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Profissões antigas ainda resistem à modernidade

Especial Comentários 15 de novembro de 2014

Em Anápolis, sorveteiros, cabeleireiros, vendedores e apaixonados por outros ofícios, já completam mais de três décadas em atividade. Sua paixão pelo ofício, a fidelidade dos clientes e o produto que oferecem, estão entre os principais segredos do sucesso


Um deixa a vida mais doce e refrescante. O segundo deixa as pessoas mais bonitas e ‘com a cara limpa’. E, o terceiro, ganha a vida vendendo relíquias de tempos antigos, ainda valorizadas por muitos. O Jornal Contexto entrevistou, nesta semana, três profissionais ‘antigos’, que atuam no Município há mais de três décadas. O sorveteiro José Abdias Bandeira Fontineli, o cabeleireiro Washington Martins Moreira, e Alonso Lopes da Luz, dono de um sebo que vende mídias e materiais impressos antigos, contaram como e porque continuam agradando à freguesia anapolina.
José Abdias é sorveteiro há 35 anos. Sua sorveteria fica localizada na Avenida Goiás, esquina com a Rua Coronel Batista. Ele começou os negócios em 1979 e fez a inscrição municipal em 1982. Foi por indicação e ideia de um amigo que resolveu tocar seu comércio. Vendeu um carro, conforme relata, e comprou a máquina de sorvete. “Daí pra cá, fui só aprimorando, trabalhando”, contou.
Um dos segredos do seu produto - confidencia - é que ele age em benefício da saúde do cliente. “Descobriram que meu sorvete é menos prejudicial para a saúde”, relata o sorveteiro, contando que isso se deve ao fato de o gelado não possuir gordura. Os adultos, conforme explicou, são os que mais gostam de saborear o sorvete, em diversos sabores, como morango, uva, groselha e coco. Curiosamente, algumas crianças, como informou, rejeitam o produto, por preferirem aqueles vendidos nos shoppings da Cidade.
“Eles (adultos) falam que este sorvetinho é muito bom, gosto de infância, eles falam isso para a gente. E, também, a minha receita ainda é de quando eu comecei a fazer. Até hoje é a mesma receita. Meu sorvete nunca muda o sabor. Às vezes muda algum produto, mas, sempre está no mesmo jeito de antigamente”. Com seu jeito tímido, o sorveteiro José Abdias relembra que criou seus filhos, construiu sua casa e mantém a loja somente com o ganho obtido com o sorvete e a venda de outros produtos de seu comércio. “Sinto-me realizado. Não rico, por que a pessoa pensa que realizado é ser rico. Não é isso. Realizado é você fazer o que gosta e conseguir o seu objetivo”, declarou.
Como sua máquina de fazer sorvete é antiga, ele explicou que precisa mandar fazer em algumas peças de reposição, o que torna ainda mais mágica e intrigante a sua arte. Já o cabeleireiro Washington Martins Moreira trabalha, há 43 anos, com o que ele chama de “cartão de visita” dos seus clientes: o cabelo. “Se você comprou uma camisa boa, de marca, se você não gostou, você encosta. O cabelo, não. O cabelo é dia-a-dia. Então tem que ser valorizado mais o profissional (cabeleireiro) e zelar do cabelo. Porque o cabelo não tem jeito de mudar. Cortou errado, errado vai ficar”.
Ele começou a carreira em Três Lagoas (MS), ainda criança, se espelhando em um tio. “Eu chorava. Meu tio insistia tanto que eu chorava no pé da cadeira”, rememora. Mas, com o tempo, a paixão falou mais alto e ele se tornou o que viria a ser par a vida inteira, até o presente momento. “Criei gosto. Sou apaixonado na minha profissão. Não sou um bom profissional, mas faço aquilo de que gosto, que eu amo”, diz entusiasmado. Ele veio para Anápolis em 1974 e hoje é dono do Salão Elegante, no centro da Cidade. E, não somente ele, mas toda a sua família foi beneficiada pelas tesouras de Washington. “Formei dois filhos com a tesoura. Não formei o terceiro porque ele não quis”, destacou.
Quando perguntado sobre o porquê de dizer que não é um bom profissional, o cabeleireiro Washington revela: “Primeiramente a gente tem que ser modesto”. Mas ele parece saber da importância e repercussão do seu ofício, fato evidenciado quando falou sobre quais já foram seus clientes. “Tem uns 40 anos que todos os prefeitos de Anápolis cortam o cabelo neste salão aqui. Desde o Adhemar (Santillo) até o último que saiu agora, que é o Antônio Gomide. Todos cortam no meu salão”, citou. O que seria se não fosse cabeleireiro? Ele responde brincando: “Filho de um empresário, porque aí não precisaria trabalhar”. Durante a entrevista, Washington cortava o cabelo do prefeito de Terezópolis de Goiás, Francisco Alves de Sousa Junior.
Alonso Lopes da Luz, 75, vende história. Em seu sebo, localizado no Centro da Cidade, comercializa livros, DVDs, CDs, revistas, livros antigos e outras relíquias que, nas mãos da pessoa errada, teriam como destino o lixo. “Fui o primeiro a mexer com discos usados aqui no Estado de Goiás”, conta com orgulho. Ele conta também que o seu é o “primeiro sebo de Anápolis”. “Se não me engano, foi o segundo do Estado de Goiás”, acrescentou. Seu empreendimento já teve três nomes: Bazar Marília, Tipografia Marília e hoje é chamado de Livraria Marília.
“Mudou de nome, mas o produto continua o mesmo”, fala com humor. Por meio da sua loja - afirma - o cliente que entra “acaba se envolvendo na leitura, na cultura”. E ele se mostra admirado ao relatar que o público da Livraria Marília é formado, principalmente, por jovens. “Muitos não gostam de CD, e procuram os discos antigos (vinil) para sentirem o chiado do disco. Eles gostam”, pontua. Ele, que começou “com esses livrinhos de bolso, principalmente com histórias de bang-bang”, disse que foi “tomando gosto” pelo seu trabalho ao longo do tempo.
Sobre qual tipo de produto prefere, Alonso comenta: “Eu prefiro o antigo”. Para ele, o que é antiquado para alguns “parece que é mais interessante”. “Eu gosto da relíquia. Eu acho a relíquia uma coisa muito interessante”, observa. Mas confessa que ainda não passou os olhos por todos os seus produtos. “Alguma coisa eu já li. Eu não tenho muito tempo”, conclui. Entre suas antiguidades, estão gibis antigos do Tarzan e do personagem Roy Rogers.

Autor(a): Felipe Homsi

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