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Porta aberta para socorrer mulheres vítimas de violência

Geral Comentários 08 de junho de 2012

Elas sofrem agressões físicas, sexuais ou domésticas, e recebem assistência de ONG que atende a Anápolis e cidades próximas. Os dados são surpreendentes e apavorantes


Seis em cada dez brasileiros conhecem, ou já ouviram falar de alguma mulher que foi vítima de violência. Em Anápolis, aproximadamente 50% dos casos de agressão registrados na DEAM - Delegacia Especializada em Atendimento a Mulher, são praticados por esposos; amantes, ex-maridos ou ex-namorados. Diante dessa triste realidade surgiu o Hadassa.
Criado em setembro de 2008, pelas irmãs Sonaly de Moura Lande e Nataly de Moura, ambas pastoras evangélicas, o Centro de Apoio à Mulher “Hadassa”, é uma entidade civil de direito privado sem fins lucrativos. Atende a mulheres, de alguma forma, vítimas de violência, desde a pré-adolescência até a terceira idade, oferecendo abrigo, incluindo alimentação e hospedagem, aconselhamento e orientação terapêutica indiscriminadamente, não levando em conta raça, atividade econômica e profissional, nem credo religioso, embora seja uma entidade cristã.
A, considerada, ONG é aberta a toda a comunidade e atende a qualquer mulher que necessitar de apoio. Entretanto, geralmente, essas mulheres são encaminhadas pelas mais diversas organizações, tais como Delegacia da Mulher; Juizado da Infância e Juventude; Diretoria da Mulher e conselhos tutelares de Anápolis e cidades do entorno.
O apoio dado às mulheres cadastradas no Hadassa, não é somente psicológico, embora seja essencial. Mas, é também focado em terapias ocupacionais, a fim de mostrar à mulher o valor que ela tem no contexto socioeconômico e cultural. Dentro da terapia ocupacional são oferecidos cursos profissionalizantes de artesanatos em geral; cabeleireiro; depilação; manicure, maquiagem e massagem. E em breve, segundo Nataly Moura, vice-presidente da instituição, um novo curso deve ser agregado à grade "Conforme nossas condições financeiras futuras, um curso de corte e costura deve ser colocado entre os que já oferecemos".
O Hadassa é mantido por doações, seja em dinheiro ou roupas e sapatos para serem vendidos. O Centro funciona de segunda a sexta feiras das oito da manhã às cinco da tarde. Somente no ano passado realizou cerca de 1200 atendimentos. Nesse ano, até o momento, mais de 300 mulheres passaram pela ONG.
De acordo com Nataly Moura, os casos mais frequentes atendidos ali são os de violência psicológica, de mulheres que pressionadas por seus maridos, chegam perdidas, sem saber como cuidar dos filhos ou o que fazer da vida. Mas, também, existe um número considerável de casos de violência sexual. A vice-presidente da entidade recorda um que chamou a sua atenção: "No final do ano passado chegou para os nossos cuidados, uma jovem de Goiânia que, desde os sete anos, sofria abusos sexuais do próprio pai. Então, já cansada da situação, aos treze anos, resolveu falar sobre o que acontecia. A partir daí, o pai começou a espancá-la para mantê-la calada. Uma família de Anápolis que conhecia essa jovem a encaminhou para cá, mas por ser menor de idade, ela não pôde receber o apoio da instituição. A mãe, que preferiu abafar o caso e proteger o companheiro, não autorizou que assim acontecesse”. Nataly Moura segue narrando que o estado emocional da menina era chocante, “e com o semblante triste ela me disse: infelizmente, pastora, eu não vou poder ficar" comentou. Hoje a jovem se relaciona com um homem mais velho e sua família continua na mesma posição: a mãe sendo indiferente a tudo.
Mas são poucos os casos que não têm um final feliz, "Quero ter uma condição boa para ajudar a entidade a continuar ajudando outras mulheres, assim como me ajudou como a história de Cátia”, diz a pastora. (no box ao lado).
“Despertando em cada mulher a Essência de ser Rainha”. É dessa forma que o Instituto Hadassa, define seu objetivo principal, fazendo com que cada mulher descubra a essência que há dentro dela e desenvolva o seu papel junto à da sua família e consequentemente na sociedade.

