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Recorde de homicídios em 2013. Drogas lideram índice

Violência Comentários 12 de janeiro de 2014

Mas os números podem ser “mascarados” pelos casos de tentativas e lesões corporais graves que evoluíram para homicídios


Os 185 casos de assassinatos registrados em 2013 mostram a evolução dos crimes contra a pessoa em Anápolis, por sinal, uma tendência nacional. Em praticamente todos os municípios brasileiros registraram-se números expressivos, apontando para a necessidade de se reavaliarem as políticas de segurança pública, combate à violência e a implantação de projetos que possam causar a sensação de estabilidade social para a população. Os números, que divergem em porcentagens mínimas com outras estatísticas, não contemplam, por exemplo, todos os casos de pessoas que foram feridas e acabaram morrendo em consequência dessas agressões dias, até semanas, depois de a ocorrência ter sido registrada como tentativa de homicídio, ou, lesões corporais graves.
As polícias, de uma maneira geral, minimizam os dados, afirmando que, por enquanto, os números são “aceitáveis”, em se comparando com outras cidades brasileiras. Mas, os 185 casos de homicídio em 2013 representam 25 por cento de aumento em relação a 2012, quando ocorreram 156 casos e que já foram quase 100 por cento superiores a 2011, que teve 86 assassinatos. Desta forma, comparando-se 2011 com 2013, tem-se cerca de 100 crimes de morte a mais no cômputo geral.
Para justificar o elevado índice, as autoridades policiais apontam algumas causas e alguns efeitos. Por exemplo, tem-se no narcotráfico a principal causa dessas mortes. “Na maioria são acertos de contas entre traficantes e consumidores que não pagam seus débitos”, disse um delegado experiente em Anápolis. E, a polícia joga com números para tal justificativa. Entende-se que são poucas as vítimas que não tinham à época dos crimes, ou, antes deles, algum envolvimento com o mundo das drogas.

Números reais
Dados da Polícia Militar, por exemplo, mostram que 71 por cento dos que morreram tinham envolvimento com drogas ilícitas. Os restantes 29 por cento foram distribuídos entre os que morreram por crimes variados, como brigas de rua, brigas de bar, desentendimentos familiares e outros. Outra informação que corrobora para as justificativas oficiais está na quantidade de passagens que essas vítimas tiveram pelas delegacias de polícia. Nada menos que 35 por cento tinham mais de três passagens; 18 por cento, três passagens; 17 por cento, uma passagem e 14 por cento, duas passagens. Apenas 16 por cento não tinham qualquer registro nos anais das polícias. Também na estatística feita pela Polícia Militar consta que 82 por cento dos mortos tinham antecedentes criminais, contra 18 por cento sem qualquer registro de tais atividades.
Curiosamente, o centro da Cidade foi, em 2013, o local onde ocorreu a maioria dos crimes de assassinato. Em segundo lugar vem a região compreendida pelo Bairro de Lourdes e, em terceiro a zona rural, ou seja, crimes ocorridos fora do perímetro urbano. Além disso, o maior contingente das vítimas de homicídio estava na faixa etária entre 30 e 40 anos, seguida pela faixa entre 18 e 25. O terceiro lugar foi ocupado pelos que não tiveram a idade revelada no momento do registro da ocorrência e as vitimas entre 40 e 50 anos, ocupam a quarta posição, seguidas pelas de 40 a 50 anos.
O maior número de homicídios, no ano passado, em Anápolis, aconteceu no período de 10 da noite à zero hora. Depois vem o período de zero hora a três da manhã, seguido do horário de 18 a 21 horas. Resumindo, os crimes de morte foram verificados, em sua maioria, de seis da tarde a três da manhã do dia seguinte.
A pesquisa da PM aponta, ainda, que as armas de fogo prevaleceram nos assassinatos ano passado. Elas foram empregadas em 76 por cento dos casos. Já as armas brancas (facas e assemelhados) estiveram em 21 por cento dos homicídios. Armas não identificadas, com porretes, pedras e outros objetos, foram utilizadas em três por cento dos casos. Outra predominância nos homicídios foi para as vítimas do sexo masculino: 92 por cento. Apenas oito por cento foram mulheres. O mês mais violento foi setembro, com 21 casos de homicídio, seguido por fevereiro, que teve 20 casos e agosto, com 15 casos consumados.

