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Protesto contra a falta de insulinas

Saúde Comentários 28 de setembro de 2017

Portadores da doença reclamam da irregularidade que ocorre desde o início do ano. Além da insulina, também há falta de insumos que são necessários para o controle da doença. Prefeitura diz que situação está sendo regularizada


A falta de regularidade na dispensação de insulinas e insumos aos diabéticos cadastrados em um programa mantido pela Prefeitura de Anápolis acabou provocando mais uma manifestação de portadores da doença e de seus familiares em frente ao prédio em que funciona a Assistência Farmacêutica, onde os medicamentos são distribuídos. A manifestação foi realizada na manhã da última quarta-feira, 27, e reuniu dezenas de diabéticos e seus familiares que manifestaram suas preocupações com a irregularidade na distribuição dos remédios.
“Todo mês falta alguma coisa”, resumiu a dona de casa Neusa Gomes Campos, esposa de um diabético tipo 2, dependente de insulina e insumos para controlar a doença, e, também, mãe de um filho diabético tipo 1, dependente de insulina e insumos fornecidos pela Assistência Farmacêutica. Segundo ela, desde o início da atual administração a distribuição não é feita de forma regular. “Mês passado faltou insulina humalog, de efeito rápido, indispensável para o controle da diabetes”, acrescentou. Neusa Ramos disse que estava presente na manifestação porque em setembro as tiras para a aferição da dosagem de glicose no sangue não foram entregues.
Segundo ela, sem essas tiras, seu marido e seu filho ficam impossibilitados de controlar os níveis de glicose no sangue. Nas farmácias, uma caixa de tiras com 50 unidades varia de R$ 80,00 a R$ 100,00. De acordo com ela uma caixa de tiras, para uma única pessoa, dura no máximo uma semana. Neusa Gomes lembrou, no entanto, que uma lei federal assegura aos portadores de diabetes o fornecimento de insulinas e insumos gratuitamente.

direito
“Mas isso não ocorre em Anápolis”, acrescentou o pai de uma criança diabética de apenas quatro anos de idade, que se identificou como Juvenal. Ele afirmou que sua filha está impossibilitada de fazer o controle da doença devido à falta de tiras reagentes de dosagem de glicemia. Segundo o reclamante, a situação de sua filha e demais diabéticos inscritos no programa de fornecimento de insulina e insumos é deplorável, porque todo mês falta alguma coisa, ou insulina ou insumos. E, lembrou que a lei federal 11.147 dá aos diabéticos o direito de receber insulinas e insumos gratuitamente.
Para ele, tão grave quanto a falta desses produtos é a recusa da Secretaria de Saúde em dar uma satisfação aos portadores da doença e seus familiares quando faltam insulinas ou insumos. “O povo merece e tem direito a essa satisfação”, acrescentou Juvenal. Ele reclama também das datas de entrega, fixadas pela Secretaria de Saúde, entre os dias 16 a 26 de cada mês e garante que quando falta algum produto, as pessoas não têm o direito de retirar insulina e insumos depois que esse prazo se encerra.
Diabética tipo 2, Stella Brandão, também, se uniu ao grupo para protestar contra a irregularidade na dispensação de insulinas e insumos e também para cobrar a volta da entrega de insulina Lantus aos diabéticos tipo 2, suspensa pela Secretaria Municipal de Saúde desde o início do ano. “Quem determina se devo tomar insulina Lantus ou de outra marca é um médico endocrinologista”, lembrou Stella Brandão.

Dívidas
Na Prefeitura, a Assessoria de Comunicação reconheceu que a dispensação não ocorre de forma regular e que um mês faltam insulinas e em outros não tem fitas reagentes e outros insumos. A Assessoria de Comunicação justificou, no entanto, que a irregularidade ocorre devido a uma divida com fornecedores de produtos farmacêuticos, contraída ainda na gestão anterior.
De acordo com os assessores da área de comunicação, por conta dessa dívida os fornecedores estão retaliando e deixam de entregar alguns produtos. Os assessores informaram que para resolver este problema, o prefeito Roberto Naves encaminhou um projeto de lei à Câmara Municipal estabelecendo critérios para o pagamento dessa dívida. Segundo estes assessores, as dívidas serão pagas cronologicamente, observando a data em que foram contraídas para que o fornecimento de remédios e outros produtos seja regularizado.
Além disso, revelaram também que na última quarta-feira o prefeito se reuniu com dois diretores de uma distribuidora de fitas de dosagem de glicose no sangue para discutir a volta do fornecimento do produto, considerando que em seu governo todas as compras já foram pagas. De acordo com esses assessores, depois desse encontro é possível que a distribuição das fitas seja regularizada nos próximos dias.

Autor(a): Ferreira Cunha

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