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Revitalização da Estação Ferroviária dará espaço a um novo museu

Cidade Comentários 26 de outubro de 2012

Demanda judiciária estabelece demolição de parte do terminal urbano


Um patrimônio escondido no centro urbano de Anápolis. Uma construção que lembra, muito, uma fase importante do crescimento socioeconômico de Anápolis. Trata-se da antiga Estação Ferroviária “Prefeito José Fernandes Valente”, uma obra de arte antiga que esta ocultada há muitos anos. Inaugurada no dia Sete de Setembro de 1.935, ou seja, na primeira metade do século passado, o prédio guarda traços originais de sua arquitetura, muito a ver com a art décor. Há três décadas instalou-se ao seu redor, o terminal urbano da cidade.
A Estação encontra-se na condição de patrimônio histórico, sendo tombada de acordo com o Decreto-Lei nº. 25, de 30 de novembro de 1937. Segundo o historiador, Tiziano Mamede Chiarotti, existe um projeto para resgatar a memória daquele espaço. A ideia de reforma já é uma realidade e está na fase do projeto base, que procede a uma licitação para se começar a revitalização. “A realização do projeto base está a cargo de arquitetos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano Sustentável, com a assessoria do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN”. Consequentemente, após a sua reforma, será implantado, então, um novo museu para Anápolis que contribuirá ainda mais com a recordação da nossa cultura.
A população não se acostumou com o apelo histórico do prédio, o que demanda uma maior divulgação. Com o correr do tempo, desde a desativação da linha de ferro (na segunda metade da década de 70) que terminava no centro da Cidade mais especificamente no início da Vila São Jorge, a estação ferroviária foi perdendo as suas características e sua arquitetura se deteriorando. No final da década de 80 a Prefeitura transferiu o Terminal Urbano, que funcionava a céu aberto, na Praça Americano do Brasil, para a área posterior da Estação. Alguns anos depois, o Terminal foi ampliado construindo-se sua segunda etapa na frente do prédio. No art. 18 da lei do tombamento, assegura-se que ao redor do bem tombado não poderão fazer construções que lhe impeça ou reduza a sua visibilidade, nem nela colocar anúncios ou cartazes, e esta, não é bem a realidade em que se encontra. Tiziano explica, que o terminal está comprometido. “Existe uma demanda judiciária que já determinou a desobstrução de parte da estação ferroviária, estabelecendo a demolição do Terminal 2 ou novo Terminal, que está entre a Praça Americano do Brasil e a Estação Ferroviária”, afirma.
O outro lado desta história poderá ser lembrado através do acervo da estação que será composto por parte do acervo do Museu Histórico de Anápolis “Alderico Borges de Carvalho”, com objetos relacionados à ferrovia. Também será realizada uma compra de equipamentos modernos para fazer de lá um museu ligado à imagem e ao som, ou seja, um museu que preserve a memória audiovisual, fotografias ou em multimeios. Já existe uma Lei Municipal que cria este tipo de museu - a Lei nº. 3.091, de 14 de setembro de 2004 (autoria do então, vereador Mozart Soares Filho), que estabelece a criação de um centro de preservação da memória audiovisual de Anápolis denominado “Maestro Sizenando Gonzaga Jaime”. O historiador fala que o recurso para isso foi disponibilizado pelo Deputado Rubens Otoni, através de uma verba parlamentar, que já está devidamente conveniado com o Ministério da Cultura.
Na vontade de fazer com que as pessoas se interessem mais por esta história, algumas exposições em homenagens aos ferroviários já foram realizadas. Esses profissionais foram na época os arautos da modernidade, ou seja, os representantes do que era novo e do desenvolvimento do município. Anualmente, comemora-se com uma exposição o dia do ferroviário em Anápolis. Este evento vem sendo realizado desde o ano de 2008.
Existem vários relatos relacionados à ferrovia e a estação ferroviária. Tiziano Mamede cita uma nota feita em um artigo no terceiro periódico do Museu Histórico “Caderno de Pesquisas”, denominado “Estrada de Ferro: uma linha entre Manchester e Anápolis” e que é um relato do Jornal “Annapolis”, de número 24, do mês de setembro de 1935, quando se deu a inauguração da Estação Ferroviária. Diz assim: “Annapolis viveu no dia 07 do corrente o maior dia de toda a sua história com a inauguração da estrada de ferro, aspiração máxima do seu povo. (...) Desde dez dias antes da comemorável data, já a cidade se apresentava com um aspecto festivo, os hotéis cheios e um movimento desusado em nossas ruas que recrudescia, à proporção que se aproxima o feliz advento”.

Autor(a): Diego Bartelli

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