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“Resultado das urnas tem de ser respeitado pelos políticos”

Política Comentários 27 de maro de 2015

O Deputado Federal Rubens Otoni (PT), no exercício de seu quarto mandato, falou ao Contexto sobre o momento político atual do País e sobre os projetos que vem trabalhando para este e os próximos anos no Município


O senhor vê que, hoje, o PT estaria fragilizado ou desgastado depois de 12 anos no poder e, agora, iniciando um novo mandato presidencial?

Rubens Otoni - De maneira alguma. Vejo que o PT está num momento diferente da sua caminhada e se consolida como um partido que criou as condições para mudanças importantes no País; um partido que, nos seus 35 anos de caminhada, elaborou estratégias de políticas públicas fundamentais e, quando teve a oportunidade de chegar ao Governo Federal, deu concretude a estas políticas e, com elas, inclusão a milhões de brasileiros e brasileiros que não tinham um mínimo de acesso para viver com dignidade e de exercerem a sua cidadania. Agora, é um partido que está no poder há 12 anos e, naturalmente, enfrenta os desafios dessa realidade. Mas, enfrenta esses desafios com muita maturidade e responsabilidade. Nós temos a responsabilidade de reconhecer as nossas falhas, os nossos erros. Mas, temos a cabeça erguida de comparar que o que temos de fragilidade, de erro e o que nós temos de acerto e vitórias elas são muito maiores do que as nossas limitações.

O PT, desde que nasceu, foi um partido de oposição que mobilizava as massas para fazer protestos contra os seus oponentes e, agora, do outro lado, prova desse remédio. É um remédio amargo?

Rubens Otoni - Essa é uma pergunta muito importante. Eu tenho dito que nós temos um respeito muito grande pelas manifestações de rua, porque nós nascemos das ruas e sabemos a importância dessas manifestações, que fazem parte da democracia. Diferentemente de governos anteriores. Quando fazíamos manifestações éramos perseguidos e, até, parlamentares eram recebidos no Palácio do Planalto, na época do Fernando Henrique (Cardoso, ex-presidente da República, PSDB), acuados por cachorros. No nosso governo não é assim. Nós respeitamos essas manifestações, mesmo quando elas não tenham o mesmo entendimento que nós temos. Agora, do mesmo jeito que entendemos que as manifestações são democráticas, nós temos consciência de que o resultado das urnas também é democrático. E o que o resultado das urnas encaminha: quem ganha nas urnas, governa; quem perde tem de se preparar para outra. Alguns segmentos da oposição não se deram conta disso, participaram de uma eleição, do 1º e do 2º turno e, agora, insiste num terceiro turno. É aí que está a nossa crítica. As manifestações de rua não têm problema, agora aqueles que tentam manipular as manifestações para, quem sabe, alcançar um objetivo particular de alcançar o poder sem ter necessariamente que passar pelas urnas, isso nós repudiamos.

Como o senhor vê que a presidente Dilma Rousseff poderá reverter esta situação, com a credibilidade em baixa e, ainda, às vésperas de um pacote de medidas econômicas impopulares que vão trazer mais arrocho para a população?

Rubens Otoni - O nosso governo tem o desafio, sob a coordenação da Presidenta Dilma de trabalhar e trabalhar com muita humildade, em primeiro lugar, reconhecendo o momento difícil e as falhas e os erros. O primeiro passo, portanto, é a humildade. O segundo é a capacidade de trabalho, de enxergar a realidade como ela é e a partir daí trabalhar para avançarmos. Hoje, estamos enfrentando uma crise econômica que não é só do Brasil. É uma crise econômica mundial e não é de hoje, ela vem desde 2008. Ela bateu pesado nos Estados Unidos, onde eles tiveram diversas consequências e bateu forte também na Europa, onde nós temos países que convivem com taxas de desemprego de mais de 25% e um dos lugares onde ela bateu menos forte foi no Brasil, porque nosso governo, com políticas públicas responsáveis, conseguiu segurar essas consequências. Só que isso tem um limite e a crise se estendeu, agravou e não acabou. Então, nós chegamos a 2015 ainda com uma crise mundial. E eu vejo que isso é como uma corrida de Fórmula 1: você está correndo a 250, 300 quilômetros por hora e aí percebe que, para chegar ao final da corrida, você tem que fazer um pit stop, tem que ir para o box para abastecer e trocar o pneu. E, quando você para nos boxes, quem está na arquibancada fica receoso. Será que desistiu da corrida? Não, às vezes, você vai para o box para voltar com força para completar a corrida. É o nosso governo. Nós tivemos 12 anos intensos, onde conseguimos segurar as consequências da crise mundial. Só que chegamos ao limite e 2015 é o ano do nosso pit stop; é o ano do nosso ajuste fiscal é a nossa parada para reabastecer e voltar com força para completar nosso governo em 2016, 2017 e 2018. E a presidenta Dilma não será julgada apenas pelos quatro primeiros meses de seu segundo governo, mas pelos quatro anos. E eu não tenho dúvida nenhuma que ao final desse governo, a população brasileira vai reconhecer que ela precisava fazer este ajuste, que é um remédio amargo.

