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Prefeito avalia primeiro ano de gestão e reeleição em 2016

Política Comentários 03 de abril de 2015

Em entrevista exclusiva ao Jornal Contexto, o Prefeito João Gomes faz um balanço de seu primeiro ano à frente da Administração Municipal e fala também sobre a crise do seu partido, o PT e o projeto de reeleição para o cargo


Que balanço o senhor faz deste primeiro ano à frente da Prefeitura de Anápolis?

João Gomes - Um balanço altamente positivo. Um ano, do ponto de vista político, complicado. E, de gestão administrativa, também, não muito fácil. Mas, faço um balanço positivo. Nós tivemos a convergência com essa equipe, da qual já fazia parte na administração de Antônio Gomide, nosso companheiro e, querendo ou não, isso é uma mudança: o estilo, o jeito e a forma de governar são distintos. Cada pessoa tem o seu jeito. Eu tenho a minha forma de ver as coisas e o prefeito anterior, também. O fato é que, em um ano, nós fizemos muito. Se fôssemos descrever tudo aqui, talvez o espaço do jornal seria pouco para enumerarmos a quantidade de ações que aconteceram, em todas as pastas (secretarias e órgãos da Prefeitura) nestes 12 meses. Tivemos muitas dificuldades na economia e na arrecadação. Mas, graças a Deus, rompemos, vencemos e estamos com a nossa folha de pagamento em dia, pagando dentro do mês trabalhado. Tivemos, neste período, dois aumentos concedidos aos servidores, no ano passado e este ano, agora, com nove por cento e, para os professores, 13 por cento. Fizemos uma reformulação na nossa planta de valores imobiliários; acompanhamos de perto e chegamos a um bom termo na eleição na Mesa Diretora da Câmara Municipal; demos várias ordens de serviços em todas as áreas da Prefeitura; realizamos muitas obras novas, como por exemplo, três centros municipais de educação infantil, três ginásios de esportes cobertos em escolas; inauguramos a Unidade de Pronto Atendimento, a UPA, que é um hospital de referência, não só para Anápolis, mas, para a região; inauguramos o Centro de Educação Unificada no Setor Alvorada, que é, também, uma grande referência e une ações sociais, culturais, esportivas, dentre outras, num mesmo local; inauguramos várias praças e o Parque da Cidade. Enfim, são várias obras, além dos serviços de recapeamento e pavimentação asfáltica.

Vencida esta primeira etapa, digamos assim, que foi de organização e adaptação, o senhor pensa em fazer uma reforma administrativa, ou seja, montar uma equipe que esteja mais próxima do seu perfil de governar?

João Gomes - Essa é uma discussão que a imprensa sempre faz, mas que para mim não traz muita preocupação. Eu costumo pensar com a cabeça do cidadão. Ele não está preocupado em quem vai administrar o Meio Ambiente, a Saúde, a Educação ou a Fazenda, ou seja, que pasta for. A população está preocupada em ter o serviço. Ela quer o benefício. E, esta é a minha preocupação. Temos, hoje, um grupo de secretários, diretores e gerentes que, em boa parte, já vinha caminhando conosco. E, tivemos poucas mudanças, mas tivemos. Mas, a mudança que eu levo em conta, e acho ser a mais importante, não é aquela que mudou um nome de “A” para “B”, mas a forma e o jeito de fazer. Pode, até, ser a mesma pessoa, mas o conceito de fazer gestão é que tem de ser o nosso. E, o nosso conceito é fazer uma gestão proativa e mais célere, que foque as pessoas, que foque em resultados e que foque a qualidade dos serviços apresentados. Esta é a minha preocupação. Não dá mais para a gente trabalhar com obras mal acabadas, aquelas que você recebe o serviço e continua com o problema no dia seguinte. Nós temos que trabalhar obras que a gente enxergue a qualidade e que possam durar. Então, minha preocupação é com o jeito de fazer gestão, levando em conta que o recurso aplicado é um recurso importante e nós não podemos perder isso de vista. Então, encaramos tudo com muita seriedade, responsabilidade e investindo em obras que valem a pena investir.

O senhor enumerou algumas obras e ações de seu Governo. Mas, por outro lado, quais têm sido as maiores dificuldades e os maiores desafios?

