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Ribeirão Antas agoniza

Cidade Comentários 19 de maro de 2011

Curso d’água que deu origem à Cidade de Anápolis enfrenta sérios problemas de degradação, muito embora ainda não seja considerado “um caso perdido”


Nem córrego (pequeno volume de água corrente originário de nascentes de encostas, e/ou minas) nem rio (curso de água doce alimentado por afluentes secundários, dirigindo-se a outro rio maior, a um lago ou a um oceano). O mais conhecido curso de água no Município de Anápolis é o Ribeirão Antas. Ribeirão significa pequeno rio, maior que córrego ou ribeiro. Ele consiste na principal bacia hidrográfica do Município que conta com outras quatro (Caldas; Piancó, Padre Souza e João Leite), duas delas, também, banhando o perímetro urbano. São elas Caldas e João Leite. As águas da Bacia do Ribeirão “Padre Souza” seguem em direção ao Rio Tocantins.
Mas, o Ribeirão Antas, curso d’água que deu origem a Anápolis é o que mais preocupa e o que mais chama a atenção. Primeiro por que ele corta toda a cidade no sentido sul/norte, nascendo na região do Parque Calixtópolis, ele observa uma ligeira derivação para o Oeste, voltando, em seguida, para o rumo Norte, cortando bairros como o Residencial Pedro Ludovico, Parque das Primaveras, Vila São Joaquim, Conjunto Nações Unidas, atravessando todo o centro da Cidade, seguindo rumo Leste para a região do conglomerado de bairros ancorado pelo Recanto do Sol, indo desaguar no Rio Corumbá, já fora do território anapolino.
Em sua trajetória de mais de 26 quilômetros (dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos), o Ribeirão Antas recebe águas de importantes afluentes, dentre eles os córregos “Góis”, na altura da Avenida “Miguel João”; “João Cesário”, entre o Ginásio Internacional “Newton de Faria” e o Brasil Park Shopping; Água Fria e Ipiranga, na região do Bairro Jundiaí/Vila Santa Maria de Nazareth e Reboleira, depois da Estação de Tratamento do Esgotos, região do Recanto do Sol. E, é na região central que reside o maior problema do Ribeirão Antas, em duas vertentes distintas: a poluição, causada por dois importantes agentes e o assoreamento, por conta da extinção das matas ciliares e da vegetação que o margeava.

Poluição
Sobre a poluição, o Secretário Municipal de Meio Ambiente, Luiz Henrique Ribeiro, assegura que ela é grave, mas não desesperadora e que o Ribeirão não é “um caso perdido”. Tudo isso, segundo ele, devido ao trabalho realizado no final da década de 80 (Governo Henrique Santillo), quando foi implantada a rede coletora de esgotos sanitários que, na época, contemplava mais de 70 por cento da região habitada. Os maiores desafios enfrentados, neste ponto, são o derramamento de substâncias graxosas (óleo lubrificante e resíduos, principalmente de postos de combustíveis e lavajatos, jogados na rede de captação de águas pluviais sem qualquer tratamento que vão para o leito do Antas e de seus afluentes e, também, o esgotamento sanitário de residências e/ou estabelecimentos comerciais. “Há casos, como o das ocupações irregulares (invasões) em que se construíram edificações nas margens dos córregos, onde não é possível a extensão da rede coletora da Saneago, o que permite a liberação dos esgotos in natura diretamente nos cursos d’água”, diz o secretário.
Neste ponto, Luiz Henrique faz uma ressalva, destacando a parceria de muitas empresas que estão entendendo a necessidade de uma política ambiental mais correta e têm colaborado para isso. “Um caso concreto é o da TCA (Transportes Coletivos de Anápolis) onde a diretoria, há cerca de seis anos implantou um sistema de reaproveitamento da água usada para a lavagem dos veículos e não despeja um litro sequer na rede. Toda a água de seu complexo é empregada na irrigação dos jardins e na lavagem de calçadas, veículos e outras utilidades”, diz Luiz Henrique Ribeiro.
Assoreamento
Quanto à degradação do Ribeirão Antas que está assoreado em sua maior extensão, o Secretário do Meio Ambiente assegura que se trata de um problema crônico, iniciado há décadas e que hoje começa a preocupar. Segundo ele, a destruição das matas ciliares (reservas às margens dos córregos) em praticamente todo o setor urbano, tem feito com que as águas das chuvas, formando as conhecidas enxurradas, caiam diretamente nos córregos, levando todo tipo de sujeira, produto da sociedade. Muito lixo, como papel, plástico, pneus velhos, pedaços de móveis, e muito metal, vêm pela enxurrada e se acumula no leito dos córregos. “O resultado, todo mundo conhece. Assoreamento, inundações e alagamentos, que estão se tornando cada vez mais frequentes em Anápolis”, diz o Secretário do Meio Ambiente.