Um dos calos do Governo do PT é o PMDB, que não é oposição, mas é o principal aliado. Como o senhor vê hoje a relação entre os dois partidos?

Rubens Otoni - Não vejo como um problema. Temos bom entendimento com grande parte das lideranças do PMDB e, é verdade que, com algumas delas, o relacionamento é mais difícil. Na realidade, nosso governo tem uma dificuldade na governabilidade, devido ao sistema político eleitoral brasileiro que qualquer um que chegar ao poder terá dificuldade com a governabilidade. Porque é um sistema que, ao longo do tempo, ficou muito pulverizado na sua representação. Nós temos hoje, na Câmara dos Deputados, 28 partidos. Então, para construir uma governabilidade neste cenário não é tão simples. Para que vocês tenham uma ideia, nossa Presidenta foi eleita com mais de 50% dos votos e o seu partido, que é o PT, tem 13% da Câmara Federal. Se só tem 13%, para fazer uma boa composição, tem que negociar com quantos partidos? Isso são desafios e faz parte do jogo e da realidade que estamos vivendo.

Em Goiás, o PT e o PMDB poderão caminhar juntos nas eleições de 2016?

Rubens Otoni - É importante lembrar que a eleição de 2016 não é uma eleição estadual, ela é municipal e as alianças serão tratadas em cada município, dependendo da realidade de cada local. Então, certamente, nós teremos alguns municípios em que seremos aliados do PMDB, em outros talvez, não e até pode ser que em alguns municípios tenhamos disputas entre os dois partidos. Qual é a orientação que o Partido dos Trabalhadores dará aos seus diretórios municipais? É que todos os diretórios devem dialogar com os partidos que fazem parte do arco de apoio ao Governo da Presidenta Dilma. Entre eles, está o PMDB, mas nós temos também outros partidos.

O senhor já pode vislumbrar algum cenário para as eleições de 2016, em Anápolis?

Rubens Otoni - Nós estamos muito atentos a esta disputa em Anápolis. O diretório do partido, agora sob o comando da nossa Presidenta, Professora Geli, já começa a ser organizar e preparar. De nossa parte, já temos uma estratégia definida que é trabalhar este ano todo para fortalecermos e fazermos da administração do Prefeito João Gomes uma gestão cada vez mais vitoriosa e que seja o espelho para apresentarmos, em 2016, a sua candidatura à reeleição. Ele é o nosso nome, é uma liderança consolidada e nós estamos muito orgulhosos do que ele já tem realizado até agora e temos absoluta certeza de que este segundo ano será melhor ainda com muitas ações, muitos projetos e muitas obras para a nossa cidade.

Quanto ao PSDB, o senhor acha que o partido deverá também trazer um candidato forte para concorrer às eleições no Município?

Rubens Otoni - O PSDB é nosso adversário no nível federal, no nível estadual e aqui na cidade de Anápolis não tem sido diferente. Acho que é natural que eles lancem candidato. Mas, esta não é nossa preocupação. Vamos nos focar no nosso projeto, no nosso trabalho, nas nossas propostas e no nosso diálogo com a população. Desta forma, estaremos preparados para enfrentar qualquer candidato, independentemente de partido político.

O senhor faz parte, no Congresso, da Comissão da Reforma Política. Uma reforma que, aliás, está há mais de 20 anos sem avançar. Agora vai?

