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Quase metade da indústria perde mercado doméstico para a China

Geral Comentários 11 de fevereiro de 2011

Uma pesquisa divulgada pela CNI revela que a concorrência dos chineses com a indústria nacional avança e o segmento mais atingido é o de equipamentos eletrônicos e de comunicação


Quase a metade (exatamente 45%) das empresas industriais brasileiras que competem com empresas da China perdeu participação no mercado doméstico em 2010. A revelação é da Sondagem Especial China, divulgada no último há pouco pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A pesquisa, realizada com 1.529 empresas entre 4 e 19 de outubro último, informa que em quatro setores – produtos de metal, couros, calçados e têxteis - a queda na participação das vendas no mercado interno pela concorrência com produtos chineses atingiu mais da metade das indústrias. No setor de couros, 31% das empresas pesquisadas informaram ter sido significativa a perda de mercado no ano passado.
Segundo o levantamento da CNI, embora as pequenas empresas estivessem menos expostas à disputa com produtos chineses, foi esse grupo que mais sofreu os impactos da concorrência no mercado interno.
“Entre as pequenas empresas, o percentual que registrou queda na participação de mercado de seus produtos alcançou 49%. O percentual se reduz para 32% entre as grandes empresas”, assinala a Sondagem Especial China.
O gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, que divulgou a pesquisa, atribuiu principalmente à valorização cambial o processo de perda de mercado. “Há fatores de competitividade bem mais favoráveis para a China, como custo salarial menor, juros mais baixos, infraestrutura mais eficiente, escala de produção muito maior, menores barreiras burocráticas, mas o fator mais relevante é o câmbio”, assinalou.
O estudo da CNI mostra que a concorrência interna com produtos da China afeta uma em cada quatro empresas industriais brasileiras, alcançando 28% delas. A exposição à concorrência, observa a entidade, aumenta conforme o tamanho das empresas. O percentual das pequenas empresas que afirmam concorrer com produtos chineses no mercado doméstico é de 24%, enquanto nas médias é de 32% e alcança 41% entre as empresas de grande porte.
A presença chinesa é mais intensa em seis setores industriais, entre os quais: material eletrônico e de comunicação, têxteis, equipamentos hospitalares e de precisão, calçados e máquinas e equipamentos. Nos segmentos de material eletrônico e de comunicação e têxteis, a competição interna com os chineses é especialmente intensa, atingindo mais de 70% das empresas dos dois setores, detectou a pesquisa.
Conforme a pesquisa, 48% das indústrias estão investindo na qualidade ou design e 45% em diminuição de custos e ganhos de produtividade. A Sondagem Especial China revela ainda que 10% das grandes empresas brasileiras têm fábrica própria na China e 5% terceirizam parte da produção com empresas chinesas, possivelmente como resposta à concorrência. Nada menos do que 21% das empresas pesquisadas importaram matéria-prima da China, 9% adquiriram lá produtos finais e 8% compraram máquinas e equipamentos. (José Paulo LacerdaCNI)

Autor(a): Da Redação

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