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Rodovias urbanas são armadilhas para a população

Trânsito Comentários 08 de janeiro de 2011

Problema enfrentado por grande parte dos municípios brasileiros, regiões densamente habitadas sofrem com o tráfego rodoviário. Anápolis já vive esse drama


Sem um plano diretor para o sistema viário, as cidades brasileiras, de uma maneira geral, vão alastrando suas fronteiras habitáveis, ocupando espaços às margens de rodovias de grande movimento. Esta combinação tem causado, ao longo do tempo, uma série de desacertos e a incidência, cada vez maior, de atropelamentos e outros desastres automobilísticos, resultando em mortes, mutilações e sequelas graves, provocando traumas irreparáveis para muitas famílias. Em que pese serem os escoadouros naturais do progresso e do desenvolvimento de qualquer região, as rodovias, em muitos casos, são grandes empecilhos para as administrações municipais.
Municípios mais ricos, e com maiores recursos, têm enfrentado o problema instalando passarelas suspensas para o trânsito de pedestres de uma margem para a outra das rodovias em seus perímetros urbanos. Outros conseguem viadutos, trincheiras e, em muitos casos, os chamados anéis viários, que desviam o tráfego pesado para as cercanias dos aglomerados. Entretanto, a maioria dos municípios do Brasil não dispõe dessa estrutura e convive, diariamente, com os dramas em relato. Anápolis está na relação das cidades em que o índice de acidentes envolvendo pedestres nas rodovias que cortam o perímetro urbano é considerado alarmante. Dados da Polícia Rodoviária Federal mostram que o assunto é preocupante.
Pontos negros
Pesquisas recentes mostram que existem os chamados “pontos negros” das rodovias que cortam Anápolis. O principal deles, de acordo com o número de acidentes, muitos inclusive com vítimas fatais, está localizado no Setor Arcoverde, na região próxima ao campus da Universidade Estadual de Goiás, entre os trevos de acesso a Brasília e ao Distrito Agro Industrial. São, em média, 12 bairros, densamente povoados cortados pela BR 060 (Brasília/Goiânia), setor tido com altamente habitado. Assim sendo, a movimentação de pedestres de um lado para o outro é volumosa e constante. A rigor, não existe sinalização e, muito menos, aparelhos que permitam aos pedestres trafegarem com segurança. A travessia é feita sem qualquer critério e as crianças são as principais vítimas. O trajeto entre a residência e a escola, principalmente, faz com que elas sejam obrigadas a atravessarem, diariamente, o citado trecho, em muitos casos, até por mais de uma vez.
São incontáveis os casos de mortes registrados naquele perímetro. Há dois meses duas crianças foram mortas. No final da última semana, outro caso de atropelamento com vítima fatal. Os moradores da região clamam por providências urgentes. A Polícia Rodoviária Federal alega que não tem como manter a fiscalização 24 horas por dia. No trecho, também, não existem redutores de velocidade, lombadas eletrônicas, passarelas ou trincheiras.
Mas, a BR 060 tem outros trechos urbanos considerados altamente perigosos. Nas regiões do Jardim Tesouro e do Bairro Santo Antônio, também, são constantes os casos de acidentes, em que pese a presença de um posto da Polícia Rodoviária Federal nas proximidades. Por ser rodovia federal e com pavimento de boa qualidade, a estrada permite o emprego de velocidade acima da média e, em caso de acidentes eles são, em sua maioria, fatais. Nem é preciso prestar muita atenção para se deparar com diversas cruzes fincadas à beira da referida estrada, sinalizando a morte de pessoas.
Providências
No trecho urbano da BR 153 (Belém Brasília) há, também, um elevado índice de preocupação. Por cortar bairros muito populosos como o Anápolis City, Bairro de Lourdes, Pirineus e vários outros, a BR é uma das mais perigosas de todo o Estado de Goiás. Devido a isso, houve, no decorrer dos últimos anos, forte pressão para que fossem adotadas providências no sentido de se diminuírem os casos de atropelamentos e outros desastres. A primeira delas ocorreu nos anos 90, quando a Prefeitura (Administração Wolney Martins) bancou a construção do Viaduto “Ayrton Senna”, inclusive instalado algumas passarelas que acabaram não sendo muito utilizadas. O local era conhecido como “trevo da morte” devido à alta incidência de atropelamentos. O mesmo ocorria na região da Vila Jaiara, conexão da BR 153 com a Avenida Fernando Costa.
Também devido à pressão política, o Governo Federal promoveu a formação do chamado “anel viário” ou “contorno de Anápolis”, duplicando o referido trecho, construindo viadutos e pontes em vários pontos. Ocorre que se por um lado melhorou o fluxo de veículos, a pista dupla, por outro, dificultou, ainda mais, a passagem de pedestres. Os acidentes continuaram acontecendo. Foi então que se decidiu pela formação de trincheiras, ou viadutos em trechos considerados problemáticos. Escolheram-se dois pontos: um na passagem do Bairro de Lourdes para o Anápolis City e, outro, na ligação do Jardim Progresso com o Parque dos Pirineus. A obra que tinha a previsão de um ano para a entrega, já se arrasta por mais de dois e, segundo avaliações de técnicos, ainda está longe de ser concluída. Também, a iluminação do referido trecho que, segundo o cronograma duraria nove meses, já tem mais de dois anos e nunca foi concluída. Segundo o que se apurou, a iluminação depende da conclusão das trincheiras para a passagem do cabeamento elétrico.
Enquanto isso não ocorre, a comunidade demonstra sinais de desesperança, uma vez que, com a mudança dos governos Federal Estadual, teme-se pelo atraso maior ainda da obra, devido às mudanças naturais que acontecerão nos comandos dos departamentos responsáveis. Mas, além da implantação de equipamentos sinalizadores e/ou trincheiras e viadutos, a comunidade clama por uma presença mais constante do policiamento, para se evitar o excesso de velocidade e o combate à direção perigosa, principalmente com a ingestão de bebida alcoólica, causadores da maioria dos acidentes rodoviários.
E a agravante para este setor é o surgimento de novos bairros, alguns deles já com dezenas de edificações prontas e habitadas. Só na região entre o trevo de aceso a Brasília e a Vila Jaiara, são seis novos loteamentos, todos eles liberados e com muitas construções. Isto significa que, em curto espaço de tempo, a região estará com um grande acréscimo de veículos na pista e de pedestres circulando de um lado para o outro.

Autor(a): Claudius Brito

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