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Ronaldo Caiado terá muitos desafios para enfrentar em sua terra natal

Política Comentários 02 de novembro de 2018

Governador terá missão de concretizar projeto que, há vários anos, consomem recursos públicos, mas nunca saíram do papel


Não dá para falar que se trata de uma “herança maldita”. Mas, dá para dizer que os “gargalos” de Anápolis vão ocupar um espaço considerável na agenda do governador eleito, Ronaldo Caiado (DEM), após a sua posse, no dia 1º de janeiro próximo. Por sua vocação comercial, industrial e logística, o Município foi escolhido para abrigar projetos de impacto, não apenas, para a economia local, mas do Estado de Goiás. Entretanto, alguns desses projetos já se arrastam há anos, deixando um rastro de ceticismo na população.
Levantamento feito pelo Jornal CONTEXTO aponta, pelo menos, seis gargalos: a conclusão do Aeroporto de Cargas; o funcionamento da Plataforma Logística Multimodal; a operacionalização do Centro de Convenções; a revitalização das unidades de ensino da Rede Estadual e a conclusão da obra da Estação de Tratamento de Esgoto do Distrito Agro Industrial de Anápolis (ETE/DAIA). A partir de informações oficiais, colhidas junto ao Portal Transparência, que dá acesso à ferramenta GeoObras, do Tribunal de Contas do Estado e, também, no site da Agência Goiana de Transporte e Obras Públicas, pela ferramenta Cenário de Obras, dá para se ter om “raio-x” de a quantas andam os projetos, quando foram iniciados, prazos e pagamentos.
Começando pela parte mais simples, a ETE/DAIA deve ser o menor dos desafios a serem encarados no governo de Ronaldo Caiado. O contrato para a obra (nº 066), foi assinado no dia 22 de novembro de 2017 e a mesma teve início no dia 1º de dezembro daquele mesmo ano, com prazo de 360 dias para entrega. O prazo já está próximo do fim, mas, pelo visto, a obra não deve ser entregue este ano, mesmo porque, não há lançamento, na base de dados, de nenhuma medição, ou seja, nenhum pagamento. O investimento tem valor estimado de pouco mais de R$ 8,4 milhões. A obra está afeta à Companhia de Desenvolvimento do Estado de Goiás.
Outro projeto ainda inconcluso é o do Anel Viário do DAIA, também a cargo da CODEGO. De acordo com as informações do Portal da Transparência/TCE, esta obra tem uma extensão de 7,7 quilômetros, com o objetivo de ligar o DAIA à BR-060. O contrato (nº 041/2014-1) foi assinado em 2014. No entanto, o serviço foi paralisado e, depois, retomado em julho de 2017. O valor inicial era de R$ 9,2 milhões e houve um aditamento de mais de R$ 1 milhão, totalizando mais de R$ 10 milhões. Há promessa do atual Governo, de inaugurar, pelo menos, uma etapa desta obra este ano. Mas, é certo que a mesma não será entregue na sua totalidade.
O Centro de Convenções de Anápolis, inaugurado no ano passado, custou a bagatela de R$ 150,2 milhões, conforme a ferramenta Cenário de Obras da AGETOP. Consta, na mesma, que o valor inicial previsto era de R$ 112,2 milhões. Mas, houve um aditamento de R$ 25,6 milhões e um reajuste de R$ 12,3 milhões. O valor pago, conforme citado, foi de R$ 92,1 milhões. No Portal Transparência, a informação é um pouco divergente: o valor inicial é o mesmo, mas o valor total chegou a R$ 138,8 milhões, sendo, este, o mesmo valor de medição. A obra foi iniciada em 2013 (contrato 200/2013-1), totalizando 1.440 dias de execução, muito além dos 360 dias previstos no começo. Divergências à parte nos valores, o principal problema para o governo Ronaldo Caiado, será estabelecer a gestão deste espaço, cuja manutenção, devido ao porte da sua estrutura, é bastante onerosa.
Escolas
No dia 03 de junho de 2016, foi assinado um contrato (nº 143), prevendo a realização de obras de reforma em 77 unidades de ensino ligadas à Regional Anápolis da Secretaria Estadual de Educação. Conforme a ferramenta Cenário de Obras, a mesma foi paralisada no dia 30 de dezembro de 2014. O valor do contrato era de R$ 51,8 milhões e o valor de medição, divulgado, foi de R$ 2,2 milhões. Assim, será um desafio para o novo governo, melhorar a estrutura das escolas, boa parte delas, em estado bastante precário.

Aeroporto e Plataforma Multimodal: grandes obras, desafios gigantes
O maior gargalo para o futuro governo, deverá ser desatar o nó dos projetos estruturantes do Aeroporto de Cargas e da Plataforma Logística Multimodal. Se essas engrenagens, realmente, funcionarem, o impacto econômico será para todo o Estado e não, apenas, para Anápolis. Diga-se de passagem, o problema é como desatar esse nó.
A primeira etapa do Aeroporto de Cargas, segundo a ferramenta GeoBras/TCE, começou no dia 18 de agosto de 2010. O valor inicial era de R$ 94,1 milhões, havendo, posteriormente, um aditamento de R$ 46,5 milhões. Agora, a referida obra encontra-se na segunda etapa. As informações na ferramenta Cenário de Obras/AGETOP, dão conta de que o contrato (nº 040), tem previsão para o período de 16 de maio de 2016 a 06 de junho de 2019. O valor inicial era de R$ 55 milhões, sendo informado um aditamento de R$ 12,8 milhões e um reajuste de R$ 2,9 milhões, totalizando 70,8 milhões.
A Plataforma Logística não tem registros nas ferramentas de transparência. Mas, conforme notícias da época, a primeira etapa, que engloba a parte de infraestrutura, em uma área de 6.967.790,00 metros quadrados, contígua ao DAIA, foi inaugurada em 2007, a um custo de R$ 4,5 milhões. Porém, nenhum pedaço desse terreno foi ocupado por empreendimentos, porque desde então, não foi definido um modelo para a sua exploração.
No auge da campanha eleitoral deste ano, o atual governo chegou a abrir um certame para que uma parcela - cerca de 30% da área da Plataforma Logística - fosse leiloada, para abrigar indústrias de outras áreas, conforme pedido feito pela Associação Comercial e Industrial de Anápolis. O leilão, no entanto, foi frustrado por falta de interessados. Na véspera de o mesmo ocorrer, o então candidato Ronaldo Caiado (que na ocasião liderava com folga as pesquisas de intenções de votos), deu declarações polêmicas, dizendo que se o leilão ocorresse e ele fosse eleito, iria cancelar o ato e o dinheiro do investidor seria restituído na fila dos precatórios (no final).
O atual Governo tem condicionado o projeto da Plataforma Logística à conclusão do Aeroporto de Cargas, que já dura oito anos, e a operacionalização da Ferrovia Norte-Sul, que foi inaugurada em 2014, no governo da, então, Presidente Dilma Rousseff.
Fazer funcionar todas as peças - Aeroporto e Ferrovia - e estabelecer um modelo de exploração para o projeto da Plataforma Logística, portanto, são desafios que o futuro Governo de Goiás terá de enfrentar.

Autor(a): Claudius Brito

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