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Quadro sucessório em Goiás ainda é nebuloso

Política Comentários 27 de maro de 2014

Partidos afunilam na escolha dos nomes, mas não existe nada de concreto ainda


Mesmo estando à frente em todas as pesquisas de intenção de votos (estimulada e espontânea), o Governador Marconi Perillo (PSDB) ainda não teria decidido por concorrer, pela quarta vez, ao cargo de mandatário maior do Estado. Setores ligados a ele asseguram que esta definição somente acontecerá a partir de meados de maio, ou início de junho. Até lá, Marconi estaria focado na parte administrativa, entregando obras e concluindo projetos, ainda, em andamento. O próprio Governador, em entrevistas recentes, fez tais afirmações sempre que perguntado sobre seu futuro político. Mas, pelo sim, pelo não, Perillo tem promovido encontros com correligionários e avaliado o quadro sucessório estadual. É que, por estar investido na função, ele não precisaria se afastar para concorrer. Outros fatores estariam, também, provocando o adiamento dessa decisão, dentre eles, o fato de que Marconi gostaria de saber, antes, quais seriam os candidatos dos outros partidos e coligações.
Na corrida sucessória em Goiás, o quadro mais emblemático é o do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) que, a princípio, seria parceiro do Partido dos Trabalhadores (PT) mantendo uma aliança originária do Governo Federal (Dilma Rousseff, do PT tem como vice Michel Temmer, do PMDB) o que se repete em várias cidades e estados. Mas, em Goiás há sinais evidentes de que esta parceria não será possível, pelo menos em nível de primeiro turno. O PMDB tem dois nomes fortes, tidos como pré-candidatos. O ex-governador, senador e ministro Íris Rezende Machado e o empresário José Batista Júnior, o Júnior Friboi. Este último está mais adiante na corrida e anuncia ter o apoio da chamada alta direção do PMDB e da maioria do diretório regional do partido para levar adiante sua candidatura. Íris Rezende, embora diga que não se definiu por qualquer candidatura, está bem à frente de Friboi nas pesquisas e mantém seguidos encontros com lideranças regionais do Partido e assegura que não foge à disputa, caso seja convocado. Assim sendo, o PMDB teria de fazer, primeiro o “dever de casa”, ou seja, definir quem será o candidato e, até, se vai marchar junto com o PT, que já tem um nome colocado. Se o PMDB definir por ter candidatura própria, pelo menos em nível de primeiro turno, é provável que a decisão saia de uma convenção partidária.

Aliança com o PT
Diante da indecisão que se observa no PMDB, o PT procura adiantar seu lado e, há alguns meses, trabalha a candidatura do Prefeito de Anápolis, Antônio Gomide. Este, sem hesitação, coloca, em todas as entrevistas que concede, que é, sim, pré-candidato ao Governo de Goiás e que um recuo, a esta altura dos acontecimentos, só ocorreria em virtude de um argumento muito convincente. Há que diga, no PT, que a pré-candidatura do Gomide seria irreversível, inclusive, com o respaldo da alta cúpula do Partido, como o do Presidente da sigla, deputado Ruy Falcão. A aliança com o PMDB, embora não descartada de todo, estaria cada vez mais longe. Gomide disse que só coloca seu nome para concorrer ao Governo de Goiás, negando qualquer entendimento para se candidatar a vice ou a senador. E, para apimentar, mais ainda, a questão, espera-se para este sábado, 29, o anúncio oficial desta decisão. Durante encontro regional do PT, em Goiânia, o Prefeito de Anápolis vai confirmar, ou não, se deixa a Prefeitura até o dia cinco de abril, data limite para esta tomada de decisão.
Mas, embora as atenções estejam, praticamente todas, direcionadas para a disputa entre o candidato do governo (tudo leva a crer que será, mesmo Marconi Perillo) e os candidatos do PT/PMDB (juntos ou separados), não se pode desconhecer a chamada “terceira via” que tem como agente principal o empresário e ex-prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso, hoje no PSB. Ele, que na eleição passada obteve mais de 500 mil votos, assegura que é concorrente, sim, à sucessão de Marconi Perillo.
Assim sendo, mesmo que Antônio Gomide confirme sua pré-candidatura neste sábado e o PMDB opte por um dos nomes colocados, não se pode assegurar que o tabuleiro esteja montado. Vai depender, muito do que decidirem Marconi Perillo e Vanderlan Cardoso. Isto, levando-se em consideração que outras novidades podem surgir, uma vez que se fala, até, na candidatura do deputado federal Ronaldo Caiado (DEM) para senador e, até, para governador, em uma composição que vem sendo montada aos poucos, mas que já dá sinais evidentes de que pode vingar.

Autor(a): Nilton Pereira

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