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Proibição do uso de hormônios causa polêmica

Saúde Comentários 01 de novembro de 2012

Indicar ou divulgar o uso de substâncias com o objetivo de prevenir ou reverter o envelhecimento passa a ser uma prática vedada a médicos


O Conselho Federal de Medicina baixou uma resolução (que já havia sido publicada como recomendação em agosto e agora tem força de lei) para médicos. Conforme a determinação, a reposição hormonal só pode ser feita quando houver um déficit comprovado da substância e nos casos de o benefício dessa reposição ser cientificamente provado ou de haver um nexo causal entre a doença e a falta do hormônio. Em resumo, fica proibido indicar doses extras de hormônios para pacientes que têm níveis normais da substância.
Fica proibida, ainda, a prescrição de vitaminas, antioxidantes e dos chamados hormônios bioidênticos (com estrutura igual à do hormônio natural) com o apelo do antienvelhecimento. Para o CFM não há evidência científica que respalde essas terapias. "Não se pode vender uma ilusão. E uma ilusão que custa caro", foi o que disse o médico Gerson Zafalon, relator da resolução.

Recomendações
Ainda, de acordo com o definido, uma prática atual - e agora condenada - é a de aumentar o nível hormonal para além do considerado normal para a faixa etária com o objetivo de aumentar a massa muscular, diz Silvia Pereira, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. A sobrecarga no corpo pelas práticas agora proibidas, explica a médica, pode desencadear problemas como diabetes, hipertensão, distúrbios do sono e câncer.
A norma, publicada no Diário Oficial da União, tem validade imediata. O médico que não cumprir fica sujeito a punições que vão da censura reservada à cassação do diploma. E o conselho, ainda, prepara nova resolução para regular a prática ortomolecular.

Questionamentos
Ao falar sobre o assunto, o Presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo do Envelhecimento, Wilmar Jorge Accursio, faz ressalvas a algumas informações técnicas divulgadas pelo CFM, mas elogia o fim das promessas de transformar o paciente num "super-homem". Accursio defende a indicação de hormônios só quando há deficiência. E diz que não há nada contra o hormônio "bioidêntico"; o problema, segundo ele, é o discurso de que ele é inofensivo. A médica Luciana Aun, autora do livro "Segredos do Antienvelhecimento", afirma que a prática é mal compreendida até por causa do nome. "Não é uma coisa feita para estética, por motivos banais. É para prevenir as doenças da velhice."
De acordo com a médica, é preciso mesmo limitar o uso de hormônios. Ela afirma, todavia, que a resolução do CFM tem por base pareceres dos médicos geriatras, que, para ela, estão atacando algo que "não conhecem bem". "Médicos sérios estão sofrendo com isso." Todavia, o médico Edson Luiz Peracchi, presidente da Academia Brasileira de Medicina Antienvelhecimento, a resolução é "frustrada", ilegal e não vai impedir prescrições baseadas em justificativa técnica. "É uma tentativa de estancar a evolução científica, permitindo que a geriatria fique na mão do médico que trata o velho e não em quem trabalha com a prevenção."
Keila Rastelli Galebe, 39, é adepta do antienvelhecimento há seis anos. Ela toma vitaminas e antioxidantes. "Já fiz duas cirurgias para troca de válvula do coração. Depois que comecei o tratamento, para minha surpresa, minhas próteses não se desgastaram mais." A empresária diz que nunca tomou hormônios. "Aprendi a me alimentar melhor, com proteínas magras, castanhas e alimentos integrais."

Autor(a): Da Redação

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