João Gomes - Eu continuo dizendo que são as respostas. Eu sou oriundo do setor privado, que gera emprego e renda na Cidade onde, há mais de 30 anos, colaboro com Anápolis e, no setor produtivo, a gente tem o costume de ter respostas mais rápidas. Então, isso me faz sofrer aqui. Eu confesso que a minha maior dificuldade é entender este “timing”. Para ele acontecer no setor público, é muito demorado e, se demora custa mais caro. No setor privado, as coisas acontecem com mais rapidez e custam menos. Então, a nossa grande luta é que possamos dar à nossa comunidade o melhor, seja em termos de obras, seja nos serviços prestados, para que eles sejam mais rápidos, melhores e custem menos.

Está sendo projetado para este ano, um cenário de crise para as prefeituras brasileiras, de uma maneira em geral. A Prefeitura de Anápolis está pronta para encarar esta crise?

João Gomes - Geralmente o setor público nunca está preparado para enfrentar crise. E é o que está mais sujeito e o que mais sofre com a crise. No setor produtivo, eu costumo dizer que é no momento de crise que a gente cresce, porque quando você é empreendedor, em meio às dificuldades, você vê a oportunidade de fazer diferente e fazer melhor com criatividade. Então, o que nós precisamos fazer é entender que existe essa crise econômica. E, não adianta tapar o sol com a peneira, porque ela é real, mas eu diria que 70 por cento dessa crise é “psicológica”. Falam tanto de crise na imprensa e no dia-a-dia e eu quando vou às compras no supermercado, no açougue, na feira, faço pesquisa. Eu tenho filhos na escola. E, o que estou ouvindo é que o faturamento não caiu, está dentro da média, do mês que se apresenta. Nós temos de tomar o cuidado para não criarmos uma crise muito maior do que ela é. A crise é mundial, ela não pega só o Brasil. E, ela já vem de algum tempo, só demorou um pouco a nos alcançar, mas alcançou e nós temos de ter competência, muita criatividade, trabalhar mais do que já vínhamos trabalhando para transformar este momento de dificuldade em oportunidade. Eu acho que a grande dificuldade dos municípios, hoje, é a questão do pacto federativo. Ou seja, do quanto que nós fazemos aqui e o quanto vem de recursos para fazer as coisas acontecerem. Essa distribuição é que não é boa. A grande crise nas prefeituras é que as arrecadações estão em queda e as despesas vêm crescendo, assim como as responsabilidades que não são transferidas, principalmente em nosso caso. Anápolis é uma cidade polo, onde nós cuidamos da saúde, por exemplo, de outros cerca de 20 municípios próximos de nós. Também, acolhemos muitas pessoas em busca de educação para os seus filhos e isto custa mais caro para nós. Então, podemos dizer que a grande crise para os municípios é a falta de uma maior participação do Estado e da União na distribuição das receitas. A forma atual, acho que não é muito justa, porque as demandas acontecem nos municípios. É lá que se arrecada e é lá que se consome também, que se gasta. Então, vejo que um novo pacto federativo é extremamente necessário para ajudar os municípios a atravessarem esse momento de dificuldade. E, nós temos que pensar que a última coisa que o cidadão quer do gestor é desculpas. Ele quer resultado.

O partido do senhor, o PT, atravessa, também, um momento de turbulências. Como o senhor tem acompanhado essa questão? Ela traz preocupação?

João Gomes - Com certeza acompanho, sou partidário, sou do Partido dos Trabalhadores. E, digo que um dos maiores problemas nossos é a crise política e ela não é do PT. Isso é o que os outros partidos estão querendo dizer. Vamos pegar o caso do Petrolão. Se você analisar todos os grandes partidos envolvidos, o PT é o que tem menos nomes envolvidos. Tem partido grande com muito mais nomes envolvidos, mas ninguém fala isso. Então, alguns partidos estão se aproveitando disso e essa crise é também midiática e ela foca o PT, porque é o partido das grandes transformações. Nos últimos 12 anos, o Brasil vem experimentando grandes transformações e aí, tem gente que não gosta disso: a oligarquia não gosta disso, a elite preconceituosa não gosta disso e parte da mídia também não gosta disso. O fato é que esta crise política, enfim, atinge a todos nós de alguma forma e nós, mandatários, mais ainda. E, isso gera desconforto. Mas, isso pode ser bom, porque te preocupa e faz você buscar ser cada vez melhor. O modelo político que temos hoje, não é aprovado pelo povo. E temos, quem sabe, através da reforma política, a oportunidade de dar uma melhor resposta real para o povo brasileiro, dizendo: - nós queremos mudar! Não dá para imaginar uma pessoa que fica 40 anos lá no Congresso Nacional, nunca perde uma eleição. Temos que mudar isso, dar oportunidade para novas cabeças, que poderão ingressar na política, se tiverem uma oportunidade. Hoje, pelo menos 30 por cento dos congressistas estão lá há 30 ou 40 anos. E, são eles que dão as cartas. Então, não dá mais para pensar num Brasil assim. O povo brasileiro avançou muito nos últimos 12 anos, quase 40 milhões de pessoas ascenderam à classe média, graças à política aplicada pelo Partido dos Trabalhadores e isso mexe com muita gente. Então, me preocupa sim. Mas não é um partido “A” ou “B”. O povo, quando sai às ruas hoje, quer dizer que o atual modelo político não está aprovado.

