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Regularização dos remédios para diabetes

Saúde Comentários 17 de maio de 2018

Produtos estavam sendo entregues em quantidades menores do que as prescritas pelos médicos. Problema maior era com as fitas reagentes


Depois de funcionar de forma irregular desde o final do ano passado, a Secretaria Municipal de Saúde regularizou este mês a dispensação de insulinas e insumos aos portadores de diabetes inscritos em um programa de fornecimento gratuito destes produtos. Nos últimos meses, a quase totalidade dos mais de 800 diabéticos inscritos no programa enfrentaram sérios problemas para controlar suas taxas de glicose no sangue, principalmente, por conta da dispensação irregular de fitas reagentes, entregues em número bem inferior ao que é prescrito pelos seus respectivos endocrinologistas.
Além da irregularidade na dispensação destes produtos, outro motivo de muita reclamação dos diabéticos inscritos no programa, foi a mudança nas auditorias feitas a cada seis meses, uma das exigências da Secretaria Municipal de Saúde para manter a continuidade na entrega de insulinas e insumos. Feitas anteriormente na presença dos portadores da doença, quando são entregues os resultados de alguns exames que verificam o controle ou não da diabetes, hoje as auditorias deixaram de ser presenciais, sem nenhum contato do paciente com o médico.
De acordo com pessoas inscritas no programa, os auditores estão reduzindo o número de fitas reagentes, contrariando a prescrição de seus endocrinologistas. “Sempre gastei uma média de 150 tiras reagentes para medir as taxas de glicose no sangue e também para saber a dosagem que devo tomar de insulina de efeito rápido”, disse o diabético João de Paula, explicando que com apenas 50 ou 100 tiras por mês fica impossível manter a doença controlada, com riscos de comprometimento de sua saúde.
A mesma reclamação foi feita por Maria de Lourdes, que sempre recebeu duas caixas de tiras reagentes, cada uma com 50 unidades, mas que até o mês passado ela vinha recebendo apenas uma caixa. “Minha glicemia glicada chegou a 11, quando o seu valor normal é de quatro a seis”, revelou a diabética, explicando que este exame estabelece uma média da glicemia nos últimos três meses. Segundo ela, sem as tiras reagentes, é impossível manter o controle de índice aceitável de glicose no sangue.

Exames
Maria de Lourdes lembrou que seu endocrinologista prescreve exames de glicemia pela manhã, antes do almoço, duas horas após o almoço, antes do jantar e duas horas após o jantar. “São cinco exames por dia”, lembrou a portadora da doença, revelando que existem situações em que são necessários mais do que cinco exames de glicemia por dia. Para ela, com apenas duas caixas por mês, ou seja, 100 tiras reagentes, o produto acaba antes de uma próxima dispensação. Esclareceu ainda, que nas situações em que o paciente esteja com taxas de glicose baixa (hipoglicemia) ou alta (hiperglicemia) são necessários mais exames, além do número diário prescrito pelos médicos. “Por isso que não podemos ficar sem tiras reagentes ou com número inferior ao que os nossos endocrinologistas prescrevem”, explicou Maria de Lourdes
Na Secretaria Municipal de Saúde, a responsável pela dispensação de insulinas e insumos, a servidora Viviane de Souza, informou que faltou tiras reagentes nos últimos meses porque os fornecedores atrasaram na entrega do produto. Segundo ela, foi um período de transição, que necessitou reduzir a quantidade de caixas de tiras para que o produto não faltasse para os diabéticos inscritos no programa.
Viviane de Souza revelou, no entanto, que com a homologação do último pregão a dispensação de tiras será normalizada. Segundo ela, neste último pregão foram adquiridas insulinas regular e análogas, tiras reagentes e lancetas em quantidade suficiente para atender a demanda por um ano. Sobre as reclamações de pacientes quanto a mudança nas auditorias, Viviane de Souza não soube informar nada sobre o assunto, orientando a reportagem a procurar o diretor de Saúde Básica da Secretaria Municipal de Saúde, Eduardo Lúcio Franco.
A reportagem procurou o diretor de Saúde Básica, mas conseguiu um contato apenas por telefone. Ao ser questionado sobre as reclamações de pacientes cadastrados no programa de dispensação de insulinas e insumos, ele se comprometeu a se inteirar sobre o assunto e retornar o contato posteriormente, o que não foi feito até o fechamento dessa edição. Antes, porém, reportagem fez uma nova ligação para o celular do diretor de Saúde Básica, mas não foi atendida.

Autor(a): Ferreira Cunha

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