Ribeirão das Antas
Soluções passam pela educação ambiental da população
Ainda, de acordo com Luiz Henrique Ribeiro, existem soluções para esses problemas, a começar de uma reeducação ambiental do povo. “As pessoas precisam entender que dispensar o esgoto sanitário nas redes pluviais e, mesmo diretamente nos córregos, além de ser um crime ambiental, provoca danos irreparáveis à natureza. Muita gente tem a rede coletora em sua porta, mas prefere transgredir a lei, jogando o esgoto nas bocas de lobo”, justifica. Outra agressão à natureza condenada pelo Secretário é a dispensação do lixo urbano em regiões próximas aos córregos. Segundo ele, na primeira chuva vai tudo para dentro da água.
As soluções práticas, muitas delas em andamento, foram listadas pelo titular da Secretaria do Meio Ambiente. Uma delas é a formação de parques ambientais nas proximidades dos córregos, o que provoca uma vigilância maior e o próprio constrangimento da população em poluir o ambiente. Ele cita o exemplo dos parques “Antônio Marmo Canedo”; “Onofre Quinan”; “JK”; “Antônio Crispim” e, mais recentemente, do Ipiranga. E adianta que com a implantação do Parque das Antas, margeando a Ferrovia Norte Sul, uma considerável parte do Ribeirão Antas vai ser preservada.
Quanto ao trajeto do Ribeirão Antas que já foi canalizado com concreto (desde a Rua Engenheiro Portella, até o Andracel Center) Luiz Henrique diz que o grande problema é o derramamento de esgotos sanitários e de empresas que lidam com substâncias derivadas de petróleo. Ele assegura que, nestes locais, não há como recuperar o estado original. “Ainda, segundo ele, um grande erro foi, no passado, permitirem construções como o Centro Administrativo; a Praça do Ancião; o Fórum Municipal, a Delegacia Fiscal e outros que estão, literalmente, em cima do leito do Ribeirão.
Já para os locais de onde foi retirada a cobertura vegetal, tanto no Ribeirão Antas quanto em seus afluentes, a solução, que já está em andamento, é o emprego da técnica conhecida como “gabião”, ou seja: uma parede de pedras encaixadas, revestida por uma tela metálica, permitindo a drenagem natural. Esse recurso já foi aplicado na região da Avenida Universitária, onde se construiu a nova passagem sobre o Córrego João Cesário. Trata-se de um trabalho demorado, dispendioso, mas extremamente necessário. De acordo com o Secretário Luiz Henrique, estas providências devem ser adotadas ininterruptamente, a fim de se evitar que o Ribeirão Antas se transforme em um caso de calamidade pública, como ocorre em São Paulo, com o rios Tietê, Tamanduateí e Pinheiros, assim como em outras cidades, onde os cursos d’água existentes nos perímetros urbanos se constituem nos maiores desafios enfrentados pelas administrações. Para ele, o Ribeirão Antas ainda é recuperável em sua maior parte, o que depende, muito mais, da comunidade do que do próprio poder público.
Recomendações
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente elaborou, recentemente, uma proposta dentro da Agenda 21, contemplando o Município com uma série de ações que podem refletir, diretamente, na questão ambiental, muito especificamente nas bacias hidrográficas do Município. São elas: Criar Unidades de Conservação de acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC); Estimular a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural RPPN’s, identificando propriedades particulares que possuam áreas de reserva prioritárias para conservação no município; Criar Parques Lineares que sirvam de corredores ecológicos para conservação e disseminação do patrimônio genético natural; Diminuir os impactos da criação de parcelamentos do solo que envolvam áreas de preservação permanente. Integrar as reservas legais às áreas de preservação permanente como forma de conservação da biodiversidade local; Realizar projeto de recomposição das áreas de preservação permanente relacionado com os recursos hídricos; Executar o cadastramento georreferenciado, monitoramento e fiscalização de todas as atividades desenvolvidas nas microbacias hidrográficas do município; Realizar programa de monitoramento da qualidade ambiental (físico e químico) com a coleta sistemática e análise da água dos principais corpos hídricos do município; Desenvolver ações de Educação Ambiental nas áreas naturais do município que recebem as maiores pressões de atividades antrópicas.

Autor(a): Nilton Pereira

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