O senhor é cotado para ser o candidato natural do PT à reeleição. Já está trabalhando esta ideia e este projeto político?

João Gomes - Está aí um instituto que sou contra. É uma das coisas que devem acabar agora, com certeza. E aí me perguntam: - mas você vai sair candidato à reeleição? Claro que vou. A lei me permite. Eu estou governando uma cidade, que confiou em mim enquanto vice-prefeito e agora como prefeito e nós vamos avançar, se assim a população entender. Agora, acho que o mandato de um prefeito, governador ou Presidente da República, basta um. Vejo que algumas coisas que precisamos trabalhar pela frente: eleições unificadas de vereador à Presidente da República e um mandato único e a limitação de eleições para os cargos legislativos, talvez com três mandatos. E, também, acabar com o instituto da reeleição. A minha condição, hoje, me coloca como candidato natural do partido sim, mas acredito que nós precisamos avançar nesta reforma política, que vão premiar a população brasileira para o futuro, onde nós tenhamos uma relação melhor do povo com a classe política.

Como está a relação político-administrativa com o Governo do Estado, que é de um partido de oposição?

João Gomes - Vejo que o governador, o prefeito, o Presidente da República, o gestor, de um modo geral, não têm de estar brigando com ninguém. É aquilo que falei antes. A vida acontece nos municípios. Anápolis pertence ao Estado de Goiás. Anápolis é Brasil. Nós precisamos, em relação a esta questão “republicana”, sair do discurso. E essa atitude republicana, hoje, acontece do Governo Federal para com Goiás e o Governador Marconi Perillo sempre reconheceu isso e ele tem uma relação muito boa para com Anápolis. Eu, como vice-prefeito, sempre presenciei isto e, agora, como Prefeito da mesma forma. Eu converso com o Governador sempre que preciso. Ele retorna as ligações. Já estivemos, este ano, por duas vezes em reuniões no Palácio e por várias vezes em eventos e sempre estamos conversando sobre a Cidade. O Governador é muito grato a Anápolis. E, nós, somos parceiros do Estado de Goiás. Temos muitos projetos que estamos trabalhando juntos. Eu, por exemplo, quando olho para a Câmara Municipal, não olho para o partido do vereador, mas, para aquele que é um representante do povo e enquanto nós estivermos sintonizados e pensando no bem das pessoas, pouco importa o partido. O que importa é o papel que ele cumpre, porque ele não é um vereador do partido, mas um vereador no partido. Eu sou evangélico, mas sou prefeito de uma cidade inteira e não tenho dificuldade nenhuma em conversar com o Bispo Dom João Wilk que é meu amigo. Estive, por duas vezes, com ele na Cúria conversando sobre a cidade de Anápolis. É uma cabeça brilhante, um homem inteligente, culto e que tem uma visão política espetacular. Então, isso é ter uma visão republicana, ampla, aberta.

O que a população pode esperar do João Gomes, nesta metade que falta, agora, para o cumprimento deste mandato?

João Gomes - Tem muitas coisas que a gente não precisa mais provar. A cidade já me conhece e a população pode estar certa de uma coisa: diante de tanta dificuldade que se apregoa, que se fala e que se avizinha, a população pode esperar de mim é muito, muito trabalho. A nossa capacidade, vontade e determinação de trabalhar aumentam a cada dia e a nossa equipe caminha nesta mesma direção. É na força do trabalho que vamos vencer. Então, que a população fique tranquila, porque essa relação de confiança vai continuar e, da nossa parte, vamos nos esforçar e dar o melhor em prol do nosso povo. Sou muito grato à população de Anápolis pela confiança, sobretudo, neste último ano, em que ela acreditou na nossa capacidade de gestão. Nós trabalhamos muito para merecer essa confiança e, vamos trabalhar ainda mais.

Autor(a): Claudius Brito

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