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Reverendo Wildo convida comunidade para garantir sobrevivência do projeto

Especial Comentários 13 de dezembro de 2018

Com o período de crise econômica nacional, a Missão Vida perdeu 10 mil apoiadores. Instituição precisa do apoio da população para que o trabalho histórico, com 35 anos de existência, não seja colocado em risco


Em muitas situações, para ajudar alguém, é preciso entrar no mundo dessa pessoa para entender o que se passa em sua vida. E é exatamente isso que o reverendo presbiteriano Wildo dos Anjos, presidente da Missão Vida, vem fazendo há 35 anos, oferecendo apoio e acolhendo mendigos de diversas partes do país. Em meio a dificuldade financeiras enfrentadas pela missão, principalmente em decorrência da crise financeira, o trabalho não parou, entretanto, mais do que nunca, o projeto precisa do apoio da comunidade para enfrentar a perda de mais de 10 mil apoiadores mensais nos últimos anos.
A Missão Vida atua em oito estados brasileiros no atendimento a homens em situação de rua, que são acolhidas e permanecem em regime de internato até sua recuperação. Assim que estão preparados para voltar ao convívio social, os internos são incentivados a desenvolver sua autonomia, vida profissional e convívio familiar. Mais de 800 internos são beneficiados. Além do trabalho no Brasil, a iniciativa ultrapassa as fronteiras internacionais. Em Madagascar, país localizado no continente africano, 250 crianças em situação de risco recebem ajuda.
Sobre a importância das ações desempenhadas, reverendo Wildo cita os trabalhos empreendidos no município de Cocalzinho de Goiás, onde há capacidade para 240 internos acolhidos na unidade da missão localizada naquela cidade. “Se nós pegássemos esses 240 mendigos e soltássemos eles nas ruas de Anápolis, o povo veria o caos que é a presença de tantas pessoas nessa situação”, pontua.
A Missão Vida vive um momento desafiador, especialmente na chegada do fim de ano. Somente com o 13º salário de seus mais de 200 funcionários, a instituição precisa arcar com mais de R$ 200 mil. Paralelamente, a unidade localizada no Estado da Paraíba está com obras em andamento e já recebe internos. Outra unidade começará a ser construída em São José do Rio Preto (SP). Com menos recursos financeiros para o projeto, a comunidade é conclamada a ajudar na concretização dos sonhos do reverendo Wildo dos Anjos, que desde 1983 lidera esse grande projeto de apoio a pessoas em situação de rua.
“Esse ano foi o ano mais difícil que tivemos”, menciona Wildo sobre a perda de 10 mil mantenedores e as demais dificuldades que vêm sendo enfrentadas. E os desafios não param por aí. Dois centros educacionais em Madagascar terão suas atividades iniciadas em breve, beneficiando 250 crianças. “Essas crianças já vêm sendo assistidas, mas de uma forma muito precária. Nós vamos, se Deus permitir, iniciar, ainda no primeiro semestre de 2019, a construção desses dois centros”, anuncia Wildo dos Anjos.

O dom de ajudar
Ao longo da sua atuação, reverendo Wildo aprendeu, como poucos, a desenvolver o dom de amar e ajudar ao próximo. Na bagagem, muitas lutas, mas também incontáveis vitórias que deram o ânimo necessário para que o projeto seguisse avante. O segredo? O diretor da Missão Vida tem a resposta para essa questão.
“Missão se faz com a promessa dos ricos e com o dinheiro dos pobres. Os que nos ajudam são os pobres. E nós temos visto muitos milagres, muitas transformações, centenas de milhares de transformações. E isso é o nosso combustível para continuarmos exercitando o trabalho que Deus nos confiou. Muitas vezes eu prefiro um homem bondoso que às vezes é egoísta, do que um egoísta que às vezes é bom. Se nós trabalharmos com essas pessoas que têm o desejo de fazer a coisa certa, certamente isso fará uma grande diferença na nossa nação e no mundo”, prega o reverendo presbiteriano Wildo dos Anjos.
Mais uma vez, ele convoca a população a não apenas admirar, mas ajudar a Missão Vida, cujo trabalho é reconhecido em vários países: “Isso (o trabalho da Missão Vida) tem sido feito por uma missão brasileira que não recebe recursos do exterior. Nós precisamos do apoio da população, precisamos do apoio das organizações, para que esse trabalho não pare, para que ele cresça. Porque o próprio Jesus nos advertiu que os pobres nós teríamos sempre conosco, porem ele não disse ‘cruzem os braços’”.
Ele aconselha a comunidade como um pastor que apascenta ovelhas. Wildo usa sempre o exemplo de Cristo, que muitas vezes amou sem ser amado. Ele ainda indica que é preciso ajudar sem orgulho próprio, pois, conforme elucidou, sem Deus o ser humano nada poderia fazer. “Ele nos desafia a amá-lo, não com nosso amor, não com a nossa força, não com a nossa inteligência, mas ele nos desafia a viver como ele viveu, como ele trabalhou. E o grande desejo da minha alma é gastar o resto da minha vida cuidando dessas pessoas e dando a elas oportunidades”, exclama.
Para o reverendo, na hora de apoiar quem precisa, é preciso deixar de lado a bandeira religiosa: “Eu, como pastor da Igreja Presbiteriana, quero muito que a minha igreja, que a minha denominação seja beneficiada. Porém, existem muitos trabalhos bons, como os espíritas, os católicos e de outras organizações, que deveriam receber uma ajuda forte para que eles possam alcançar melhor o seu objetivo”.
Por fim, ele destacou que falta iniciativa no meio religioso para que o trabalho junto a pessoas em situação de rua se fortaleça. “As pessoas estão a cada dia voltando-se mais para si. Há uma dificuldade muito grande por parte da igreja de servir. O próprio Jesus nos deixa claro no livro bíblico de Marcos que ele veio para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”, observa reverendo Wildo dos Anjos.

