadas e múltiplas, positivamente falando”, destacou. Ele evidenciou que pessoas de diversos estados que procuram o Acampamento, muitas das vezes não têm o mesmo ambiente, com tantos recursos naturais, em seus estados de origem. No acampamento de Carnaval de 2015, visitantes de Brasília; Goiânia; Tocantins, Rio de Janeiro e Minas Gerais estiveram presentes.
Ele falou sobre a expectativa de quem promove estes acampamentos: “Nós esperamos ver conversão de vidas”. Para ele, a intenção é que jovens saiam “com uma perspectiva cristã da vida”. “Nosso alvo é pregar Cristo no coração delas”, enfatizou. E, chamou estes jovens que buscam, por exemplo, no Carnaval, uma opção diferenciada do que é oferecido em todo o país, de “geração sobrevivente”.
“Nós vemos aqui uma juventude sobrevivente. Temos a tradição de receber aqui, jovens que estão fora desse carnaval de rua, fora dessa cultura”. Ele enfatizou a importância de eles estarem “buscando algo muito além do que a cultura brasileira oferece em termos de carnaval de rua, em termos de música”. E afirmou que, após frequentarem o El Rancho, muitos saem do local “de forma diferente”. “Percebemos que as pessoas saem daqui melhores, transformadas pelo Evangelho”, evidenciou.
Seu relato sobre o acampamento não poderia ser diferente. Envolvido em um trabalho que lida com jovens de 18 a 30 anos, ele resume o sentimento gerado pelos acampamentos: “Há jovens buscando Deus, há jovens buscando esse programa, que se importam com a palavra de Deus. Isso já é muito caro para o coração. Isso, para nós, já é muito precioso. 240 jovens reunidos, cinco dias, quatro dias para cantar, para ouvir a Palavra, para brincar na natureza do El Rancho. E, tão somente isso: fazer novas amizades reflete uma saúde e um sucesso que, realmente, não tem preço. Isso é muito precioso para nós”.

Autor(a): Felipe Homsi

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