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R$ 32 milhões para limpar lotes baldios

Cidade Comentários 29 de abril de 2010

O lixo acumulado em terrenos baldios tem causado prejuízos para os cofres públicos municipais. A Prefeitura tem dificuldades para identificar os locais onde os resíduos são depositados clandestinamente


O acúmulo de lixo em terrenos baldios representa um grande problema para o poder público municipal. Estimativas da Diretoria de Meio Ambiente apontam gastos anuais de R$ 32 milhões, somente para o recolhimento de resíduos sólidos encontrados em locais ermos. No total, Anápolis conta hoje com mais de 60 mil lotes sem edificação, desse número, muitos acabam se transformando em lixeiras a céu aberto.
O diretor de Meio Ambiente, Luiz Henrique Fonseca Ribeiro, disse que em grande parte esses lotes estão sob especulação imobiliária. “Os proprietários compram os terrenos e ficam esperando valorizar, causando transtornos para a vizinhança e onerando os cofres públicos”, justificou.
Uma das principais causas para esse acúmulo, segundo Luiz Henrique, é a falta de iniciativa dos proprietários dos lotes. “A Prefeitura está fazendo a parte dela. Temos roçadeiras e máquinas para a retirada do entulho. Mas, o proprietário, que é responsável pelo lote, não faz o que é de sua competência”.
O uso de terrenos baldios para o depósito de resíduos sólidos (lixo) é rotina em muitas regiões do Município. Isso ocorre, principalmente, em áreas que ficam às margens de córregos e rios, prejudicando, ainda mais, o trabalho de recolhimento dos entulhos. “Bairros como o São Carlos, Adriana Parque e Frei Eustáquio, que ficam próximos a cursos de água, são os mais prejudicados”, afirmou Luiz Henrique.
O trabalho de limpeza dos terrenos baldios é feito por setores. Geralmente, leva-se cerca de dez dias para o recolhimento de entulhos, em cada bairro. Dessa maneira, algumas localidades ficam sem tratamento durante um grande período. Parte do problema, entretanto, é amenizada pelos trabalhos feitos pela iniciativa privada.
Empresas cadastradas na Prefeitura, por meio de contrato, podem depositar o material recolhido no Aterro Sanitário Municipal. “Cobramos das empresas cadastradas em nosso sistema, por tonelada de lixo depositado. Dessa maneira, os gastos com o recolhimento de lixo na cidade são compensados. É uma via de mão dupla”, afirmou Luiz Henrique Ribeiro.

Estimativas
Calcula-se que cheguem ao Aterro Municipal cerca de 50 toneladas de entulho por dia. Estão incluídos nesse montante, o material recolhido pela Prefeitura nos terrenos baldios, assim como o lixo depositado por empresas privadas. O valor representa 1/5 (um quinto) do total de lixo produzido na cidade (300 toneladas) diariamente.
Acredita-se, entretanto, que possa haver mais entulhos nos terrenos do que as estimativas oficiais. Conforme salientou Luiz Henrique, “o que é lançado de forma clandestina, não tem como a gente mensurar. São vários locais na Cidade. Além disso, o local é limpo em um dia e, no outro dia, já está sujo de novo”.

Comparativo
Para o Diretor de Meio Ambiente, o total de lixo produzido em Anápolis está dentro da média das cidades de médio porte do Centro Oeste Brasileiro. A quantidade produzida nessas localidades é de aproximadamente 750 gramas/habitante/dia. Em Anápolis a produção se encontra na faixa de 750 a 800 gramas/habitante/dia.
A explicação do diretor para esses números está na situação econômica do Município. “Cidades do Sudeste e do Sul, onde a população tem poder aquisitivo maior que Anápolis, chegam a produzir mais de 1 quilo/habitante/dia de lixo. A quantidade de detritos produzidos é proporcional ao poder aquisitivo dos estados”.

