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Prédio da antiga estação ferroviária resgata marco histórico de Anápolis

Cidade Comentários 23 de dezembro de 2016

Construção, tombada ao patrimônio histórico do Município, é um referencial importante da cultura e da economia local


Emoção. Esta palavra resumiu o sentimento de muitas pessoas que, na noite da última quarta-feira, 21, presenciaram a solenidade de entrega da obra de restauração do antigo prédio da Estação Ferroviária “Prefeito José Fernandes Valente”, na Praça Americano do Brasil, símbolo de um período em que Anápolis já demonstrava a sua efervescência econômica.
O evento reuniu alguns poucos ferroviários, entre eles o “Seu” Clarindo Sebastião Cardoso, de 96 anos de idade, que ficou emocionado ao adentrar o prédio, trazendo à sua memória fatos que remontam ao final da década de 30, quando começou o seu contato com a ferrovia, inicialmente, como carregador e descarregador de alimentos, principalmente, sal e açúcar que eram transportados nos vagões da Rede Ferroviária Federal S/A.
Pai de 10 filhos e, hoje, com 18 netos e 17 bisnetos, “Seu” Clarindo literalmente, viveu o apogeu da ferrovia, atuando em diversas áreas até se aposentar. Com os olhos marejados, ele viu o filme de sua história passar ao se abrirem, novamente, as portas da antiga estação ferroviária.
Na solenidade de reabertura do prédio, que ficou ‘aprisionado’ por muitos anos na estrutura do Terminal Urbano, as pessoas voltaram as vistas para o topo da edificação, onde está um relógio com os ponteiros marcando 5 horas. O relógio parou no tempo, mas o tempo, como diz um trecho da música do poeta Cazuza: “O tempo não para!”.
No ano de 1935, a estação foi inaugurada com uma festa popular, que começou com uma alvorada e terminou com um banquete no antigo Clube Lítero Recreativo Anapolino (onde hoje se encontra o Hotel Itamaraty), seguindo-se de um baile que se estendeu até a madrugada. No ano de 1976, curiosamente, houve uma nova festa. Mas, desta vez, para comemorar a retirada dos trilhos da região central da Cidade. Por alguns anos, o prédio da antiga estação, após a desativação do trem no perímetro urbano, serviu ao grupamento do Tiro de Guerra (TG-001).
A festa e a história, agora, marcam o resgate do prédio da Ferrovia Goyaz e parte da sua história. A intenção é que no espaço, tombado ao patrimônio histórico pela Lei 3.091, de 14 de setembro de 2004, de autoria do então vereador e hoje secretário municipal de Governo, Mozart Soares, funcione o Centro Cultural de Preservação da Memória, que vai abrigar o Museu da Imagem e do Som “Maestro Sisenando Gonzaga Jaime”, onde um dos pavilhões leva o nome do radialista José da Cunha Gonçalves, e o Centro de Memória do Transporte, batizado como “Pavilhão dos Ferroviários”.

Pujança econômica
O Prefeito João Gomes (PT), poucos minutos antes da entrega da obra de restauração do prédio da antiga estação, disse estar muito emocionado por fazer parte deste momento histórico. Segundo ele, a ferrovia foi um marco importante da pujança econômica de Anápolis, sendo, também, um componente cultural que liga a Cidade a várias personalidades de sua história. “Anápolis já era, na década de 30, um centro de distribuição de mercadorias para várias partes do País”, destacou. “É, esta história que estamos devolvendo às pessoas”, resumiu.
O trabalho de restauração se tornou possível graças à aprovação de projeto apresentado pela Secretaria Municipal de Cultura ao Ministério da Justiça, que possibilitou a obtenção de recurso na ordem de R$ 400 mil, quase o valor total do serviço, orçado em R$ 538.878,49. O secretário Augusto César de Almeida disse que a inauguração foi a última da Pasta, na atual Administração, e foi a “cereja do bolo”, referindo-se à importância do resgate deste patrimônio que, segundo ele, ainda deve passar por uma nova parte de restauração para reavivar as “obras de arte” que fazem parte da sua arquitetura.
A Praça Americano do Brasil, que já foi cemitério e abrigou um parque de diversão público, torna-se um elemento cultural que retrata Anápolis de maneira fiel. Tem ali, o terminal de passageiros, representando o modal de transporte rodoviário; o avião (uma das poucas praças no mundo que tem um supersônico em exposição), representando o modal aéreo e o prédio da estação “Prefeito José Fernandes Valente”, representando o modal ferroviário.

Autor(a): Claudius Brito

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