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Pré-natal do Parceiro incentiva homens a cuidarem da saúde

Saúde Comentários 21 de novembro de 2014

A estratégia visa conscientizar a população masculina sobre os cuidados necessários para a prevenção de doenças


Na quarta-feira, 19, foi comemorado o Dia Internacional do Homem. Aproveitando a data, o Ministério da Saúde fez um alerta sobre os cuidados da população masculina com a saúde. E, para incentivar esse quadro, criou-se a estratégia do Pré-natal do Parceiro, uma oportunidade para que os homens cuidem da própria saúde ao mesmo tempo em que acompanham a gestação das parceiras, por meio da realização de exames de rotina, de testes rápidos, da atualização da carteira vacinal e da participação nas atividades educativas nos serviços de saúde.
De acordo com o projeto, ao chegar à unidade de saúde, o parceiro pode ser atendido por um profissional de saúde e realizar exames, como sorologia para hepatite B e C, HIV e sífilis, diabetes, colesterol e pressão arterial, além de receber informações sobre o risco e a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis. Caso necessário, serão solicitadas consultas complementares e também a realização de outros exames preventivos. O Pré-natal do Parceiro pode contribuir ainda para reduzir a transmissão vertical da sífilis e do HIV. A realização de testes rápidos para detecção destas doenças e a consequente adesão ao tratamento por parte do parceiro infectado pode diminuir consideravelmente o risco de contágio da mãe para a criança, isto porque a mulher, mesmo com a devida atenção ao longo da gravidez, se mantiver relações sexuais com o parceiro infectado, pode ser, no caso da sífilis, reinfectada e ter a carga viral aumentada no caso do HIV.
A iniciativa tem como foco, também, preparar o homem para o exercício da paternidade ativa. A estratégia incentiva o apoio à parceira durante toda a gestação, além dos cuidados básicos com o recém-nascido, como as orientações que favorecem a amamentação até os dois anos de idade e, exclusivamente, até os seis meses do bebê, conforme recomendado pela Organização Mundial da Saúde. O objetivo é gerar vínculos afetivos saudáveis e qualidade de vida para todos da família.
O projeto pretende alcançar os homens jovens e adultos, entre 20 e 59 anos, que fazem parte do contingente de cerca de 55 milhões pelos quais a política é responsável, contribuindo no campo da prevenção e promoção da saúde, o que colabora para o aumento da expectativa de vida desta população, por meio da redução dos índices de mortalidade por causas evitáveis.
Estatísticas
De acordo com dados do Ministério da Saúde, os homens vivem, em média, sete anos menos do que as mulheres e apresentam mais doenças do coração, câncer, diabetes e colesterol, além da pressão arterial mais elevada. Porém, segundo a pesquisa da organização denominada ‘Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico’, os brasileiros têm uma avaliação mais positiva em relação à própria saúde do que as brasileiras. Em todo o País, 5,8% das mulheres avaliaram negativamente o seu estado de saúde, enquanto essa proporção entre os homens é de apenas 3,8%. A instituição não afere, diretamente, a frequência de fatores de risco e doenças crônicas que necessitam de diagnósticos médicos, mas faz estimativas de acordo com um diagnóstico prévio. Historicamente, os homens procuram menos as unidades de saúde. No entanto, é interessante destacar que cresceu, expressivamente, o número de diabéticos autodeclarados entre homens nos últimos anos, passando de 4,6% para 6,5%. Isto pode significar um aumento na procura e cuidado. Entre os estudos que exploram esta baixa procura, alguns relatam que eles (os homens) têm resistência a procurar ajuda. Há uma questão ligada ao gênero de que procurar o profissional de saúde poderia mostrar fragilidade. Os dados mostram que 54% dos homens estão com excesso de peso contra 47% das mulheres. Entre os homens, a escolaridade não é fator de proteção em relação ao excesso de peso. Nas mulheres, quanto maior a escolaridade, mais ela se protege, com alimentação saudável e atividade física.
O Ministério da Saúde, ao constatar que a cada três mortes de adultos, duas são de homens, reconhece que os agravos desta população constituem uma questão importante na saúde pública que precisa ser devidamente enfrentada por meio de ações e estratégias que possam reverter este quadro epidemiológico a médio e longo prazos. O governo brasileiro foi o primeiro das Américas a desenvolver e executar uma política exclusiva para homens. Atualmente, além do Brasil, apenas a Austrália, desde 2010, apresenta uma política vigente voltada para a mesma finalidade.

Autor(a): Nilton Pereira

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