Rubens Otoni - A reforma política é a mais necessária para fortalecermos a democracia brasileira e, infelizmente, não tem avançado pelas contradições e falta de consenso em pontos estratégicos. Mas, eu espero que possamos avançar na votação este ano e tenho trabalhado para isso como vice-presidente da comissão na Câmara dos Deputados. E tenho consciência que, dentro de vários temas que a reforma pode abordar, é extremamente necessário que a gente diminua a influência do poder econômico na escolha dos nossos representantes. Este, a meu ver, é um dos problemas mais graves que temos no nosso sistema político eleitoral. Todas essas investigações que nós estamos acompanhando, este cenário de turbulência política, tem o nascedouro, que é como se faz o financiamento das campanhas e dos partidos. Então, precisamos de uma forma ou de outra, achar um caminho: se é financiamento público; se é simplesmente proibir o financiamento das empresas; se é ter só financiamento a partir de pessoas físicas. Enfim, temos de descobrir qual é o melhor caminho, porque não dá mais para convivermos com uma realidade em que o representante no nível municipal, estadual ou federal é escolhido muito mais pelo dinheiro e a estrutura que ele apresenta na campanha, do que necessariamente pelas ideias, projetos e compromissos que ele tem com a comunidade. Isso precisa mudar.

Além do financiamento público, quais outros pontos que o senhor avalia como fundamentais dentro da reforma política?

Rubens Otoni - Eu vejo dois pontos fundamentais: um deles é esse, diminuir a importância do poder econômico e o outro é diminuir a distância que existe entre o representante, aquele que é eleito, e a população. O mundo mudou muito. Hoje, a velocidade das informações é gigantesca. Então, a população não aceita mais este afastamento do representante e, às vezes poder julgá-lo somente daqui a quatro anos. A população quer acompanhar de perto e saber o que está acontecendo. Nós precisamos nesta reforma política, criar mecanismos para que a nossa democracia seja além de uma democracia representativa. Ela tem que ter elementos de democracia participativa com debates, audiências públicas e, às vezes, mecanismos de democracia direta onde, eventualmente, a população seja chamada a decidir sobre determinados temas, como já existe em outros países. Então vejo que este é um ponto que devemos inserir na reforma política, ou seja, a ampliação das audiências públicas, dos conselhos populares, os plebiscitos, referendos e outros instrumentos para que a população esteja mais perto das decisões e, com isso, ela dê mais credibilidade a este projeto político.

Quais são as prioridades neste novo mandato que o senhor iniciou agora recentemente, especialmente, para Anápolis?

Rubens Otoni - Nós estamos, é verdade, vivendo uma nova etapa do nosso trabalho político e eu tenho orgulho da nossa trajetória e de, ao longo dos anos, ter representado o nosso Estado e a Cidade de Anápolis no Congresso Nacional e, mais ainda, pelo que pudemos realizar trazendo benefícios importantes, obras estratégicas que colocaram Anápolis numa posição privilegiada de logística e que dá à nossa cidade uma condição muito competitiva. Nós podemos citar obras como a duplicação Anápolis-Brasília; o contorno de Anápolis, com toda a duplicação até Distrito de Interlândia; o viaduto do DAIA; a Ferrovia Norte-Sul. São obras que se somam a ações dentro da própria cidade, como dezenas de creches, postos de saúde, ginásios de esportes, de asfalto nos bairros com recursos federais, que teve a nossa participação. Tudo isso faz com que eu fique mais motivado para trabalhar e, respondendo à pergunta: - qual o projeto para agora? Mais do que nunca quero fazer nestes quatro anos, mais do que fizemos nos 12 anos passados. E nós já temos articulado para podermos realizar este semestre, um projeto coordenado pelo nosso Prefeito João Gomes, para uma grande obra de mobilidade urbana, que vai modificar a realidade da nossa Cidade, contribuindo para aquele que usa o transporte urbano, mas facilitando a vida também daquele que anda de carro. Vamos fazer todo um trabalho de adequação ao longo da Avenida Brasil, com viadutos cruzando a Rua Barão do Rio Branco, a Avenida Goiás, com a Amazílio Lino. Uma obra de mais de R$ 70 milhões, onde a Prefeitura Municipal, com a parceria do Governo Federal, num trabalho que há três anos nós estamos realizando, ele se torna realidade agora neste ano de 2015. Vamos trabalhar também junto ao Governo Federal, para fazermos a adequação do trecho da BR-060 que passa no perímetro urbano de Anápolis. Queremos construir um viaduto na intersecção com a Avenida Independência, próximo à Churrascaria Catarinense e outro viaduto na intersecção da BR-060 com a Avenida Pedro Ludovico, próximo ao Posto Presidente. Além de pistas laterais em todo o perímetro urbano, para melhorar o tráfego e a implantação de passarelas. Este é um trabalho que já estamos discutindo na Agência Nacional de Transportes Terrestres- ANTT. Já estive lá com o Prefeito João Gomes e estes projetos estão andando e vão acontecer dentro da administração coordenada do Prefeito João Gomes.

Autor(a): Claudius Brito

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