Política social
Wildo dos Anjos, presidente da Missão Vida, destaca que as pessoas em situação de rua no município de Anápolis são provenientes de outras localidades. “Nós não temos mendigos de Anápolis nas ruas de Anápolis. Talvez seja um dos poucos lugares no Brasil (com essa situação). Os mendigos que nós encontramos são mendigos que estão chegando de outras regiões”, explica. Para ele, não é apenas no município que deve ocorrer a discussão da política para pessoas em situação de rua.
Ele está animado com a formação do novo governo. Com a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República, ele espera que ações amplas sejam levadas adiante. Wildo menciona que orou por 90 dias para Deus ajudasse a população a escolher o governante. E acredita que suas preces foram atendidas.
“Fiquei feliz com a vitória do presidente Bolsonaro e confesso: acho que não vamos ter aquele tempo duro que nós vivemos de perseguição, de liberalismo. Acho que o presidente tem sido de uma fidelidade muito grande na escolha dos seus ministros. E nós, de maneira especial, dependemos da Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad), ligada ao Ministério da Justiça. É a Senad que estabelece as diretrizes para as instituições que atuam no setor de recuperação”, explicitou reverendo Wildo.
A atual gestão da área social precisa de mudanças, conforme apresenta: “É uma política que enxuga gelo e eu acho que precisaria mudar. Eu acho que o Governo Federal precisaria preparar pessoas para atuarem de forma mais decisiva junto à população de rua, seja mendigo, seja usuário de crack ou outras drogas. Eu acho que nós podemos fazer um grande trabalho”.
Ele comenta ainda que é preciso “fazer uma separação entre o joio e o trigo”, ou seja, de pessoas de má índole e aquelas com boa intenção que atuam na área de apoio a pessoas em situação de rua. “Há muitos picaretas, infelizmente, ganhando dinheiro graças ao trabalho de ação social. E eu diria que essas pessoas que fazem isso são mais pobres do que os pobres de Deus. E elas precisam ser punidas de forma exemplar, porque aqueles que fazem as coisas de forma correta, fazem com muito esforço, com muita dedicação”, aborda.

Fama e social
Pastor Wildo já é conhecido no Brasil e no mundo. Veículos de comunicação nacionais e internacionais já o entrevistaram, uma vez que seu trabalho é um dos pioneiros no Brasil. Ele já foi entrevistado até pelo apresentador Jô Soares. Apesar do estrelato, ele não deixa que sua imagem brilhe mais do que o projeto. “Eu acho que ‘para que vejam as nossas boas obras e glorifiquem o vosso pai celeste (citação de Mateus 5:16)’. Então, quando as pessoas veem o que estou fazendo, eu preciso levantar a bola de Deus. E quando eu levanto a dele, a minha vai junto. Eu acho que quem tem que brilhar é o próprio Jesus. Eu sou apenas um servo e nada mais”, disse em tom de humildade.
Ele ainda falou sobre seus projetos futuros: “Eu tenho um projeto, de estar à frente da missão por 40 anos. Ou seja: faltam cinco anos. Depois desse projeto de cinco anos, quando a Missão completar 40 anos e eu completar 60 anos, eu quero me dedicar mais a escrever. Eu escrevi nos últimos anos 18 livros. Eu quero escrever mais e quero viajar pelo Brasil e pelo mundo compartilhando as experiências que Deus me deu neste ministério”.
Ele, que representa a imagem da Missão Vida, leva o nome da instituição mundo afora. Apesar de possuir cargo diretivo na Missão Vida, não depende financeiramente da organização. Ele usa a maior parte do seu tempo para ajudar pessoas em situação de rua. “Deus me deu uma condição financeira para que eu não precisasse ser mantido pela missão, mas o trabalho da Missão Vida não pode parar por falta de recursos. Então, dificilmente você vai me encontrar em um final de semana em Anápolis. Ou eu estou em algum lugar do mundo ou eu estou em algum lugar do Brasil, fazendo palestras, pregando, para levantar novos colaboradores”, conclui.

Autor(a): Felipe Homsi & Vander Lúcio Barbosa

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