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Rodovias federais que cortam a região são o retrato do descaso

Trânsito Comentários 09 de maio de 2014

Enquete do CONTEXTO buscou a opinião dos leitores sobre os problemas no viaduto do DAIA. Reportagem mostra que o problema ainda está longe de acabar


Levar cerca de 30, até 50, minutos para percorrer um trecho de menos de um quilômetro. É isso o que vem acontecendo com quem precisa transitar pela BR-060, na altura do acesso ao Distrito Agro Industrial de Anápolis (DAIA), onde está sendo construído um viaduto. Aliás, uma das obras mais aguardadas dos últimos tempos, devido à sua importância e necessidade. Para se ter uma ideia, segundo a Polícia Rodoviária Federal, por dia, passam pelo local em torno de 50 mil veículos, boa parte, caminhões que movimentam cargas dentro do próprio DAIA ou que utilizam a rodovia como a principal rota para as regiões Norte e Sudeste do País.
O CONTEXTO acompanhou todo o procedimento de licitação da obra do viaduto, que durou, exatos, 226 dias, do lançamento do edital até a declaração do Consórcio SETA/AJL, liderado pelas empresas SETA Serviços de Engenharia, Terraplenagem e Administração Ltda. e AJL Engenharia e Construção Ltda., como vencedor do certame para a realização da referida obra, que começou no dia 22 de abril de 2013, ou seja, há pouco mais de um ano. Neste espaço de tempo, foram vários os desdobramentos, infelizmente, com muitos pontos negativos e, o principal deles, foi a falta de planejamento para os desvios e rotas alternativas a serem utilizadas durante o período de serviço que, também, não tiveram, consequentemente, os valores previstos para essas “obras acessórias” no edital. A proposta vencedora teve o valor estimado de R$ 24,5 milhões e o prazo estipulado de oito meses para a conclusão da obra.
Diante tal situação, o início das obras foi pontuado por enormes congestionamentos nas pistas laterais e desvios, falta de sinalização e de informações sobre rotas alternativas. Fato que gerou uma série de reuniões da Associação Pró-Desenvolvimento do DAIA, formada por representações dos empresários e trabalhadores para acompanhar esta e outras demandas do Distrito.
Não bastassem essas preocupações, outras vieram a reboque, como o atraso no cronograma. Era para terminar em dezembro, depois passou para fevereiro e, agora, a informação é de que o prazo foi estendido para agosto. Na semana passada a empreiteira teve de interditar um desvio em uma pista lateral da BR-060 que fica próxima ao DAIA. Com isso, o outro lado da pista teve que abrir o fluxo de veículos em dois sentidos - até então, era feito em pista única. O resultado é que, de lá para cá, os congestionamentos de veículos foram agravados, porque a pista de rolamento é estreita, obrigando os motoristas a terem atenção redobrada no trecho.
No dia 02 de maio, a Associação Pró-Desenvolvimento do DAIA reuniu-se no canteiro de obras do viaduto para avaliar a situação, reunião esta que contou com as presenças do inspetor César Oliveira, da Polícia Rodoviária Federal; com o diretor da Companhia Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT), Alex Araújo; Carlos Eduardo, representante da SETA Engenharia e dois representantes do DNIT, Juliana e Inácio, além de representações classistas do empresariado e dos trabalhadores. Segundo foi dito na reunião (relatada em ata ao qual o CONTEXTO teve acesso), o representante do consórcio confirmou que, se não houver contratempos com as adutoras da Saneago e cabos óticos toda a obra será entregue. Foi constatado, durante a visita ao local, que a empresa trabalha, também, para solucionar o problema em uma das bases do encabeçamento do viaduto que estaria cedendo. De acordo com o superintendente do Porto Seco, Edson Tavares e o inspetor César Oliveira, que estiveram no local, o problema está bastante visível e, embora não confirmado oficialmente, pode ter ocorrido pelo mesmo problema verificado no Túnel 2 da Ferrovia Norte-Sul, devido à existência de minas d´água no subsolo. No caso da obra da Norte-Sul, foi necessário realizar um grande serviço de drenagem, que destruiu toda a pista do que, até então, era o Kartódromo Internacional de Anápolis.
Além disso, o tráfego intenso nas vias laterais e desvios, danificaram o asfalto e para enfrentar a passagem, é preciso driblar enormes crateras. Na rodovia, os trechos danificados não têm previsão de recuperação, pois a mesma foi privatizada a empresa vencedora da concorrência aberta pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem prazo de nove meses para fazer intervenções e melhorias, antes de iniciar a cobrança de pedágio. Ou seja, já não é mais responsabilidade do DNIT e o consórcio que constrói o viaduto, é por sua vez, responsável apenas pelo trecho da obra. A confusão extrapolou os limites das pistas do viaduto da BR-060.

