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Rede de atenção a dependentes químicos é fortalecida

Saúde Comentários 16 de janeiro de 2015

Existe a perspectiva de construção de um Centro de Atenção Psicossocial 24 horas ainda neste ano. Ministério Público, Juizado da Infância e da Juventude, Prefeitura, demais entes públicos e instituições voltadas à recuperação de dependentes atuam para fortalecer o sistema


A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) a dependentes químicos de Anápolis é formada por instituições e agentes públicos. Conforme afirmou o juiz de direito da Infância e da Juventude, Carlos Limongi Sterse, existe uma “rede efetivamente funcionando no atendimento aos dependentes químicos” e que é feito um trabalho periódico para identificar “quais são os gargalos que existem”. Ele afirmou que está sendo feita a “efetivação de uma central de triagem” de dependentes. O objetivo é “ver qual é o perfil desta pessoa e em qual comunidade terapêutica ela se enquadra”. Limongi é presidente de honra da ‘Cruzada Pela Dignidade’, que atua, entre outros assuntos, no combate às drogas e faz parte da rede.
O promotor Marcelo Henrique dos Santos, da 9ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Anápolis, indicou que está em fase de fortalecimento a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) local, em atendimento à Portaria 3.088 do Ministério da Saúde, de 23 de dezembro de 2011. E, explicou que “a estrutura de apoio aos dependentes de Anápolis conta com uma estrutura razoavelmente adequada, contando, inclusive, com o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Álcool e Drogas”, específico “para o cuidado, atenção integral e continuada às pessoas com necessidades em decorrência do uso de álcool, crack e outras drogas”.
Ele anunciou que existe um desejo na rede da implantação de um CAPS do tipo III, “cujo atendimento deve se dar de contínuo por 24 horas, o que pode ser um grande avanço”. Explicou, também, a importância do trabalho realizado pela rede e destacou o papel dos Centros de Atenção Psicossocial: “A função do CAPS é apoiar usuários e famílias na busca de independência e responsabilidade para com seu tratamento”. Os centros dispõem de equipe multiprofissional composta por médico psiquiatra; clínico geral, psicólogos, dentre outros. A Coordenação de Saúde Mental em Anápolis tem trabalhado para atendimento de tais diretrizes.
Os chamados “consultórios de rua” estão em atividade desde 2013. Este é um instrumento da rede para o tratamento de dependentes. “São equipes de saúde móveis que prestam atenção integral à saúde da população em situação de rua, considerando suas diferentes necessidades de saúde”, enfatizou Marcelo Henrique. Este trabalho está integrado à atuação das Unidades Básicas de Saúde locais. Ainda, compondo a rede, o promotor citou a existência de um “núcleo de saúde mental atuando junto à 9ª Promotoria de Justiça de Anápolis e a Curadoria de Saúde, sendo fruto de uma parceria do Ministério Público com a Secretária Municipal de Saúde”.

Ministério Público
O Ministério Público “realiza, previamente, o atendimento aos familiares dos dependentes químicos, podendo o mesmo estar presente, ou não, nesta avaliação, momento no qual o profissional médico especialista em dependência química elabora um relatório técnico circunstanciado indicando o tipo de tratamento adequado para o paciente em questão”. Este trabalho avalia se o dependente se enquadra no tipo de internação voluntária ou compulsória, por meio de ordem judicial. Existe, ainda, uma “uma Promotoria de Justiça (no município) especializada para atuar junto a questões de menores infratores”, sob a responsabilidade do Promotor de Justiça Dr. Alexandre J. A. Foureaux.

Dados
O Promotor Marcelo Henrique citou que “a taxa de reincidentes existe, porém num percentual baixo. Evidencia-se que, para cada dez internações realizadas por meio do núcleo de saúde mental, três familiares retornam a busca de nova intervenção do Ministério Público”. Ele informou ainda que “em 2014, houve uma média geral de 384 atendimentos, sendo 78 (setenta e oito) encaminhados para proposição de ação judicial com objetivo de viabilizar a internação compulsória, enquanto que os demais foram encaminhados para as internações voluntárias ou involuntárias junto a instituições que mantém parceria com este Órgão (MP) e a Secretaria Municipal de Saúde”.

