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Rastreamento de veículos sofre novo atraso

Segurança Comentários 25 de janeiro de 2013

Governo ainda não encontrou o caminho para adotar a medida que está aprovada há anos


Está devidamente concluído o sistema de telecomunicação que vai monitorar e registrar os rastreadores de veículos automotores em todo o País, após vários atrasos na implantação. Todavia, agora, vai ser necessário testá-lo com os carros em movimento e, isto, levará mais alguns meses. A instalação dos equipamentos, começando por 20% da produção de carros está, agora, prevista para maio, e não mais para 31 de janeiro, como estabelece o último cronograma. Trata-se de mais um atraso de uma história que começou há sete anos, quando o Governo Federal determinou o uso desses equipamentos dentro da política de prevenção ao roubo de veículos. Com o tempo para a adequação das empresas, os rastreadores começariam a ser instalados em agosto de 2009. Porém, o cronograma teve que ser revisto por mais de três anos por conta da resistência de montadoras, a demora na implantação do sistema e uma liminar que suspendeu, na Justiça, o programa - por violação ao direito de privacidade - o que levou a ajustes no desenvolvimento dos módulos de rastreamento.
Nesse meio tempo, as empresas de autopeças que apostaram na legislação antifurto, de olho em um mercado potencial de quase seis milhões de veículos por ano, enfrentam, hoje, ociosidade nas linhas de produção e constrangimento ao ter que explicar para a matriz por que o projeto não saiu do papel. A maioria delas já deixou de colocar em seus orçamentos os volumes previstos na lei. A Continental, uma das três maiores no setor de autopeças do mundo, investiu cerca de R$ 150 milhões nesse projeto, mas ainda não teve nenhum retorno financeiro com a linha de produção instalada na fábrica de Manaus (AM). "Isso já nos causou muita dor de cabeça e cobranças do "board" (conselho de administração)”, conta Maurício Muramoto, presidente no Brasil da empresa, que tem sua controladora sediada na Alemanha. A mesma situação é vivida pela Magneti Marelli, que se preparou para produzir até 1,5 milhão de rastreadores de carros, caminhões e ônibus em Hortolândia, no interior paulista. "Usamos parte dessa capacidade para outros produtos porque a linha não pode ficar parada", diz Ricardo Takahira, gerente de novos negócios da empresa na área de sistemas eletrônicos, também reclamando da sucessão de atrasos no projeto.

Testes práticos
Depois de testes em laboratório, o funcionamento do equipamento antifurto está sendo experimentado com os carros nas pistas sob o sistema de gerenciamento definitivo. O DENATRAN, que vai operar esse sistema - por onde passará todo o processo de ativação dos dispositivos -, informa que já foram feitos testes em vários veículos de marcas distintas. Atualmente, os testes estão sendo feitos em quatro veículos de duas marcas diferentes. O novo cronograma, que fixa o início da instalação em maio, ainda será aprovado nos próximos dias pelo Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN). Quando a funcionalidade do sistema for comprovada, começa a produção. As empresas sistemistas, que produzem os módulos de rastreamento, alegam que o produto já está pronto há mais de dois anos. Mas, as montadoras não descartam a necessidade de mais ajustes, levando a uma nova revisão de cronograma. "Uma coisa é testar o equipamento em laboratório. Outra, é ver como ele funciona com os carros nas estradas", disse Luiz Moan, vice-presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), entidade que abriga as montadoras instaladas no País.
Em um projeto escalonado, os equipamentos antifurto serão instalados em todos os veículos fabricados ou importados no País - desde os carros de passeio e caminhões a motocicletas. Contudo, para preservar sua privacidade, o dono do carro só terá acesso a funções de localização e bloqueio remoto do automóvel se contratar uma empresa de rastreamento e habilitar o dispositivo. Estima-se, contudo, que a adesão será baixa, em torno de 5% do total nos primeiros dois anos.

Autor(a): Da Redação

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