Ministério público cobra respostas do DNIT
Na última segunda-feira, 05, o caso foi parar no Ministério Público, numa reunião, também, provocada pela Associação Pró-Desenvolvimento do DAIA, com os promotores Marcelo Henrique dos Santos e Sandra Mara Garbelini. Dessa reunião, saiu a primeira providência, que foi uma notificação do MP, para que o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) apresente, de forma detalhada, o cronograma da obra e o que está sendo feito ou cobrado para solucionar os problemas nos desvios relativos à conservação de pistas e sinalização de todo o trecho de influência da obra. De acordo com os representantes do Ministério Público, a medida se justifica diante do clamor popular e os riscos iminentes de acidentes, que podem resultar em perdas de vidas.
O presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas no Estado de Goiás (SINDIFARGO), Marçal Henrique Soares, relatou as dificuldades que as empresas do setor - e também de outros segmentos - enfrentam com os atrasos de funcionários, o que, em alguns casos, prejudica o funcionamento das linhas de produção, causando enormes prejuízos. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químico-Farmacêuticas do Município, Marly Alves Chaveiro, foi mais adiante, afirmando que os transtornos não afetam, apenas, a rotina no trabalho, mas também, na família e nos estudos, já que muitos trabalhadores têm de adiantar a hora de saída e não podem deixar os filhos nas escolas ou, aqueles que estudam à noite, perdem aula devido aos atrasos no transporte decorrentes dos congestionamentos. O gerente de Confecção da Unidade Anápolis da Cia Hering, Cláudio Schwaderer, disse que o DNIT tem dado pouca atenção ao problema enfrentado pelos anapolinos e pelas demais pessoas que necessitam trafegar pela rodovia, utilizando o trecho do viaduto.
De acordo com os promotores Marcelo Henrique dos Santos e Sandra Mara Garbelini, a primeira providência prática será este pedido de informações ao DNIT. Não havendo uma resposta a contento, será feito um trabalho conjunto com o Ministério Público Federal que poderá resultar em uma Ação Civil Pública para apurar responsabilidades sobre os problemas que estão gerando os transtornos em torno da obra. De acordo com a promotora Sandra Mara, é natural que uma obra de tal porte gere transtornos. Entretanto, conforme avaliou, não da forma como está ocorrendo e, sobretudo, com a falta de informações e, informações desencontradas sobre a sua execução. O MPF, inclusive, já havia acompanhado a questão, quando, anterior a última licitação, outra teve de ser canceladas por denúncias de irregularidades, como sobrepreço.
O superintendente do Porto Seco, Edson Tavares, foi informado pelo superintende regional do DNIT, Roberto Viana de Sousa, acerca de uma vistoria técnica programada para ocorrer nesta sexta-feira, 09. Foi indagado se o trabalho não poderia ser antecipado, devido à gravidade da situação, mas não houve uma resposta positiva. A PRF apontou a solução alternativa, que seria a construção de uma pista margeando o Kartódromo Internacional, até à pista de rolamentos que foi feita próxima da obra do Centro de Convenções. Essa proposta deve ser estudada pelos técnicos. Mas, se não der certo, tudo volta à estaca zero.

Mais problemas ao longo da rodovia
O viaduto do Distrito Agro Industrial não é o único a causar transtornos. Velha conhecida dos condutores que trafegam na BR-153, em direção ao Norte, a obra do viaduto de Interlândia já fez vários aniversários. Durante anos, os moradores do Distrito se viram incomodados com o pesado tráfego de caminhões passando à frente de suas casas e pontos comerciais. No período da seca, sofrendo com a poeira e, no período chuvoso, com a lama.
E, ainda nem ficou pronto, perto daquele viaduto, já tem trechos da pavimentação asfáltica deteriorados, conforme constatou a reportagem. Em alguns locais, existem enormes crateras, obrigando os motoristas a fazerem manobras arriscadas. É cena comum na Belém-Brasília, ter vários carros parados com pneus danificados.
Outro problema é a sinalização, em muitos pontos, ela está escondida pelo matagal e em outros, apesar de estarem descobertas, se tornaram alvo de pichadores, problema este que foge à alçada do próprio DNIT e das empresas que fazem a conservação da estrada.
Segundo a fiscal de obras do órgão em Anápolis, Isa Lorena, o viaduto de Interlândia tem previsão para ser entregue até 30 de agosto próximo, bem como os serviços de manutenção que incluem a recuperação asfáltica, a poda do mato e as melhorias na sinalização vertical. Isso vale para todo trecho da rodovia, até no Município de Rialma. Conforme destacou, o DNIT está cobrando de forma persistente a finalização desses trabalhos por parte das empresas responsáveis.
Além disso, a engenheira do DNIT informou que já está sendo licitado o serviço para manutenção e reforço da estrutura da ponte sobre o Ribeirão Antas, nas proximidades do Clube Lírios do Campo, que conforme denúncia do Vereador Jerry Cabeleireiro, publicada com exclusividade pelo CONTEXTO, estaria comprometida. A representante do DNIT informou que não há maiores riscos. Entretanto, a promotora Sandra Mara Garbelini considerou que a situação está “bastante caótica”.

Autor(a): Cláudius Brito

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