Justificativas
Para setores da Polícia Civil, as estatísticas apontam para uma realidade por demais conhecida. Um delegado afirmou ao CONTEXTO o fato de a maior parte das vítimas ter passagens pela polícia demonstra que se houvesse uma legislação mais consistente, que mantivesse os criminosos presos por mais tempo, os números seriam outros. “Se essas vítimas estivessem presas, cumprindo suas penas, por certo não se envolveriam em outros casos e não seriam mortas”, disse uma autoridade da Polícia Civil. Outro fator apontado pelos policiais é, justamente, a falta de uma política de recuperação e reinserção dessas vítimas. “Eles vão presos e, quando saem,ou fogem, voltam a delinquir no mesmo dia. Aliás, com mais gravidade ainda, pois aprendem muita coisa que não presta dentro da cadeia”, alegou um agente para justificar o círculo vicioso dos mortos com mais de três passagens pelas delegacias e pelo presídio municipal. Os comandantes militares e os delegados da Polícia Civil alegam que as corporações têm feito “o possível e o impossível” para diminuírem os índices, mas, esbarram nas dificuldades financeiras; falta de estrutura; falta de pessoal e outros instrumentos que necessários. Eles apontam a chegada de novas viaturas, principalmente em motocicletas, mais armamentos outros investimentos como providências adotadas pelo Governo.
O Prefeito Antônio Gomide abordou o assunto recentemente e disse que o Governo Municipal tem feito a sua parte. “Compramos e doamos o terreno para a construção do presídio há cinco anos e, só agora, ele está sendo construído. Criamos o Gabinete de Gestão e depois a Diretoria da Segurança Pública; pagamos o maior banco de horas para a Polícia Militar, fornecemos estrutura administrativa e material para o funcionamento da segurança. Acabamos de instalar mais 45 câmeras de videomonitoramento para ajudar na vigilância da Cidade. Entendemos que o Governo do Estado pode avançar mais nos investimentos da segurança em Anápolis. Recentemente tivemos uma greve de 90 dias da Polícia Civil. Antes, outra greve, no mesmo setor, impediu que os procedimentos daquela corporação fossem sequenciados”, ponderou Gomide.
Ressalte-se que, além das dificuldades enumeradas, Anápolis ressente, ainda, de outros projetos, como o centro de internação para menores infratores que somente vai ter sua construção iniciada agora; um local para os sentenciados do sistema de prisão albergue, ou, semi-aberto; mais equipamentos e mais pessoal. Dados da própria Polícia Militar atestam que em 2003, foi feito um estudo que apontava a necessidade de, pelo menos, 650 homens naquela instituição em Anápolis. Passados dez anos, mesmo com a evolução econômica e demográfica que o Município observou, este número não chega a 500.

Mapa dos homicídios em Anápolis

2012- 156 homicídios
2013- 185 homicídios
Aumento- 25%

Possíveis causas
Envolvimento com drogas ilícitas- 71%
Brigas de rua, de bar, desentendimentos familiares, dentre outros- 29%

Vítimas com passagens pela polícia
Mais de 03 passagens- 35%
03 passagens- 18%
02 passagens- 14%
01 passagem- 17%
Sem registro- 16%

Vítimas com antecedentes criminais
SIM- 82%
NÃO- 18%

Regiões de maior incidência de homicídios
Centro
Bairro de Lourdes
Zona Rural

Faixa etária das vítimas de homicídio
1º- Entre 30 e 40 anos de idade
2º- Entre 18 e 25 anos de idade
3º- Não tiveram idade revelada
4º- Entre 40 e 50 anos de idade

Autor(a): Nilton Pereira

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