Ajude o Hadassa a manter sua obra:
Banco do Brasil
Agência 324-7
Conta Corrente 24156-3
Contato Hadassa: 3098-6131
Av. Contorno, 533 - Anápolis - GO

O que significa Hadassa:
Hadassa é uma palavra bíblica hebraica, que significa 'perdão e misericórdia de Deus'. É também, o nome dado a uma planta bastante conhecida no Oriente Médio, que está sempre verde e florida independente da estação do ano, fazendo uma bonita analogia com o perdão e a misericórdia de Deus, que está sempre pronto, não importando o tempo a que se recorra. Sua misericórdia nunca é negada. Alem desses significados, Hadassa, também pode ser traduzido por 'Ester', nome de uma rainha bíblica.

Superação - A história de Cátia
Cátia Gomes, 34, que há dois anos sofreu violência por conta do ex-marido, nos contou sua bonita história de superação e o que o Hadassa teve a ver com isso.
"Há dois anos sofri violência física pelo meu ex-marido. Diversas vezes ele saiu me arrastando pelos cabelos para o meio da rua com uma faca. Eu tinha medo que ele me matasse. Meus vizinhos são testemunhas disso. Cheguei, até, a me esconder na casa da minha professora do curso de cabeleireira. O tempo passou, casei-me novamente, comecei a trabalhar como diarista, mas sentia que ainda não havia superado as marcas negativas desse relacionamento. Então, passando em frente ao Hadassa tive aquela curiosidade em conhecer o que se fazia lá, e assim, comecei a frequentar a entidade. Fiz o curso de cabeleireira que é oferecido. Foi muito bom! Todos me motivavam dentro do curso, diziam que eu era muito boa, em especial a minha professora Aline. Mas eu não acreditava que era boa assim, pensava que só servia para limpar chão, por que meu ex-marido me dizia isso. Só que a partir de todo incentivo que recebi por parte do Hadassa, abri meu próprio salão de beleza na Jaiara, já faz dois meses. Na fachada do meu salão e nos cartões coloquei uma foto minha, não para me achar superior ou querer aparecer por causa disso, mas é para eu mesma. Para que todas as vezes que eu olhar, pensar "eu consegui". E, isso também serve para as outras mulheres que passam por situações como a que passei, por que ao olharem elas também saberão que podem conseguir superar isso, assim como eu consegui. Fui convidada para fazer parte do Conselho Regional da Mulher, e não pretendo sair do Hadassa. Pelo contrário, quero ter uma condição boa para ajudar a entidade a continuar ajudando outras mulheres, assim como me ajudou."

Dados e fatos sobre Violência contra a Mulher
- Machismo (46%) e alcoolismo (31%) são apontados como os principais fatores que contribuem para a violência.
- 91% dos homens dizem considerar que “bater em mulher é errado em qualquer situação”.
- Uma em cada cinco mulheres considera já ter sofrido alguma vez “algum tipo de violência de parte de algum homem, conhecido ou desconhecido”.
- O parceiro (marido ou namorado) é o responsável por mais de 80% dos casos reportados.
- O medo continua sendo a razão principal (68%) para evitar a denúncia dos agressores.
Fonte: Pesquisa Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil, realizada pelo Instituto Avon / Ipsos entre 31 de janeiro a 10 de fevereiro de 2011.

Serviços de Atendimento à Mulher disponíveis no País
O Brasil tem mais de 5.500 municípios e apenas:
190 Centros de Referência (atenção social, psicológica e orientação jurídica)
72 Casas Abrigo
466 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher
93 Juizados Especializados e Varas adaptadas
57 Defensorias Especializadas
21 Promotorias Especializadas
12 Serviços de Responsabilização e Educação do Agressor
21 Promotorias/Núcleos de Gênero no Ministério Público
Fonte: Secretaria de Políticas para as Mulheres

Autor(a): Carol Evangelista

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