“Vencer lá fora”
André Ribeiro Pereira é pastor-dirigente da Igreja Assembleia de Deus do Bairro das Bandeiras e administrador da Instituição Filantrópica Aldeia da Paz, com capacidade para 35 internos. A instituição já atendeu a, aproximadamente, 2,5 mil pessoas em busca de tratamento para a dependência química. Chamados de alunos, os que se internam na Aldeia da Paz passam por três fases de tratamento: acolhimento, desintoxicação, e ressocialização. O tratamento completo inclui a chamada laborterapia, em que o interno trabalha na manutenção em limpeza da instituição, que fica em uma chácara próxima ao Bairro Recanto do Sol, cuidado dos animais e da horta.
Um dos objetivos, de acordo com o André Ribeiro, é o “restabelecimento do valor do horário; horário de acordar, de sair para trabalhar e horário de se alimentar”. Atividades com psicólogos, reuniões espirituais e de ressocialização, também, fazem parte do processo de recuperação. Ainda oferece-se um curso teológico. O índice de reincidência dos internos da Aldeia da Paz, de 20% a 30% do total, é considerado baixo por André. Os recursos da instituição provêm de doações e do apoio de entes governamentais. O trabalho é feito, conforme concluiu André, “para que quando ele (interno) saia, ele tenha um mecanismo para conseguir vencer lá fora”.

“Trabalhar com o caráter”
A Casa de Recuperação “Novo Nascimento”, atuante desde 2009 próximo ao Aterro Sanitário de Anápolis, está sob a direção do pastor da Igreja Evangélica Tempo da Graça da Vila Jaiara, José Oscar Silva. Vícios em álcool, drogas, pornografia são tratados no local, que busca “trabalhar com o caráter” dos internos. A capacidade de internação é de, aproximadamente, 26 pessoas. Em breve, haverá a ampliação do local, com um novo alojamento com capacidade para 46 internos. Duas psicólogas trabalham na “Novo Nascimento”. Terapias ocupacionais são realizadas, por meio da laborterapia. Acontecem, ainda, reuniões religiosas cristãs no local. O tratamento dura sete meses. A taxa de recuperação dos dependentes é de aproximadamente 30%. Em torno de 130 internos passam pela Casa todos os meses. Ela mantém parcerias com empresas da Cidade e envia cartas de recomendação para empresários, com o objetivo de contribuir para que os dependentes consigam se inserir no mercado de trabalho. O diretor da Casa, ainda contou sua história, que o motivou a atuar no apoio a dependentes químicos: “Eu também fui alcoólatra, drogado e vivia como mendigo, andarilho”. “Então, tenho uma missão, também, de continuar fazendo este trabalho”, destacou.

Valor da Vida
A Clínica Valor da Vida, próxima ao Estância Park Hotel, oferece atendimento voluntário, quando o paciente deseja se tratar e procura o local; involuntário, quando é encaminhado a pedido da família; e, compulsório, quando existe uma ordem judicial para a sua internação. De acordo com o diretor-presidente da instituição, Wesley Muller, a taxa de recuperação dos internos é de 50%. Vícios em álcool; medicamentos, drogas e jogos, são tratados na Clínica Valor da Vida. A laborterapia faz parte do tratamento.
Atendimento psiquiátrico, psicológico, de fisioterapia, enfermagem e nutricional são oferecidos aos pacientes. O período de internação para um tratamento completo, dura 180 dias. Ele citou a importância, dentro da rede de atenção psicossocial aos dependentes, do Ministério Público e do juizado da Infância e da Juventude, “fazendo esta rede de atendimento e acolhimento a essas pessoas portadoras de qualquer tipo de morbidade paralela à dependência química”. Muller acredita que o tratamento de dependentes no Município “melhorou muito”.

Poder Público Municipal
O diretor-presidente da Clínica Valor da Vida, Wesley Muller, avaliou que falta equipe técnica na Prefeitura Municipal para o tratamento de dependentes. “Falta conhecimento para poder trabalhar na doença em si. Se a gente trata 40 pessoas de Anápolis por mês (número de atendimentos compulsórios mensais na Valor da Vida) - são internações compulsórias, são famílias que não podem pagar, por que será que a Prefeitura não pode apoiar pessoas que, realmente, trabalham com seriedade, que tem uma equipe técnica, que tem cobrança da vigilância sanitária, que tem cobrança dos poderes públicos?”, questionou ainda, indicando que o Poder Público Municipal não tem dado apoio necessário para casas de recuperação da Cidade.

Autor(a): Felipe Homsi

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