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Portadora de Down ingressa no mercado de trabalho formal

Geral Comentários 13 de dezembro de 2014

Conheça a história da estudante de administração, Markatiney Linea, 27,que foi à luta, mostrou o seu valor e, hoje, cursa Administração e trabalha em um órgão da Prefeitura


Aos 27 anos, acadêmica do 6º período do curso de Administração, a ex-aluna da APAE Anápolis, Markatiney Linea, portadora de síndrome de Down, conquistou uma vaga no mercado de trabalho local. E o que é mais importante: ela competiu de igual para igual com os demais candidatos ao emprego, mostrando que nenhum preconceito é capaz de superar o ideal, a força de vontade, a garra e a fé. E, é claro, o próprio talento.
Atenciosa e comunicativa, ela trabalha, há cinco meses, na recepção do Rápido do Bairro Jundiaí. É um trabalho desempenhado com muita dedicação por ela. “Fiz muitas amizades aqui e, no dia a dia, me sinto útil, posso ajudar as pessoas”, afirma.
Markatiney dá expediente pela manhã e concilia o trabalho com os estudos. “À tarde, descanso e reviso as matérias estudadas e à noite, vou para a faculdade”, conta. Levando uma vida absolutamente igual à das outras pessoas, além da rotina de trabalho e estudos, Markatiney não abre mão de se divertir. “Aos finais de semana passeio com meus irmãos mais novos. Costumamos ir ao cinema e comer algo diferente”, conta.
Vinícius de Moraes, Cecília Meireles e Paulo Coelho estão entre seus autores prediletos, relata a jovem que se confessa apaixonada por leitura e filmes românticos e também está presente nas redes sociais, se inserindo nos costumes desempenhados por uma pessoa tida como normal. “Fico triste quando me tratam por ‘pessoa com deficiência’, porque eu não me considero deficiente. Para mim, sou como todas as outras pessoas”, desabafa.
A mãe da jovem, a dona de casa Rosalina de Fátima, diz que buscou incentivar a filha para que atingisse o máximo de suas potencialidades. “Todos enfrentamos obstáculos e ela também tem seus limites, mas, sempre lutei e a incentivei para que alcançasse sua independência”, pontua.
Desde quando soube do diagnóstico da filha mais velha, Rosalina conta não ter se desanimado. Pelo contrário, tem obtido constante motivação para incentivar a filha. “Ela é como uma pedra preciosa para nossa família e a estamos lapidando desde quando nasceu, explorando suas capacidades e não fazendo distinção entre ela e qualquer outra pessoa”, enfatiza a mãe que, orgulhosa, comemora as conquistas da filha. “Sua história incentiva outras mães a não deixarem seus filhos diagnosticados com alguma necessidade especial em estado de inércia, mas conscientizadas, os estimularem”.
Mercado de trabalho para deficientes
O emprego das pessoas com deficiência, no Brasil, é amparado pela lei de cotas. Essa lei obriga as empresas com 100 ou mais empregados a reservarem vagas para pessoas com deficiência, em proporções que variam de acordo com o número de funcionários: de 100 a 200, a reserva legal é de 2%; de 201 a 500, de 3%; de 501 a 1.000, de 4%, e acima de 1.001, de 5%.
Apesar de a lei já vigorar por mais de 20 anos, algumas empresas não a cumprem e têm como uma das justificativas a falta de mão de obra qualificada. Não é uma tarefa fácil avaliar a qualificação das pessoas para o trabalho, mesmo porque parte da qualificação de um empregado ocorre ao longo do exercício das atividades que realiza dentro da empresa.
Além do treinamento que o trabalhador recebe no próprio local de trabalho, pode-se avaliar sua qualificação considerando seus anos de estudo ou o nível de educação formal.
De acordo com a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, cabe às empresas, a responsabilidade de encontrarem essas pessoas e, uma vez contratados, promover a capacitação e o treinamento de seus trabalhadores em suas áreas específicas de atividade.
A responsável pelo departamento de Recursos Humanos do Rápido, unidade Jundiaí, Sirley Gomes de Moraes, conta que Markatiney, carinhosamente chamada por Kaká entre seus colegas, tem superado as expectativas. “Ela desempenha sua função normalmente, além de ser muito interessada e eficiente, sempre com ideais inovadoras”, avalia. Contudo, o processo de seleção para a vaga de recepcionista pela qual Markatiney foi submetida, foi o mesmo aplicado às demais pessoas. “O critério usado para sua contratação e a vaga que ele ocupa estão nas mesmas condições aplicadas a uma pessoa sem deficiência”, relata.
A jovem, satisfeita com sua conquista, visa crescer profissionalmente e alcançar o cargo de gerência na organização. “Admiro muito a minha gerente e, um dia, quero ser como ela”, declara, concluindo que, com dedicação, tudo é possível a todos.

Autor(a): Carol Evangelista

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