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Reincidência chega a 70% nos crimes de grande repercussão em Goiás

Segurança Comentários 28 de maro de 2014

Caso envolvendo a publicitária Pollyana Arruda Borges, assassinada em Goiânia, foi colocado como exemplo durante apresentação na SSP/GO. Governador defendeu legislação mais dura


Aproximadamente 70% dos criminosos presos por envolvimento em crimes de grande repercussão em Goiás, nos últimos anos, tinham passagens pela polícia por outros delitos. Este é o resultado de um estudo da Superintendência de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública de Goiás, apresentado pelo secretário Joaquim Mesquita na última terça-feira, 25 a policiais e autoridades. No levantamento, foram selecionados 30 casos, ocorridos entre 2009 e 2014. Dentre as ocorrências registradas, 11 foram detalhadas pelo secretário. Entre os casos citados estão o da publicitária Pollyana Arruda Borges, de Anápolis, vítima de latrocínio no dia 23 de setembro de 2009 em Goiânia, e o da chacina do Morro do Mendanha, ocorrida no dia 8 de março deste ano.
No caso da publicitária, dos cinco presos, quatro tinham passagens por vários delitos. Três deles voltaram a ser presos depois de soltos por envolvimento no homicídio de Pollyana Arruda. Foi o caso, por exemplo, de Deberson Ferreira Leandro (já falecido) que, dois anos depois de ser preso pela morte da publicitária, foi detido novamente por uma tentativa de homicídio. Já no caso da chacina do Morro do Mendanha, os três autores, dois deles com menos de 18 anos, tinham passagens anteriores ao crime, que vitimou quatro mulheres em Goiânia. Um dos suspeitos, Paulo Henrique do Carmo Silva, de 21 anos, tinha quatro passagens anteriores, uma delas por tráfico de drogas. Mas o caso mais assustador é o menor D., de 17 anos, que já foi apreendido anteriormente por sete vezes, incluindo tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo (quando tinha apenas 15 anos de idade) e formação de quadrilha. Paulo Henrique está preso e D., apreendido por envolvimento na chacina.

Legislação
A exposição do secretário Joaquim Mesquita ocorreu durante a apresentação do resultado das investigações da chacina do Morro do Mendanha e foi acompanhada pelo governador Marconi Perillo. O secretário explicou que os delituosos retomam as práticas criminosas porque a legislação permite que eles sejam soltos pouco tempo depois. Muitos são menores de idade e nem sequer podem ser presos. “Queremos é chamar a atenção da população: se esses criminosos tivessem permanecido presos, essa chacina não teria ocorrido. O problema não está na polícia”, disse, enfático. Mesquita mostrou também os números correspondentes ao trabalho das polícias em cada caso. Na maioria das apurações, a polícia levou entre seis dias a duas semanas para desvendar cada caso, sem contar os que foram flagrantes.

Maioridade penal
Na oportunidade, o governador Marconi Perillo defendeu uma mudança na legislação, inclusive, em relação à maioridade penal. “A nossa legislação deveria ter sido alterada há muitos anos. E não podemos culpar a Justiça, até porque ela interpreta, mas tem de cumprir a legislação”, observou. Marconi cobrou, ainda, uma presença maior das Forças Armadas nas fronteiras brasileiras, de modo que a entrada de armas e drogas seja coibida. “Tenho falado também aos comandantes que iniciem uma campanha para que tenhamos vinculação constituição para essas áreas (de segurança). A saúde e a educação avançaram muito com isso”, disse.
Outra bandeira erguida pelo governador é a de que o governo federal e os municípios devem colaborar com os custeios da segurança pública, já que hoje os gastos são todos de responsabilidade dos governos estaduais. Por fim, Marconi listou os investimentos do governo estadual na área, como orçamento para melhoria das delegacias, que passarão a receber dinheiro diretamente. “Além de todas as medidas que estamos tomando, tenho a convicção de que duas tomadas recentemente vão nos ajudar muito, apesar da fragilidade da legislação: as tornozeleiras eletrônicas – que vão nos ajudar a resolver um grave problema relativo ao semiaberto - e o bloqueador de celulares nos presídios”, ressaltou.
O governador disse ainda que a Administração tem trabalhando para reduzir a burocracia, cumprimentou os investigadores pela exposição elucidativa, e advertiu: “A legislação precisa ser alterada imediatamente, e não é só em relação ao Código Penal, mas em relação à redução da maioridade penal. Os adolescentes estão sendo usados nos tráficos e nos latrocínios. E é preciso que tenhamos bom senso e enfrentemos esse debate, sem qualquer tipo de maniqueísmo”, declarou. Ele também se comprometeu a participar pessoalmente das reuniões da cúpula da Segurança Pública com comandantes e delegados. “Não tenho dúvidas de que a sociedade está em boas mãos. Nossas polícias são boas, qualificadas. O governo é sério e está comprometido com a paz na sociedade”, frisou.

Autor(a): Da Redação

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