Educação ambiental
Está em fase de implantação um bloco de apoio no Aterro Sanitário Municipal. Essa estrutura contará com guarita, áreas para escritório e engenheiros à disposição. Além disso, pretende-se formar um núcleo de educação ambiental na localidade, com sala própria. “Queremos que pessoas interessadas em visitar o aterro sanitário saibam como funciona o tratamento do lixo na cidade. Além disso, queremos que eles entendam os transtornos causados pelo depósito de dejetos em local impróprio”, afirmou.
Além desse projeto, a Prefeitura, em parceria com a empresa responsável pela coleta de lixo na cidade (Delta Construções) está realizando projetos de educação ambiental em escolas públicas. “Colocamos nessas escolas um globo terrestre de dois metros de altura, com uma abertura. As crianças podem, então, colocar o lixo nesse orifício. O material é, então, levado para o aterro”, explicou Luiz Henrique.

ENTREVISTA/Raphael Nascimento
O gestor-comercial da Delta Construções, Raphael Nascimento, concedeu entrevista ao CONTEXTO. Ele relata sobre o trabalho que a empresa está desenvolvendo no em Anápolis e que, segundo ele, deverá ser um referencial para o Centro-Oeste, sobretudo, na questão da educação ambiental. O executivo adianta ainda outros projetos que serão realizados, como melhorias na infraestrutura do Aterro Sanitário. Veja os detalhes:
Fale um pouco sobre a história da empresa Delta
Raphael Nascimento: No dia 17 de outubro completaremos 50 anos de existência. Em Goiás, criamos uma diretoria para o Centro Oeste em 2005, tendo chegado a Anápolis no início da gestão Gomide.

Quais os resultados dos trabalhos em Goiás e como será a continuidade dos trabalhos de coleta de lixo em Anápolis?
Raphael Nascimento: Para se ter uma ideia, no Centro Oeste, tivemos arrecadação de R$ 280 milhões em 2009. Em Anápolis, porém, queremos fazer um trabalho diferenciado. Pretendemos que a coleta e o tratamento de lixo no Município sejam um referencial para todo o Brasil. A empresa conta hoje com mais de 500 colaboradores na Cidade. Estamos fazendo um grande trabalho de poda de árvores e limpeza de locais públicos. Além disso, temos apoiado projetos na área de esportes, como o patrocínio ao time local de futebol e futsal.

Como a Delta pretende colaborar para a educação ambiental da sociedade anapolina?
Raphael Nascimento: Uma das características da empresa Delta é a sua maneira prática de buscar soluções. Nesse sentido, já está sendo viabilizada a implantação de uma Escola Ambiental e uma usina de reciclagem no município. Além disso, queremos ampliar a quantidade de bairros da cidade com coleta seletiva.
A empresa pretende tomar alguma providência quanto à situação de catadores que trabalham no Aterro Sanitário em condições precárias?
Raphael Nascimento: Em conjunto com a Prefeitura, pretendemos encontrar uma solução pacífica para o problema dos catadores. Não podemos retirá-los à força. Essas pessoas vivem daquilo que recolhem. Então, não é só retirá-las de lá. É preciso que se encontrem alternativas para que eles tenham suas dignidades garantidas. Uma maneira de se iniciar esse trabalho é estreitando o diálogo com esses trabalhadores.

Como está o andamento da lagoa de chorume?
Raphael Nascimento: Já estão disponíveis em caixa R$ 2 milhões para a construção da lagoa de chorume. Estamos fazendo os estudos finais, por meio da Prefeitura e uma empresa de São Paulo, responsável pela consultoria da obra.
Quais os principais resultados obtidos até hoje no trabalho realizado pela Delta em Anápolis?
Raphael Nascimento: A coleta no município está mais eficiente. Potencializamos a varrição, roçagem e capina no município, ampliando em 20% as estruturas física e humana. Além disso, o lixo hospitalar está sendo totalmente separado do lixo comum. Acreditamos que as mudanças feitas no sistema de coleta e tratamento de lixo no município trarão benefícios, pelo menos, nos próximos 20 anos.

Autor(a): Felipe Homsi

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