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Prós e contras da maior festa de Anápolis

Cidade Comentários 03 de maio de 2013

Evento que já dura mais de meio século, provoca reações variadas e leva povo e autoridades a refletirem sobre sua validade


Há 58 anos, ininterruptos, Anápolis promove a Exposição Agropecuária, indiscutivelmente, o maior evento público da Cidade, com extraordinária frequência de milhares de pessoas, principalmente durante a noite, quando acontecem os shows artísticos. As primeiras edições ocorreram na década de 50, no local onde, atualmente, fica o Estádio “Zéca Puglise”, do futebol amador. Anos depois, instalou-se o Parque “Sócrates Diniz”, à época em um local afastado do centro, quando Anápolis tinha pouco mais de 80 mil habitantes. Hoje, o Parque é cercado por residências e estabelecimentos comerciais, o que inviabiliza a logística de tráfego, não oferece áreas para estacionamentos e proporciona outros desgastes, como a poluição sonora e os engarrafamentos, principalmente na Avenida Pedro Ludovico, única via de aceso ligando a região central a um conglomerado de mais de 15 bairros, iniciando-se pelo Conjunto “Nações Unidas”, até a ligação com a BR 060, na altura do Posto Presidente. Nos dias de realização da festa, inevitavelmente, a região se transforma em um autêntico caos, reconhecido, inclusive, pelo Sindicato Rural, promotor do evento que vê a necessidade de se transferir o Parque “Sócrates Diniz” para outra região. O terreno, por sinal, está posto à venda.
Mas, enquanto isso não ocorre, a Festa da Pecuária não pode parar. Afinal de contas, ela faz girar um capital milionário, que vai desde os negócios feitos no interior do Parque, com a venda de matrizes e reprodutores (bovinos e equinos) expostos por criadores de várias partes do Brasil, implementos e máquinas agrícolas, até a ‘indústria’ do entretenimento, com shows milionários, atraindo milhares e milhares de pessoas diariamente para assistirem às apresentações de cantores de variados estilos. O envolvimento é tamanho que, nas últimas edições, o Sindicato Rural se viu na obrigação de profissionalizar a festa, terceirizando grande parte do evento para empresas especializadas explorarem.
Ao lado disso, um mercado paralelo, formado por centena de vendedores ambulantes, guardadores de veículos, seguranças e outros prestacionais da informalidade, gira outra grande fatia do capital anapolino. Certamente que a maior parte vai embora com as empresas e agências que trazem os cantores, as bandas de música, os animais e peões para os rodeios que encantam a plateia. E, mesmo com as reclamações dos preços exorbitantes dos alimentos e outros serviços oferecidos no interior do Parque, o recinto fica, todos os dias, completamente lotado, inclusive com visitantes de várias cidades regionais. Não há como calcular o volume de dinheiro circulando nos dias de realização da Festa da Pecuária que, este ano, começou no dia 26 de abril e só se encerra no dia cinco de maio. Até lá, estima-se que mais de 150 mil pessoas tenham passado pelas roletas de entrada e um número, também, expressivo, tenha circulado pela área.
Inconvenientes
Ao lado da euforia da Festa da Pecuária, entretanto, existem problemas, os mais diversos, a maior parte afetando a quem não tem nada a ver com o evento em si. É o caso dos moradores da região próxima ao Parque. Durante mais de dez dias, milhares e milhares de pessoas são obrigadas a conviverem com a barulheira provocada pelos potentes equipamentos de som, antes, durante e, até, depois dos shows artísticos. Moradores das proximidades se veem privados do acesso às garagens de suas residências e têm dificuldade para entrarem e saírem de casa. Outro problema enfrentado é para quem necessita trafegar pela Avenida Pedro Ludovico. E, aí, são milhares e milhares de trabalhadores, gente que sai do serviço e quer chegar em casa para descansar, mas fica presa nos engarrafamentos. Quem se utiliza do transporte coletivo sofre mais, pois as linhas não podem ser alteradas. Em média, os ônibus atrasam 30, 40 minutos por viagem, irritando os usuários do sistema.
Também, há de se considerar o aspecto social da festa. Os valores cobrados pelos ingressos e pelos serviços de diversão oferecidos no recinto do Parque são inacessíveis para grande parte da população. Este ano houve uma agravante com a denúncia de que cambistas tomaram conta dos ingressos para os shows e estariam vendendo-os pelo dobro do preço.
Desta forma, em que pese o assunto estar sendo abordado há anos, a mudança de local do Parque “Sócrates Diniz” ainda é, somente, uma expectativa. Fala-se na cessão de uma área pertencente ao Governo do Estado, às margens da BR 060, saída para Goiânia para que o Parque nela se instale. Mas, tudo, até agora, não passou de mera especulação.

Autor(a): Nilton Pereira

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