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Rotary faz denuncia de riscos à saúde e bem-estar de garis

Geral Comentários 22 de janeiro de 2016

Denúncia foi formalizada na Delegacia Regional do Trabalho. Além de trabalho insalubre, documento aponta as péssimas condições de higiene, quando os garis fazem suas refeições em calçadas ou debaixo de marquises, sem antes fazer a higiene


O Rotary Clube Anápolis Oeste protocolou na manhã do último dia 21, na Delegacia Regional do Trabalho, uma denúncia contra o Consórcio GC Ambiental, pelo tratamento dispensado aos seus empregados que trabalham no serviço de limpeza e conservação da Cidade. A denúncia, assinada pelo presidente do RC Anápolis Oeste, Vander Lúcio Barbosa e pelo secretário da entidade, Lucas Steffen, tem como base outras denúncias encaminhadas àquela organização não governamental, apontando indícios de alta insalubridade, sem as condições mínimas de higiene, a que são submetidos os empregados da GC Ambiental.
“Embora anônimos, os indícios de irregularidades apontados pelas denúncias foram realmente constatados in loco por membros rotarianos em alguns setores da Cidade”, disse o presidente Vander Lúcio Barbosa. Ele lembrou que o RC Anápolis Oeste é uma organização fundada há 42 anos na Cidade para, dentre outras atribuições, criar mudanças positivas e duradouras na comunidade e trabalhar incansavelmente para solucionar desafios nela inseridos.
Entregue ao Gerente Regional do Trabalho, Degmar Jacinto Pereira, o documento esclarece que entre as condições insalubres chegadas ao conhecimento do RC Anápolis Oeste se destaca a maneira como os empregados que atuam na limpeza e conservação da cidade fazem suas refeições. “Marmitas preparadas, ainda na madrugada, são levadas pelos trabalhadores aos seus locais de trabalho, em ruas e avenidas, amarradas ao carrinho manual coletor dos mais variados produtos descartados em lixeiras pela população, em um claro exemplo do risco sanitário por contaminação de bactérias e outros condutores de doenças, colocando em risco a saúde desses garis”, frisa a denúncia.
Desconforto
Preocupa o RC Anápolis Oeste, a maneira desconfortável e, até mesmo, humilhante, sem as condições mínimas de higiene apropriadas com que homens e mulheres, alguns em idade avançada, fazem suas refeições, de uma maneira geral, assentados nas calçadas públicas, logradouros diversos, debaixo de marquises de imóveis, quando não sob sol forte, chuva ou poeira.
O documento esclarece, ainda, que acompanham as denúncias chegadas ao conhecimento da organização informações adicionais dando conta do registro de diversos trabalhadores que já foram acometidos de algum tipo de “desarranjos intestinais”, dentre outras moléstias, em razão das condições desses procedimentos. “Caso as denúncias sejam comprovadas, isso não pode prosperar”, conclui o documento, antes, porém, solicitando ao gerente Regional do Trabalho e ao Ministério Público do Trabalho a sua apuração e posterior adoção de medidas aplicáveis ao problema.
Depois de receber a denúncia, o gerente Regional do Trabalho, Degmar Jacinto Pereira, informou que a GC Ambiental será oficialmente notificada pelo auditor fiscal do trabalho, Marcelo Mauad para que a empresa apresente uma proposta de melhoria das condições de trabalho dos garis. Segundo ele, a empresa terá prazo até 04 de fevereiro para solucionar o problema. Degmar Pereira revelou que tem conhecimento do problema desde a época em que a empresa Delta prestava serviço de limpeza e conservação da Cidade e que o órgão que dirige sempre observou as condições mínimas de conforto e higiene oferecida aos empregados para evitar que fiquem expostos às condições de insalubridade.
Segundo ele, uma das propostas a serem apresentadas a GC Ambiental seria a utilização de toldos removíveis em veículos onde seriam colocadas mesas e cadeiras para que os empregados possam fazer suas refeições. Outra sugestão seria a celebração de convênios com pequenos restaurantes, onde os empregados da empresa fariam sua alimentação, pagas com vale refeição.

Parcerias
Na GC Ambiental, o gerente Guilherme Aires informou que a empresa já está adotando as primeiras providências para adequar as condições de trabalho dos garis e de outros funcionários que trabalham nas ruas, observando as exigências legais para reduzir o índice de insalubridade às que estão submetidos no trabalho, para lhes oferecer conforto no horário das refeições e lhes proporcionar meios para a higiene pessoal. Ele reconhece que se trata de um problema de difícil solução ao lembrar que cerca 600 empregados atuam em várias frentes de serviço espalhadas por toda a Cidade e que, por essa razão, é impossível manter uma estrutura que lhes proporcione estes benefícios.
Antecipou, no entanto, que estão sendo providenciadas algumas parcerias com instituições públicas e privadas, como escolas, postos de saúde, igrejas, dentre outras, para que elas cedam seus espaços para que os funcionários da GC Ambiental que trabalham nas ruas façam as suas refeições nestes locais e usem seus banheiros para a higiene pessoal. “Alguns contatos já sinalizaram positivamente”, revelou Guilherme Aires, lembrando, porém, que para os seus funcionários utilizarem estes espaços a empresa ainda depende de uma autorização oficial.
De acordo com o gerente da GC Ambiental, depois de serem formalizadas estas parcerias, os funcionários serão orientados a procurarem estes locais para fazer suas refeições e a higiene pessoal, utilizando como orientação uma listagem com endereço e denominação de cada entidade parceira. Esta proposta seria apresentada pela GC Ambiental ao gerente da Regional do Trabalho e Emprego, Degmar Pereira durante uma reunião para se discutir o problema, marcada para o final da tarde da última quinta-feira (21).

Providências
Ainda na quinta-feira, o presidente do Rotary Clube Anápolis Oeste, Vander Lúcio Barbosa foi informado sobre o resultado da reunião da gerência Regional do Trabalho com a GC Ambiental. Conforme foi relatado, o MTE notificou oficialmente a empresa para regularização da situação apontada na denúncia e apresentação de documentos em matéria de saúde e segurança do trabalho. Dos 40 ítens da notificação do MTE, 25 foram solicitados para que a empresa apresentasse a respectiva documentação.
Após amplo debate entre as partes, chegou-se, também, ao consenso de que a melhor sugestão é utilizar a estrutura de praças, escolas, feirões e igrejas existentes nos bairros de varrição de Anápolis, pois são sete equipes de varrição diária em Anápolis, as quais fazem o percurso uma vez por semana em cada bairro, ou seja, um feirão teria que receber esses trabalhadores uma vez por semana para alimentação e descanso, sendo no máximo cinco vezes por mês. A empresa deverá informar o MTE sobre os locais escolhidos. Nos locais onde não houver estrutura de mesas e cadeiras, a empresa deverá adquirir. O gerente regional do Trabalho, Degmar Pereira, solicitou apoio do Rotary para atuar junto aos responsáveis pelos locais escolhidos, para demonstrar a importância da ação social.
Para o presidente do Rotary Clube Anápolis Oeste, Vander Lúcio Barbosa, a rápida resposta à denúncia apresentada, reflete a sua gravidade. Ele enalteceu os esforços do MTE e da CG Ambiental, ressaltando que a entidade, entretanto, estará vigilante para que efetivamente o acordo seja cumprido na integralidade e os trabalhadores tenham condições melhores e mais dignas após esta ação.

Autor(a): Ferreira Cunha

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